domingo, 24 de agosto de 2014
Reza
Passamos por momentos difíceis. A proteção é necessária. Mesmo incrédulo, mas acreditando em qualquer coisa, a "Oração à Mãe Menininha", de Caymmi e interpretada divinamente por Gal e Bethânia foi lembrada.
domingo, 17 de agosto de 2014
O pintor das bailarinas
Impressionista destacado, Edgard Hilaire Germain Degas
(Paris, 1837/1917) foi um dos pintores do movimento.
Dono de refinada técnica, costumeiramente fazia seus
esboços em pastel, o que lhe possibilitava a rápida interpretação da obra. Muitos dos seus trabalhos permanecem nesta
forma. Outros, Degas fez também o óleo.
Dos pintores conhecidos, foi um dos poucos a cursar a
Escola de Belas Artes de Paris. O rigor
do curso não lhe tirou a espontaneidade na execução de suas obras. Seu desenho seguro e rápido impressiona. Pode-se dizer o mesmo da cor, que usou nas suas
telas com maestria.
Talvez a sua obra mais conhecida seja “O Absinto”, onde retratou
um casal embebedado e pensativo, numa cena bastante expressiva no interior de
um bar. Suas pinturas mais famosas, no
entanto, são as de bailarinas dançando, treinando, em repouso ou até calçando
as sapatilhas.
Edgard Degas deixou um legado de telas famosas, onde os
motivos frequentes são as bailarinas, como já foi dito, as corridas de cavalo,
as regatas de barcos a vela. Todas
envolvidas com o movimento, sua marca e paixão.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
João Cai-Cai
Seis horas da tarde, sexta-feira. O leve zumbido do ar refrigerado não chegava
a incomodar.
Sala forrada em madeira escura, móveis pesados,
elegantes, um belo escritório de duas salas, com cozinha pequena, ínfima, e
excelente banheiro.
Meu pai e eu ocupávamos o escritório de advocacia quando
estava no seu auge. Quem se dedica com
afinco e uma espécie de determinação exagerada, quase uma obcessão, acaba
conseguindo seu lugar no espaço.
Ninguém mais para atender, nem esperava cliente algum.
Abri o botão superior da camisa, afrouxei a gravata, um copo e uma garrafa de
uísque de melhor qualidade guardada num dos armários. A pia da cozinha lavou meu copo. Gelo?
A primeira dose, não. E assim me
vi sentado no melhor dos confortos, o uísque estava delicioso, relaxando até
quase mesmo dormir. A visão dos poucos livros na estante, advogados não
costumam ter sua biblioteca no escritório, mas em casa.
Cigarro aceso, sim isso mesmo, naquela época até mesmo os
médicos fumavam, a fumaça sendo levada pelo exaustor do ar refrigerado. Três batidas na porta, embora houvesse
campainha. Como já disse, não esperava ninguém.
Abro a porta. Um
jovem negro, vestido todo de preto, estende a mão e manda uma “boa noite,
doutor”. Nunca o tinha visto. “Foi o
delegado — e disse o nome do amigo — que
me indicou o senhor.” Na hora da folga! Mas o xerife era amigo mesmo, não havia como
não mandar o jovem entrar.
— Peguei o senhor em má hora, doutor. Quer que volte na segunda?
— Não estou esperando ninguém. Senta aí, meu caro. Um uísque. Aceita?
— Olha, doutor, é folga minha, mas aceito sim. O caso é sério.
Lavei outro copo, servi com gelo ao ainda desconhecido,
que me disse chamar João Eustáquio.
Estava com uma quarenta e cinco na cintura, percebi quando se sentou,
apareceu sob o paletó aberto. Policial,
com toda certeza. Era mesmo. Da turma do
meu amigo delegado. Lembrei do nome, era
um cara que não conhecia perdão, ou integridade física, moral, qualquer coisa
de um inimigo, geralmente bandido.
Gostava de bater nos rins, causa sempre estrago considerável.
Havia fuzilado um candidato a vereador mequetrefe,
carinha sem eira nem beira, a mando de outro político importante, que pagou
muito bem, mas não queria envolvimento algum, depois de feito o serviço. Contou tudo, enquanto bebia o seu
uísque. Reparei um volume estranho, no
outro lado da cintura que portava a arma.
Não me contive:
— Que coisa é esta aí?
— Minha arma doutor.
Sou policial, já disse.
— Mas vi uma quarenta e cinco no lado direito.
Ele sorriu. — É a
outra.
Duas pistolas quarenta e cinco. Naturalmente, quatro carregadores, contando
com os que estavam nas armas. E
provavelmente a faca comprida, ou punhal mesmo, também na cintura, mas nas
costas. Gente perigosa! Contou o caso. Homicídio por encomenda, pago. Alguns crimes têm razão de serem
cometidos. Poucos, mas têm. Um safado pede para morrer todos os dias, e
ainda não apareceu ninguém que lhe aponte um rifle com luneta.
terça-feira, 29 de julho de 2014
Essa não!
