sexta-feira, 12 de julho de 2013

O refúgio ficou pronto

                            

 
      Querida, depois de pensar com seriedade no trato que fizemos, quero que saiba das novidades.
Fiz em segredo, não anunciei a ninguém. A casa é pequena, muito bem bolada, você circula com facilidade incrível. Tem tudo, em apenas sessenta e quatro metros quadrados.
Paredes fortes, piso levantado de metro e meio, deixando lugar para um porão, que está isolado da parte principal, menos uma pequena parte, transformada num depósito que pode guardar qualquer coisa. Pé direito alto, para os dias quentes.
    Cozinha e banheiro independentes, lógico, mas com o mesmo sistema d’água. Não haverá problema; o encanamento é aparente, bem colado na parede e pintado de amarelo. Fiz o mesmo com a fiação elétrica. Por razão que me pareceu lógica, pintei de vermelho. Não precisa temer. O interior nada se parece com decoração da cidade no Carnaval.
    Sala muito espaçosa, mesa sólida, poltronas confortáveis. A estante não é grande, cabe o essencial. O espaço para o computador também não é grande, e fica junto do aparelho telefônico. O quarto é pequeno e tem uma grande janela, vemos toda a paisagem.
Quando ficou pronto, passei um fim de semana, para experimentar. Toalha xadrez vermelha na mesa, você sabe que gosto. Dois quadros. O meu, a abstração azul intensa, e o seu “Chegada de Outono”. Não levei nada para ler, tinha uma revisão e aproveitei a calma do lugar.
    Dias comuns, mas muito gostosos, especialmente por causa da temperatura, vinte graus. Acordava e comia uma pera, uma laranja, um pedaço que queijo branco com torrada e arrematava com um perfumado café quente. Dava uma caminhada depois. Não é preciso dizer que senti sua falta.
Meu almoço favorito. Bife enorme na chapa, sem nenhuma gordura que não fosse dele mesmo. Salada de tomates e palmito, arroz integral, que fiz na sexta-feira, durante a noite e foi até o domingo, sem nenhum problema. O tinto seco acompanhava sempre.
    Já falei muito. A casa está esperando você. Não demore.
    Beijo

____________________________________________________


Revisado e aumentado









quinta-feira, 4 de julho de 2013

Governo ilegítimo

          

         As manifestações populares recentes, contra os descalabros brasileiros que vêm ocorrendo no executivo e legislativo, estão reiteradamente dizendo não a estes dois poderes.  Este último ainda possui certa reserva moral, enquanto o executivo não possui nada.
         De nada mais adianta a presidente da República insistir em reformas, referendos, plebiscitos e outras saídas para uma crise que disse basta.  Quando o Palácio da Alvorada foi cercado pelos manifestantes em Brasília, sem tumulto ou violência, o povo mostrou a sua força, que a presidente insiste em negar.  Se não invadiu o prédio, não foi por medo da guarda feita pela Polícia do Exército.  Todos sabem que ela não atiraria, e o sistema de defesa eficaz, diante de multidão como se viu, seria uma coluna de blindados, nunca um pequeno número de soldados.  Ou seja, Dilma ainda ocupa o cargo por teimosia e audácia descabida.  Não tem mais legitimidade alguma para conduzir a nação, o povo mandou o recado, foi vitorioso e ainda vai voltar às ruas, desta vez não podemos imaginar se pacificamente como das outras.
         Não estou falando em desordem, baderna, saques ou atos de vandalismo que comprometam um movimento legítimo.  Estou chamando a atenção para uma intolerância popular que as ainda autoridades fazem questão de desconhecer.  Podem pagar caro.  Ninguém até hoje soube prever os atos que a multidão pode tomar.  A intenção continua pacífica, felizmente, mas pode mudar repentinamente.  Não é nenhuma novidade; todos os conhecedores sabem do perigo que vai na alma de uma grande concentração de pessoas.
         Seria razoável que as autoridades mandantes se reunissem e marcassem eleição para breve, no máximo dois meses.  Pode parecer disparate.  Não é.  A atual situação é muito delicada e pode dar início a conflitos que o povo não deseja.
         Pergunta-se: e quem tomaria conta do país neste intervalo de tempo? Simples.  O legislativo ainda tem nomes de respeito.  O povo, por aclamação, elegeria um deles, ou mesmo junta que dela participasse um membro do judiciário.  O poder estaria legitimamente representado, e aguardaria novas eleições.
         Parlamentarista por convicção, seria adotado este sistema de governo, repudiando o nefasto presidente da República, inexistente no mundo de hoje, exceto nos Estados Unidos, onde quem manda verdadeiramente é o congresso.  Todos os países europeus são parlamentaristas, muitos com a figura do presidente da República, uma figura decorativa e totalmente dispensável.
         Talvez seja a saída mais viável, no momento.  Quem tiver ideia melhor que a apresente.  O povo agradece.
 

