sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Confissão














Confissão

Nesta noite enluarada
Surgindo a beleza em cores
Tornando vai a minha amada
Canteiro de meus amores.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Memórias de um passado distante









Memórias de um passado distante

Pra você ver quanta porcaria já fiz nesta vida.

Combustível de foguete não. Fiz muita bomba, misturando pólvora de cabeça-de-negro com a preta comum.

Eu e um amigo já falecido, o Humberto. Como envoltório para a bomba, usávamos bambu gigante. Ideal! Pavio de dinamite, que furtamos numa pedreira. Quinze centímetros de pavio são ideais, dá para uma corrida de um quarteirão. Fuga tranquila.

Quando explode é um estrago só, fora o barulhão. Derrubamos o muro do Bispado com a nossa Neca VI, poderosa. Claro que minutos depois chegava a polícia, e nós cinicamente olhando o estrago.

Ninguém sabia que éramos nós os autores da sacanagem, e nossa intenção não era derrubar o muro, só fazer um buraco. Mas colocamos a Neca VI muito baixa, rente ao chão, e ela possuía tamanho maior do que as anteriores, levou mais pólvora, com o espaço de ar suficiente para uma boa explosão.

Não foi mole. Corremos para o Campo de São Bento. Fez um clarão da moléstia quando a traquitana explodiu.

Rimos às gargalhadas, mas quando olhamos o muro caído, espantou. Não era nosso desejo, e juntou muita gente, que não se aproximou muito do lugar onde foi cometido "o atentado contra a Igreja Católica", como os jornais noticiaram no dia seguinte.

Jornalista inventa demais. Atentado coisa nenhuma, era puro vandalismo de adolescentes.

Outra história de um passado distante.






sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Não sei















Não sei

Eu não sei d’alma a bondade
Acabou mudando o nome.
Mas eu sei que a caridade
É dar pão a quem tem fome.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Cana dura














Cana dura

Acordou com o barulho de uma trombada de automóveis.
Olhou pela janela, discussão entre os motoristas, mas ninguém machucado. Falou um palavrão baixo, e foi para o banheiro. Não era do tipo que quando entra num banheiro fica horas. Em pouco tempo saía, banho tomado, ducha fria embora o tempo não recomendasse.
Vestiu a calça de gabardine azul, colocou uma camisa leve e mandou a japona por cima de tudo. Saiu do apartamento pequeno depois de ter comido duas bananas-prata e tomado uma xícara grande de café, enquanto fumava um cigarro vagabundo e examinava a Colt quarenta e cinco .
O velho Citroen preto, modelo 1957, pegou na primeira virada. Trânsito leve, até a delegacia onde era titular. Saulo. Delegado Saulo, bom amigo e policial, mas bem ruinzinho com os bandidos. Havia trabalhado na Invernada de Olaria e foi um dos bons de lá.
- Bom dia, doutor.
- Bom dia, Ramos. Tudo tranquilo por aqui?
- Sem problemas, doutor. Apareceu uma mulher, está na sala do escrivão. O marido encheu de pancada.
- Prenderam o homem?
- Foram buscar. Não demora e ele chega. Trabalha na fábrica de biscoitos.
Esta fábrica era referência do lugar. Seus produtos não eram grande coisa, mas por serem baratos tinham freguesia certa. Saulo, o delegado Saulo, foi até a sala do escrivão. A mulher já havia dado a notícia do crime. Uma marca roxa no rosto, lesão corporal leve. Com uma ligeira conversa, ficou sabendo que o motivo do soco foi um vestido decotado que a mulher havia encomendado à prima. Foi fazer compras com ele, mas o marido já havia avisado que não usasse aquela indecência.
A camioneta do distrito chegou. Motorista, o detetive Jalmir e o preso, logo encaminhado ao delegado Saulo.
- Valentão, dar porrada em mulher é fácil. Tenta comigo.
- Doutor, ela pediu o castigo. Saiu de casa como uma vagabunda, exibindo os peitos.
Falou de cabeça baixa, sem encarar o seu interrogador, como é hábito nas delegacias.
- Dá porrada em mim, seu puto. Olha!
Esticou a cara para ser agredido. O preso não era maluco. Um leve tapa no delegado significaria pancada grossa no seu lombo, ele sabia disso.
- Não vai dar não? Então toma!
Levantou-se e deu uma tapona na cara do ciumento. Tapa de Saulo era feito um coice. O homem caiu sentado.
A mulher, que assistia a toda cena, agarrou-se ao delegado.
- Doutor, não bate nele não, pelo amor de Deus! Fui culpada, culpada aqui sou eu. Saí com um vestido indecente. Deixa ele, eu retiro a queixa agora mesmo.
É sempre assim. Quando vê o marido apanhando, ela não aguenta e pede para parar.
- Sumam da minha frente antes que sobre para os dois.
Parece invenção? Procure saber. Dependendo do local do distrito, este fato acontece sempre, quase todos os dias.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Solidão de todos nós



















