domingo, 17 de março de 2019

Poder, pode

                              

            Em entrevista, atriz Deborah Secco, conhecida pelo seu desembaraço em interpretar papéis difíceis, sem que fosse inquirida pelos entrevistadores disparou: “meus namorados? Traí todos”.  E criou o alvoroço, sendo que ela não precisa disso para aparecer; basta mostrar o rosto.  O corpo, nem se fala.
            Quando apareceu nas novelas de televisão brasileira, tinha um ar infantil e ao mesmo tempo atrevido.  Magrinha, nada do tipo das famosas colegas que todas conhecem, mas não vou citar nomes.  Falo no da Deborah porque ela já cansou de dizer o que afirmei acima.  Ora, a afirmação é inusitada, mas já vi uma entrevista.  Sem o menor receio, lá vem o traí todos.  E eles não são poucos.  Ora, a Secco fez o papel da Bruna, no filme “Bruna Surfistinha”. Corajosa e oportuna: suas colegas, mesmo as mais audaciosas, não tiveram a coragem de interpretar a garota de programa, uma prostituta mesmo, que ficou famosa com a publicação do livro de mesmo nome, de Raquel Pacheco, recorde de vendas quando foi publicado.
            Ora, a Bruna era do tipo exuberante, não combinava com Deborah, que não teve dúvida.  Entrou para uma academia, preparou-se sei lá eu como, mas virou uma mulher altamente desejável.  A moça não brinca em serviço.  Talvez a própria “Surfistinha” ficaria bem abaixo do desejável corpo da atriz.  Sucesso!  Não é uma peça de valor artístico total, que envolve plástica, cena, cor.  É história na dura mesmo.  Quarto e cama!
            Deborah deu show.  É a vagabundinha mais convincente que já vi nas telas. Uma putinha mesmo, que satisfaz seus clientes, aceita suas exigências e ganha o seu dinheiro.  Vi o filme no computador, está disponível.
            O mais interessante: vi também a entrevista do seu atual marido.  Os repórteres riram muito, e o cabra ficou na dele.  Ele é o pai da Maria Flor, filha deles.  Mudou tudo?  Ou, ou...  Diga, senhora Deborah Secco!   


Imagem: Instagram da artista, representando Sofia Loren na sua mais famosa fotografia, no baile do Copacabana Palace, carnaval de 2019.     