terça-feira, 25 de junho de 2013

Movimento Liberdade

         

         Não entendemos a causa de o atual movimento ser chamado de “passe livre”, ou qualquer outra ligação que o prenda ao aumento de tarifas nos ônibus de São Paulo.
         É querer debochar do povo, pensar que somos idiotas, ou uma tática para mascarar seus principais objetivos.  Acredito mais na segunda hipótese.
         É verdade que nunca se primou pelo comportamento ideal no binômio poder público e dinheiro.  A História do Brasil não tem este registro, desde as Capitanias Hereditárias.  Houve uma pausa no Império, não havia o ataque aos cofres públicos, nem era necessário.  O que o Imperador quisesse era feito.  Num sistema destes não é necessário o chamado alcance, ou seja, o ataque ao dinheiro público.  Convém esclarecer que os dois imperadores, especialmente Pedro II, foram homens honestos e bastante patriotas.
         Passado este período, a sucessão de dirigentes honestos não é grande.  Instituiu-se no país uma espécie de vandalismo com o erário.  O desplante absoluto tomou conta da nação com a subida ao poder de Luiz Inácio.  Os mais estranhos acordos foram feitos, envolvendo política de baixo calibre e dinheiro, e o mensalão é exemplo disso.  Só um cego não é capaz de ver Lula comandando o tal esquema de corrupção política.  Foi o único a escapar do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, já que não foi denunciado pelo Procurador-Geral da República, Antonio Fernando.  Quase todos os outros, quando submetidos ao mais longo julgamento da história do Supremo, foram condenados e estão prestes a cumprirem suas penas.
         Mas o cinismo dos governantes é muito grande.  Através de uma série de procedimentos, o dinheiro público vem sendo maltratado, desta vez não com propósitos políticos, mas bastante escusos.  A bomba explodiu mesmo com os faturamentos das construções dos estádios edificados ou remodelados para servir à Copa das Confederações e futura mundial, que se aproxima.
         Obras orçadas em determinada quantia, passaram a custar pelo menos o dobro, após suas conclusões.  Ora, ninguém ilude o povo por muito tempo, este refrão é velho e sabidamente correto.
         Enquanto isso, o cidadão sai de casa para trabalhar correndo o risco de ser assaltado pelos marginais comuns que infestam as grandes cidades.  Se não possuir um bom plano de saúde, sempre caro e por isso não utilizado pelo povo, caso precise de atendimento médico vai enfrentar uma interminável fila em hospital sujo, superlotado e sem equipamentos.  Vai ser atendido no corredor, isto no caso de ser atendido.  Os médicos são poucos, não por culpa deles, mas da precariedade do serviço mesmo.  Com os outros profissionais da saúde que integram o quadro dos hospitais, mesma coisa.  Todos ganhando muitíssimo mal, convém sempre lembrar.
         Enquanto isso, o dinheiro que poderia estar aplicado neste segmento público e na educação, ridícula nos dias atuais, quando a nação ocupa os piores lugares do mundo, envergonhando o brasileiro, este dinheiro está não se sabe onde, ou melhor, sabe-se sim.  Está com as empreiteiras que construíram os tais estádios.  Só com eles?  Claro que não, qualquer pessoa é capaz de deduzir isso.
         Diante desta balbúrdia, veio crescendo no meio da sociedade esclarecida um sentimento de repúdio muito grande, há alguns anos.  O processo não nasceu da noite para o dia, muito menos, como se disse no começo, por causa de vinte centavos no aumento das passagens de ônibus.  O povo brasileiro disse basta, saiu às ruas em manifestações nunca vistas na história brasileira e sem o uso de qualquer tipo de arma, acabou fazendo uma revolução sem sangue.  É o vencedor da luta e os governos, especialmente o federal, não têm mais legitimidade para dizer ou mandar coisa alguma.  Obedeçam ou podem sair muito mal desta.  Uma reação mais ríspida certamente vai ser respondida na mesma moeda, e qualquer pessoa pode prever o resultado.
         Estão faltando líderes políticos da confiança dos jovens, para assumir e dar as diretrizes finais do que foi conquistado.
         Talvez agora seja bem mais lembrado o artigo primeiro da Constituição de 1946:  “Todo o poder emana do povo, e em seu nome será exercido.” 
         Dedicado aos meus amigos e colegas do Vote Brasil, o mais famoso e melhor site político brasileiro, ganhador do Prêmio Ibest dos anos 2005 e 2006, maior premio da internet brasileira, hoje fechado por razões de doença do diretor André Barretto.     