Dilma, minha filha!
O que é isso? ‘Maluqueceu’ de
vez? Raul Castro e Maduro
confortavelmente aboletados no Torto?
Putin e outros do BRIC nas embaixadas dos seus países ou hotéis?
Escreve aí. A Granja
do Torto, o Alvorada, o automóvel presidencial, o jato e outras coisas menores,
não são de sua propriedade. Você pode
fazer uso delas, afinal é a presidente da República. Mas não é a dona não!
Dou um exemplo que ficou bem estabelecido. Parlamentares que usam aviões da Força Aérea,
quando não se trata de serviço, pagam a passagem à FAB. Não escapou ninguém, nem mesmo Renan e seus
implantes capilares.
Vamos ser bem explícitos.
Caso você estivesse ocupando a Granja, e convidasse quem quer que seja,
tudo bem, era seu hóspede. Mas emprestar
como, se você não é a dona, mas a União?
Não adianta esta desculpa que quando vai a Cuba tem moradia de graça,
oferecida pelo governo. Problema deles,
e o Brasil não tem nada com isso.
Lula cansou de convidar Chávez para passar fins de semana
no Torto, onde jogavam peladas – imagine! – e comer feijoada com a especial
caipirinha que o ex-presidente adora.
Mas ele estava lá, e um velho conhecido meu, na época deputado federal,
também, não perdia uma. Bem diferente,
não?
Quando Raul convidou Maduro, onde você estava? Como não tenho autoridade para questionar a
presidente da República, vou parando.
Mas todos sabem que na Granja você não estava. Quem paga a conta, minha filha? Sim, sei que eles, segundo a fonte do
governo, pagaram a alimentação. Mas e as
acomodações de uma residência que é considerada como altamente luxuosa e
perfeita?
Vladimir Putin deve estar uma onça. Tinha como certa as vendas dos caças à Força
Aérea Brasileira, compromisso de Lula.
Ficou não se sabe onde, e a Suíça vendeu os aviões.
Um conselho, se é que posso fazer isso. Não vá à Rússia. E um frio desgraçado, e duvido que você fique
sem troco!
sexta-feira, 18 de julho de 2014
João Ubaldo Ribeiro
Parto para o sacrifício.
Conscientemente.
Adoro e leio as crônicas de Ubaldo. Direto, objetivo, sempre seguindo linha
própria e inteligente. Não é assim com o
autor romancista, e tenho a coragem de afirmar isto. Vamos com paciência e por partes.
Os livros por ele publicados têm muitos falsos
pecados. Mesmo “Memórias do Sargento
Getúlio”, que me parece o mais simples de ser entendido, dá trabalho ao leitor.
O meu caro literato prima por ser prolixo e confuso,
embora muito rico. Seus romances, quase
sempre, afastam o leitor contemporâneo, que admira a clareza e repudia o
gongorismo. Assim é que Ubaldo, talvez
querendo bater “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freire, escreveu “Viva o
Povo Brasileiro”, um livro muito ingrato de ser apreciado. Dito como um dos mais importantes livros da
literatura brasileira é difícil de ser lido.
Complicado na linguagem, que Ubaldo teima em usar, talvez
pela sua forte influência de Vieira. Com
custo, para estudo somente, o livro é lido por causa dos comentários que
recebeu. Precisa de uma dose de
paciência muito grande para ser digerido.
Por cima de tudo, com mais de setecentas páginas. Um abuso literário, dos maiores. Ao mesmo tempo, fabuloso. Entenda-se!
Dirão todos: “um cronista idiota querendo criticar um de
nossos grandes autores.” Não! Pretendo
apenas falar, dizer que respeito profundamente João Ubaldo Ribeiro, mesmo em
“Viva o Povo...” Li todo, à custa de sacrifício, que o autor poderia me ter
poupado. Não seguiu as sagradas regras,
atrapalhou tudo e criou um livro para intelectuais, mas riquíssimo.
Talvez seja idiotice minha, admito. Mas, no momento, quero ver quem encara um
tijolo daqueles sem reclamar.
O exagero de Ubaldo é a simplicidade de Guimarães Rosa e
Jorge Amado. A simplicidade e objetivo
acima de tudo. Acaso isso diminui o autor? De modo algum. Literatura é assim mesmo, quando é de
qualidade. Ninguém lê os Irmãos
Karamazov impunemente. Dostoiévski é
autor difícil, escreveu numa época em que o mundo não tinha pressa. Quando digo chato, quero me referir a
difícil.
Ubaldo ganhou o prêmio Camões, o maior da língua
portuguesa. Não teve dúvida em afirmar
que “se ganhei é porque mereci”. Como
mereceu, João, como mereceu...
terça-feira, 15 de julho de 2014
A Copa de 2014
Dizem todos que o comportamento dos jogadores alemães
durante a Copa Mundial de Futebol, em 2014, foi exemplar.