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Melhor não ver

                                                 Melhor não ver

            Certas situações são embaraçosas.  A de ser ver cena comprometedora, por exemplo.  Não, não se trata de ficar caçando isso, fotografar e depois fazer mau uso do resultado.  É o acaso mesmo.
            O cara gostava de fotografia.  Invariavelmente estava com sua câmera, produto de qualidade.  No momento, estava diante de um simpático delegado de polícia, sim, isso existe, porque não?  Hábil no seu ofício.  Cabelos cortados sem obedecer as normas da época. Nem curtos, nem longos.  Barba rente, aparecendo só as pequenas pontas.
            — E que mesmo o senhor viu?
            — Nada, doutor. Eu não vi nada, estava começando o pôr-do-sol e eu não queria perder a oportunidade, o dia estava claro demais, eu estava observando isso, e nada mais.
            ‘— Então não viu a camioneta estacionada?
            — Eu nem sabia direito onde estava, doutor.  Não podia perder um segundo olhando coisa que não fosse céu e mar.
            — Mais nada?
            — Mais nada. E com cuidado, já havia tomado uns canecos de chope gelado, deveria ter deixado para depois, quando findasse o trabalho.
            — Pode ser mais claro?  Trabalho? Que espécie de trabalho?
            — Não está vendo, doutor? O senhor é policial. Sou fotógrafo, comecei amador, mas ganhei tantos concursos que comecei a participar mais e exposições, o trabalho antes amador acabou virando profissional.
            O homem estava falando a verdade.  Vestia-se comumente, camisa de algodão de qualidade, sapatos tipo tênis, mas o que chamava a atenção era a calça jeans, quem conhece identifica de pronto.  Inglesa, muitíssimo bem feita, corte fino e de requintada elegância.
            — O senhor não reparou nas duas moças sentadas quase ao seu lado?
            — Como não reparar, doutor? Lindas, as duas. Lindas...
            — Mas o céu estava mais lindo.
            — Não disse isso, doutor, eu não disse isso.  Claro que olhei para as duas, que também tomavam chope e conversavam muito amistosamente.
            — Amistosamente?  Não diria amorosamente?
            — Amorosamente?  Diria que não. Apenas se acarinhavam nas mãos, coisas comuns entre as mulheres.
            — Só isso?  Mais nada?
            — Doutor, não tenho o hábito de ficar bisbilhotando a vida dos outros.
            Não foi exatamente assim.  É evidente que a câmera fotográfica do homem foi examinada e o conteúdo revelador.  As duas lindas jovens, numa grande caminhoneta, seios livres, sem camisas, beijavam-se apaixonadamente, sem o menor receio e com todo o desejo contido, seus cabelos soltos e rostos bem moços, deixavam ver que se tratava de paixão.
O fotógrafo premiado fora contratado pelo marido de uma delas.  Sim, ele faria fotos do entardecer em tão lindo lugar, mas não apenas só isso.  As duas jovens estavam sob sua acurada mira.
É assim, quando tem de ser; não se pode evitar.  Quando há compromisso com homem, como havia, muitas vezes é melhor não ver.  Pode acabar em tragédia Sabe? Nem mais sei se pode mesmo.  Os fatos, os costumes, andam muito mudados atualmente.  Não sei o resultado. No começo, o marido da lourinha quis vingança selvagem.
            Dizem, eu não sei se isto é verdade, que os três convivem harmonicamente entre si.  Exemplo de igualdade social, sexual.
  

Melhor não saber

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Velejando

                               

            Dois sentados, tomando chopes em bar famoso e requintado, bebida de alta qualidade, inclusive a bière à la pression, panorama marítimo.
            O Soling, uma classe privilegiada de veleiros, estava em discussão.  Alguns, nunca se sabe o motivo exato, eliminaram o mais sofisticado barco a vela da competição olímpica.  Interesse?  Monetário, naturalmente, dando lugar outra vez ao antiquado, feio e deficiente Star, barco que quebra o mastro facilmente, nada marinheiro e sem o uso da vela balão, aquela que fica inflada quando o vento é de popa e dá muita velocidade ao barco.
            .— Lindo, não?  Ainda não entendi o motivo de retirarem da classe olímpica.
            .— Não?  Safadeza destes organizadores.  Ou você vai me dizer que não sabe que mesmo nos esportes a sacanagem come?
            .— Não, eu sei, eu sempre soube.  Mas até onde a baixaria pode chegar?
            .— Até o homem chega.
            Uma verdade. Sob todos os aspectos.  A cada dia que passa, a qualidade moral e ética decresce.  Estamos descendo muito.  Estamos descendo demais.  Isso para?  Ninguém sabe.  Falta de saúde, falta de educação, falta de conhecimento, falta de tudo, como pode?  A sociedade mundial caminha uma trilha escura, pedregosa, perigosa.  E ninguém se dá conta que o abismo pode estar mais próximo do que a Astronomia espera, cinco bilhões de anos para o Sol gastar todo o seu combustível e causar o fim dele mesmo e do seu sistema.
            Ora, o tempo é distante, ninguém estará vivo para sofrer e testemunhar. E quem estiver?  O calor será insuportável, até secar terras, mares, rios.  Seria este o Apocalipse, narrado por São João?  Pode ser sim, mas quem garante que está tão distante?
            O Soling continuou navegando tranquilamente.  O chope continuava maravilhoso, a morena da mesa ao lado cruzara as pernas, o short era mesmo short, curto, as fritas com pequenos torresmos estavam cada vez melhores e o dia seguinte seria sábado!
            Todo o prazer renovado mais uma vez!





terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Chuta que é macumba

                                                        Chuta que é macumba


    Uma vez autorizado pelos leitores a prosseguir com a trova modificada, em razão do número de leituras, não muito grande, mas nada inexpressivo vou continuar postando o gênero poético.
    Falei no texto que tenho um amigo que toda vez que se depara com alguma situação embaraçosa, fato desagradável e situações semelhantes, solta logo seu brado de guerra “chuta que é macumba.”
    Ranhetice, velhice ou todas estas doenças que terminam em “ice”, a coisa funciona.  Começa a surtir efeito desde o semiberro chuta que é macumba.  Os desconhecidos poderes mentais entram em ação e segregam um hormônio chamado contra-aporrinhola, conhecido por poucos na medicina moderna.
    A contra-aporrinhola, como seu nome está dizendo, é um velho antídoto segregado pela mesma glândula de produz a serotonina.  Esqueci o nome, perdão.  Não sou médico, logo não tenho obrigação de saber estas coisas.  Dito hormônio tem o poder de espantar aborrecimentos, também conhecidos com o nome de aporrinholas, neologismo criado pela morena, aquela minha velha conhecida, bonita de fazer pena e que está me assessorando na presente tese de alto interesse e profunda indagação.
    Reduzindo à expressão mais simples: aporrinhola é tudo aquilo que chateia, aborrece.  Neste caso, não duvide: chuta que é macumba!
    Por falar em neologismo, nosso simpático  João Ubaldo Ribeiro, acaba de ganhar o maior prêmio da literatura portuguesa.  O Prêmio Camões foi merecidamente ganho, reconhecendo a obra do literato famoso.
    Em dinheiro, cem mil euros, quase trezentos mil reais.  Sem falsa modéstia, Ubaldo declarou que “se ganhei foi por que mereci”, afirmação verdadeira, muito, muitíssimo oportuna.  Um grande abraço, Ubaldo.  O povo brasileiro agradece. 
    Deus do céu, que trapalhada!  Também pudera.  Quem mandou eu permitir que a morena participasse desta tese?
    Um conselho final: não gostou?
    Fácil. Chuta que é macumba. 



O Black Label e o Jack Daniels, favor não chutar!  Enviar para o autor.



sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Casarão

                                                         

Capítulo 1

              Estavam sentados em torno da grande mesa, feita de uma só tábua de madeira nobre.
              Grande a casa, pé direito alto, construção que mostrava bom gosto.  A sala onde alguns beliscavam queijos e grãos oleaginosos, um hábito deles.  Oito homens, mas somente um preferiu beber conhaque, naquela noite.  Os outros estavam tomando uísque, em copos médios, com muito gelo.  Terminada a rodada, a maioria, como de costume, dava boa noite e se retirava.
              Palmas e campainha tocando?  Àquela hora?  Um dos poucos servidores voltou do portão e falou baixo ao mais velho, que acabara de colocar seu copo na mesa.
              — Um tipo estranho, senhor.  Está vestido com uma espécie de túnica branca.  Parece um peregrino e tem ótimo aspecto.
              — E o que ele quer?
              — Pediu pousada.  Só quer dormir e amanhã sai antes do Sol nascer.
              — Estranho.  Traga até a antessala.  E fique por perto, nunca se sabe o seu intento.
              Escolheu uma bengala pesada, ajeitou o robe e aguardou que o visitante estivesse dentro da casa.  A um sinal do empregado, foi ao encontro.
              Realmente, o tipo tinha aspecto excelente, muito limpo e exalando um perfume completamente desconhecido.  Leve e muito discreto, cheiro de homem mesmo.  Estava com uma túnica branca, barba longa e usava uma sandália de couro, o mesmo da bolsa que trazia a tiracolo.
              — A Paz esteja nesta casa, senhor.  Obrigado por atender.
              — É hábito neste lugar.  Meu empregado disse que quer abrigo.
              — Se for concedido, aceito de bom grado.  Venho caminhando há muitos anos.
              — Toma uma bebida conosco, antes de dormir, peregrino?
              — Se for vinho, aceito.
              Estranho.  O homem tinha um andar como se na terra não estivesse.  O olhar inspirava grande confiança.  Ninguém lhe perguntou o nome.  Quando viu os pães redondos feitos na casa, pediu licença, rasgou um pedaço para ele, e fez um gesto que parecia estar convidando a comerem juntos.  Provou o vinho, deu logo após um longo gole, quando um barulho se fez escutar.
              Era um ruído estranho, muitas vezes seguido de um vento frio.  Vez por outra, o fato acontecia no lugar.
              — Fora!  Este lugar não é para você.  Fora!
              Ninguém entendia nada.  Com quem falava?  Súbito, as luzes apagaram.
              — Fora!  Fora!
              E os presentes viram que seu corpo emanava luz, clareando o ambiente.  A energia elétrica retornou. 
              Tranquilo, o homem perguntou se poderia tomar mais um cálice de vinho, logo posto no seu copo pelo mais velho do casarão.
              Na manhã seguinte, como havia falado o peregrino estava de saída.
              — Volte sempre, amigo!  Gostamos de você.
              — Vou em corpo.  Não se incomodem.  Estarei sempre presente.  E desapareceu como se não existisse.