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A atual realidade brasileira

    
         O povo brasileiro vem amargando aos poucos, mas com ataques constantes, sua tranquilidade e o direito de ser livre.
         A inflação, afastada depois de longos anos como sendo uma constante nacional, volta a colocar as garras de fora.  Amontoam-se golpes contra o tesouro estadual e federal, com o superfaturamento de obras caríssimas, onde a simples reforma de um estádio de futebol chega a 1,5 bilhão de reais.
         O governo federal acaba de colocar em funcionamento um computador capaz de monitorar todas as contas da população, e fazer  depois um cruzamento com o imposto de renda.  Até aí, tudo certo, é preciso cuidado mesmo.  Mas o dinheiro arrecadado com impostos é engolido nas falcatruas, especialmente de obras públicas.  O saneamento básico não existe, a saúde é caso de polícia, na educação aluno ameaça o professor e os bandidos estão cada vez mais poderosos.
         Ora, ninguém suporta isso por muito tempo.  O atual enfrentamento com os poderes que não cumprem seu dever mostra a insatisfação geral de todo um povo que vem suportando calado a tirania disfarçada dos governos e seus representantes.  Passeatas sucessivas vêm ocorrendo em todo território nacional.  Todas pacíficas e compostas, na maioria, por jovens. São reprimidas com excesso de violência pela polícia militar, como nos tempos da ditadura.  Interessante que os atuais dirigentes do executivo estadual e federal foram eleitos, mas agem como se fossem ditadores, sem distinção de partidos políticos.  Agem assim a esquerda, o centro e a direita, e o povo que se dane!
         Ora, tudo tem o seu limite de tolerância.  O povo está dizendo um sonoro não ao furto da coisa pública, a desordem que atinge os serviços essenciais, ao desrespeito aos seus direitos fundamentais.
         O resultado?  Não se vê em nenhum rosto de dirigente brasileiro expressão tranquila.  Estão todos apavorados.
__________________________________

Publicado no Pravda: http://port.pravda.ru/news/cplp/17-06-2013/34782-realidade_basileira-0/

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Acontece



                                        
         O sol acariciava as peles dos que o apanhavam.  Mesa num jardim florido, o hibisco dominando com sua flor amarela.  Na mesa, uma garrafa de uísque, um maço de cigarros que trazia um anacronismo com o tempo atual.  Café, amendoim e castanha de caju.

         Ambos vestidos confortavelmente.  Jeans, camisas de algodão, sapatos mocassim.  Ele bem mais velho, talvez vinte e cinco anos, aspecto saudável.  Ela, esbelta e bonita.  Não bebia, nem fumava, como o companheiro na manhã de domingo.  Beber uísque e fumar, dava-se ao  hábito nos fins de semana, depois das onze horas.

         — Pois eu garanto que este cara é um safado.

         — Engano seu.

         — Engano meu como, se o moleque está se aproveitando da sua idade e inexperiência?

         — Não sou tão nova assim.  Nem inexperiente.

         — Ah!  Além de tudo, está agindo como cega!

         — E você, começando a me ofender.

         — Será que sempre é a mesma e eterna história?  Garota, mete isso na cabeça.  Mais velho, bem mais velho, casado, não vai abandonar a mulher nunca, fica nesta história manjada que não sabe viver sem você, iludindo, e a tola acredita.

         — Para de me ofender.