Errado. A equipe é
bem treinada e joga com vontade. Isso
não se discute.
Existe uma regra desportiva. Não humilhar o adversário. Foi exatamente isso que fizeram contra
nós. Qualquer atleta sabe perfeitamente
quando o seu adversário é bem mais fraco.
A seleção brasileira estava ridícula, não se entende como um país com
tradição consagrada no futebol pudesse apresentar um plantel tão medíocre. Nunca o Brasil foi tão mal representado, esta
é a verdade.
Os alemães perceberam isso, não são idiotas. Treinados, fizeram o primeiro gol. O time brasileiro estava como barata
tonta. Veio o segundo gol, e não
demorou, o terceiro. Ora, os alemães
viram claramente que o Brasil estava batido, não era adversário, mas
prosseguiram nos ataques fulminantes, como na passada ‘guerra-relâmpago’. Massacram o adversário nitidamente muito
inferior, numa atitude que não condiz com o esporte de atletas selecionados.
Não é desculpa de perdedor, o Brasil estava uma vergonha
em campo. Mas depois do três a zero, com
a vitória mais do que garantida, partiram para a humilhação. Não seguraram o jogo, como um adversário
cavalheiro, e dentro da casa deste.
Humilharam com sete gols. E os
brasileiros, que talvez não conheçam estas regras do esporte praticado com
respeito e dignidade, transformaram os jogadores alemães em heróis. Um erro, que só as sucessivas vitórias em
todos os outros esportes, futebol incluído, claro, vai lavar a alma do torcedor
brasileiro.
Saudades de Nelson Rodrigues e João Saldanha...
domingo, 6 de julho de 2014
Mudando
Escrever crônicas é ótimo, mas quando se fixa na
política, a coisa toma rumos incertos e, por vezes, desagradáveis.
Acabar preso e processado pela ditadura bolivariana não
me assusta. O que não quero é chefiar
grupo de terror, pela insistência das molecagens presidenciais e dos
maiores. A gente sempre corre o risco.
Então surge uma guerra onde posso – que o leitor me
perdoe a primeira pessoa, uso muito pouco, mas está imperativo – onde posso,
repito, xingar, ameaçar, prometer torturas.
É de futebol que estou falando.
Cronista selvagem, à João Saldanha.
Mas que Copa vagabunda, esta! Pudera sendo realizada no Brasil, o nível
tinha que cair mesmo. Estamos no país da
impunidade, da delinquência e dos incapazes morais. Encomendada por Lula e administrada antes por
Dilma, imaginem! Ah! A Copa.
Vagabunda sim, nunca se viu tanto perna-de-pau junto. Times decadentes, jogadores horrorosos, salvo
alguns heróis que escapam. Neymar não
escapou. O joelho de um animal partiu
sua vértebra, e ele não joga. Talvez
seja até melhor. Na dificuldade, as
cabeças chegam à conclusão que o futebol é esporte coletivo, cada time tem onze
jogadores e um conjunto harmônico deve ser formado. Então, cessam a correria e
a falta de objetividade.
Coisa feia, desde a abertura. Uma baderna, primeiro jogo incluído. Os desafios foram se realizando. Os jogos foram mostrando a mediocridade deste
torneio mundial, uma quadrilha que a tal FIFA organizou para faturar alto sem
pagar impostos.
Sobraram poucos.
Estamos no domingo, 06/07/2014.
Argentina, Alemanha, Brasil e Holanda.
Todos jogando muito mal, mas com entusiasmo. Caracterizou esta Copa a correria, o suor, a
vontade de vencer de qualquer modo e a tremenda falta de habilidade para jogar
futebol. Muito esforço, pouca arte. Até mesmo nestas que vão para as semifinais.
A imprensa estrangeira babando em ver tanto time
correndo, vontade de ganhar. Camisas
ensopadas de suor, futebol que é bom, nada.
Interessante que as quatro que sobraram, tradicionalmente
são seleções conhecidas nos torneios mundiais, até mesmo a Holanda, recém-incorporada
ao grupo.
Previsões? São
difíceis. Brasil e Alemanha. Esta última já disputou não sei quantas
Copas, dezessete, se não me engano.
Time bom, treinado. O Brasil vai
ter que lembrar dos tempos de Didi, Garrinhcha, Pelé. Guardando o goleiro, Djalma Santos, Bellini e
Newton Santos. O time dispensava técnicos, todos os jogadores davam aulas de
futebol.
Argentina e Holanda.
Deve prevalecer a primeira. Los
hermanos têm mais capacidade com a bola nos pés.
A grande final será a que todos estão pensando? Entonces, que venga el toro.
Depois a gente pega Dilma e Lula outra vez...
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Os jogadores famosos não compareceram. Resultado: 7 (Alemanha) x 1 (Brasil)
08/07/2014
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Os jogadores famosos não compareceram. Resultado: 7 (Alemanha) x 1 (Brasil)
08/07/2014
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