              A vida guarda segredos insondáveis.  O que tinha acontecido naquela casa era inexplicável.  De nada adianta ficar indagando; não se tem resposta.
              Manhã clara no casarão, onde as janelas, bem calculadas arquitetonicamente, permitiam a luz de o Sol iluminar com harmonia toda a sala principal.  Os mais velhos conversavam, dominados ainda pelo acontecimento noturno.  O mistério atrai profundamente os homens, e era exatamente o que tinha acontecido.  Afinal, o que teria acontecido, na realidade?  Que significava a visita do estranho e pacífico homem que pediu pousada?  E os acontecimentos sequentes?  As frutas e o chá, consumidos com moderação pelos que haviam testemunhado os fatos, não auxiliavam a compreensão dos mesmos.
              Casa de fazenda grande, produtora de leite e grande plantação de legumes; anacrônica, diziam.
              O tempo havia passado e a construção refeita.  Datava da época da escravidão, mas nenhum traço poderia revelar tal fato.  Nem mesmo a capelinha restaurada com todo rigor que se fazia necessário.  E o pelourinho.
              As diversas casas dos trabalhadores distanciavam-se pouco do casarão.
              Faina começando cedo, cheiro de café, pão caseiro.  Não havia desperdício de alimentos, mas uma fartura que não é notada em casas de trabalhadores.  O tradicional doce de abóbora, a broa de milho com os sabores de quem conhece, cravo, especialmente.
              Dizer que a vida transcorria sem graça era um exagero.  Pois que havia sim, bastante movimento quando não estavam trabalhando.  O rio, manso, em muitos lugares não dava pé, água fria o ano todo, mesmo no verão.
              Raul e mulher, ele excelente carpinteiro, ela doceira de mão cheia, aguardavam a chegada dos padrinhos de batismo do filho mais novo.


              O lugar era uma mata rasteira, árvores poucas, meio torcidas: vegetação de cerrado.  O riacho fazia a música do lugar, água fria, cristalina que corria em destino a outro bem maior.
              — A água tá fria?
              — Tá uma gostosura.  Lavou até por dentro.
              — Por dentro não lavou foi nada.  Nem bebeu um gole, e ‘inda que tomasse não lavava, bicho ruim.
              Bastião Neném não ouviu bem o comentário da amiga.  Estava enxugando o couro grosso e pelejando com uma garrafa de cachaça.  Couro grosso sim, aquilo não poderia ser chamado de pele.
              Rita já havia tirado toda a roupa, e seu corpo brejeiro foi alvo de elogio do velho companheiro.  Fazia seis anos estavam juntos.
              — Só meu.  Isso tudo é só meu.
              — Dá um beijo.
              — Mulher gosta dum beijo.  Não reclama do cheiro.  Dei uma talagada grande.
              — Depois tomo meu jenipapo também.  E fazemos alguma coisa...
              — Agora não, a barriga tá roncando.
              Iriam batizar o menino Januário, sobrinho deles, filho de uma irmã de Rita.  Mais dois dias de tropel, estariam dormindo em redes velhas, mas coisa de primeira: nem um pouco esgarçadas, limpas e perfumadas de ervas.
              Bastião Neném ouviu barulho na mata.  Não era coiteiro nem metido em bandos.  O que passou, passou.  Correu para um emaranhado de mato, escondeu-se e no maior silêncio engatilhou sua velha mas bem cuidada parabellum, antiga ferramenta de trabalho.