Solidão de todos nós

Não é meu costume escrever páginas negras. Prefiro calar.
Mas um fato parece-me verdadeiro: a solidão atinge o homem, mesmo o que vive cercado de amor e carinho. A vida partilhada com a família e amigos não é apenas saudável, é necessária.
Enganam-se os que pensam ser a solidão um mal humano. Se a pessoa manifesta sempre este tipo de comportamento, o fato pode ser doentio, mostrando uma depressão. Caso manifeste-se em momentos de reflexão, nada tem de anormal ou doentio. Afinal, somos seres pensantes e dentre os problemas da vida humana, a solidão é uma constante existencial.
O Universo é grande e incompreensível. Olhamos para dentro de nós mesmos. A grandeza é igual, e a compreensão, pequena. Quis a ciência médica, a análise dos fatos internos, colocar o homem diante da sua realidade.
Não discuto o fato, mas acredito que estamos longe, muito distantes de compreender nossas vidas. Surge uma luz aqui, outra alcançando questão mais distante.
E daí? Continuo acreditando que a Vida é um grande mistério, e é exatamente isto que a torna tão maravilhosa. Um otimista iludido, alguns dirão. Até pode ser a maior verdade, mas no meu íntimo, acredito que é uma equação matemática. O homem vive se procurando, indagando-se.
Tudo isto é ótimo, vamos descobrindo nossas verdades, enquanto vivos.
Depois, ninguém sabe.

imagem: Velho Triste/Van Gogh

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Tempo















Tempo

Tempo de amar, com ternura
De meditar com alma pura
Se o que a Vida oferece
É sempre mais uma prece.
Tempo que vai e não volta
Que não precisa de escolta
Pra passar no campo molhado
De tanto o pranto chorado.

Vai tempo!
Diga a esta gente sofrida
Que é esta nossa vida,
Incerta e não sabida.
Diga também com calor
Que todo o meu ardor
É só um ato de amor
Nesta eterna subida.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mas afinal, o que é um blog?


















Mas afinal, o que é um blog?

Esta é uma pergunta que muitos se fazem, os que têm ou não a sua página pessoal na internet.
Não sei quem inventou o blog. Mas ele hoje está espalhado pelo mundo, e instrumento de famosos e desconhecidos.
Mas o que é um blog?
Conceituar, ou mesmo rotular, não é fácil. Um blog, a princípio, nada mais é do que um depositário de idéias, memórias, planos e tantas outras atividades do homem.
O uso é diverso. Repetindo o que já foi dito, ele pode ser literário, como este, ou político, músico e por aí vamos. Acredito que ele é tanto melhor do que a opinião isolada, pois não pode existir blog sem crítica. Ela, quase sempre, é feita por outros participantes da comunidade, que é bastante grande. O diário pessoal acaba tornando-se público, acessa quem quiser, comenta quem bem entender.
É bastante democrático. Não segue as regras de imprensa escrita, não está sujeito à propaganda de produtos, e o mais importante, é grátis. Assim sendo, é ótimo. O povo diz, com razão, que grátis até um copo d’água sem gelo é bom, e mostra em qualquer ocasião favorável que está falando a verdade.
Como obter um blog de sucesso não é tarefa fácil. O povo, seja de onde for, não se interessa por música medieval, por exemplo. Mas adora futebol. Donde tiramos nossa primeira conclusão: quanto mais for popular o seu assunto, mais será lido e comentado. A atitude é normal, não se pode exigir que o homem comum conheça Vivaldi.
Interessante notar a sua evolução. Começa como uma brincadeira, talvez, mas vai ganhando força até que se transforma, para o seu criador e leitores em peça séria e cultivada com carinho.
Dizem, e eu acredito, que pelos blogues se conhece o autor.
Só isto, mais nada. Por enquanto.