         — Mas não é ofensa!  Veja bem, a situação dele é muito cômoda, certo?  Cômoda e boa, afinal poderia ser seu pai, usa você como descartável, e se não é assim é pela facilidade, você gosta dele e nada tem em troca.  Amor é troca, sabia?

         — Amor virou produto?  É objeto encontrado em supermercados?

         — Não desconversa.  Sabe bem do que estou falando.  Troca sim, sempre foi, é reciprocidade, lealdade, camaradagem.

         — E?

         — E vocês não vivem isso.  Claro que ouve elogios, promessas.  E o tal não vai abandonar a moleza.  Olha bem para o seu corpo, seu jeito, seus modos.  Quem não quer?

         — Não me interessa quem quer ou deixa de querer.  Já disse, gosto dele.  É importante para mim.

         — Para você, para a mulher e para a família.  Procura você quando quer.  Se olha com jeito de tarado seu corpo nu, qual a vantagem disso?  Muito mais moça, educada, dona da sua vida.  Quem este cara está pensando que ele é?

         — Não está pensando.  Ele é importante.  E eu gosto dele.  Pode ser mesmo um safado como você está dizendo, mas não sei viver sem ele.

         É sempre assim.  Quantas vezes esta história se repete?  Mesma coisa, menores detalhes, não varia nada desde os antigos romances escritos que temos notícia.  Às vezes, o resultado não é nada agradável, pode acabar em sangue.  Mas nem por isso vai deixar de existir.   
 
imagem: índias do Xingu


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Una furtiva lacrima

Uma das árias mais conhecidas do canto lírico, “Una furtiva lacrima”, trecho da ópera “L’Elisir d’Amore”, de Donizetti, é interpretada magistralmente por Luciano Pavarotti.
 Compositor e cantor são expoentes máximos da música universal, Domenico Gaetano Maria Donizetti nasceu e morreu em Bérgamo, Itália (1797-1848). Filho de camponeses pobres, sem nenhuma tradição musical, Donizetti firmou-se como um dos grandes mestres da música de ópera. O “Elixir do Amor” é peça que fala da paixão entre os camponeses Nemorino e Adina, tumultuada no início, mas com a entrega espontânea da aldeã ao seu apaixonado, que a havia feito beber uma poção mágica de amor, mas era na verdade apenas vinho, daí o nome da obra.
Luciano Pavarotti dispensa apresentações. Nasceu e faleceu na mesma cidade italiana, Modena (1935-2007). Desde cedo começou a praticar o canto, quando notou que não realizaria seu sonho de ser goleiro de futebol. É um dos grandes intérpretes de Verdi, Donizetti e Puccini. Seu maior ídolo era o também tenor italiano Giuseppe Di Stefano, embora Mario Lanza tenha sido também um dos modelos do cantor. Talvez o mundo não tenha conhecido jamais voz tão cheia, poderosa e afinadíssima como a do simpático tenor.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Computadores não guardam segredos

    
         Aqueles que pensam que uma vez deletada uma mensagem, ou arquivo, e despachada da lixeira adeus informação, estão enganados.
         O computador não elimina informações.  Uma vez processada, a gravação no disco rígido resiste inclusive a formatações consecutivas.  Observe que quando é praticado crime ou irregularidade, a primeira coisa que a Polícia Federal faz é recolher o processador.  Submetido a uma série de procedimentos, todas as informações estão acessíveis no HD do mesmo, e podem ser lidas com facilidade.  A afirmação, partida dos princípios da Física, é perfeitamente cabível, pela ausência de perda da matéria, que inexiste no nosso mundo, podendo apenas ser transformada.
         Uma informação não muito agradável aos que dão mau uso a tão requintado aparelho eletrônico.  Gravou?  Não sai mais, só sendo destruído o disco rígido.  São palavras taxativas de um conhecedor: “Para poder apagar definitivamente tudo do HD, só com a destruição total do mesmo. Você pode dificultar para alguém que vai ter acesso ao seu HD se você for vender, mas se a pessoa souber o caminho das pedras ela consegue. Em empresas e quartéis, os computadores que guardam segredos têm um símbolo para em caso de ter que sair do prédio por qualquer emergência  (tipo incêndio ) é para destruir fisicamente antes de sair.”
         Fica o aviso.