*


Primeiras linhas de romance meu, de mesmo  nome.
                                    

sábado, 8 de dezembro de 2018

Um julgamento

                                       

            Lembro bem.  Acordei já apreensivo, o dia era mais do que importante.
            Barba muito bem feita, banho caprichosamente tomado, aguardando a hora de enfrentar os julgadores da primeira Auditoria Militar do Rio de Janeiro, vinte e cinco anos, já formado e com relativa experiência no Tribunal do Júri.  Não, ali nada era igual.  A começar pela entrada do suntuoso prédio, perto da Praça da República, guarnecido na entrada por dois soldados da Polícia do Exército, com seus capacetes vermelhos, metralhadoras seguras em frente ao peito, sérios demais.  Tudo ali era sério.
            Comi pouco, como manda a boa regra.  Estômago cheio não dá boa defesa.  Entro no lugar com os oficiais acusados, dois clientes meus, um capitão e outro segundo-tenente. Escoltados e em companhia de outros acusados, todos militares.  Acusação: tentativa de tomar o poder constitucional do Estado do Rio.  O governador, nesta época era o general Paulo Torres, um mito.  Amigo da minha família, eu não poderia tocar em nada que envolvesse o nome dele e, na verdade, o general Torres nada tinha a ver com o processo, ou melhor, tinha e muito, mas indiretamente.  No caso, vítima.
            Um tribunal militar do Exército nada tem a ver com o Júri.  Estavam sentados na mesa sete oficiais, um com patente de coronel, pois havia um major acusado e assim sendo, pelas leis da época, deveria haver como julgador do colegiado um militar com patente superior.
            O juiz-presidente, civil, após todas as formalidades de praxe, ordenou que o escrivão fizesse a leitura da peça acusatória. Os sete oficiais que compunham a mesa, ouviram atentamente, com semblante feio.
            O juiz passou a palavra à defesa, depois de ouvida a acusação, promotor militar que diante da fraqueza das provas colhidas, limitou-se ao tradicional pronunciamento ‘faça-se Justiça’.
            É uma oportunidade sem igual, hora da defesa falar pouco, pouquíssimo, e explorar rapidamente o dito pelo Ministério Público Militar, por todos temidos.
            Os advogados dos outros réus, para aparecerem e justificarem o ganho alto monetário, falaram, falaram e falaram, como se todos os seus constituintes fossem santos, às vésperas de canonização.  Nervoso, temi por um mal. Um menino, talvez.  Elegante, sóbrio, comedido, interferi na defesa de um colega.
            — A defesa do capitão e do tenente envolvido está satisfeita.  Toda vez que o Promotor pede justiça, está pedindo absolvição, por falta absoluta de provas.  Faço o mesmo.
            Meus colegas acompanharam minhas palavras, a defesa de todos estava mais do que feita.  Fechada a sala para o julgamento, quando novamente aberta, foi lida a sentença.  Todos absolvidos, sem prejuízo de sanções estritamente militares que poderiam estar envolvidos.
            Então sim!  Duas doses duplas de uísque estrangeiro foram maravilhosamente bebidas.  Eu havia sido pago na hora, e a quantia modesta permitia a excelente marca escolhida. Quantia modesta? Bem, advogados falam o que devem, principalmente em causa própria.
            Não, não comemorei com os meus constituintes.  Eu, minha noiva e meu pai, na minha casa,  felizes, comemoramos minha vitória.
            Tempos felizes, tempos de paz.