domingo, 10 de maio de 2020

Sem o menor cabimento


                                 

            Mas o que é isto?  Que invasão dos demônios é esta, que não respeita nada, crianças, moços, velhos, quem quer que seja?
            Colocaram um nome bonitinho nela. Covid 19, covarde, desonesta, ainda matando e sufocando a humanidade.  Castigo?  Quem pode nos castigar?  Ninguém pode!  Nem deus, em quem não acredito há muito, embora acredite em Jesus Cristo, um homem que ninguém sabe como, não trouxe ao mundo mensagens de desalentos, mas somente, e tão somente, mensagens de amor.  Filho de deus?  Sim, como todos nós.  Deus seria um espírito maior, criador do Universo, idéia bastante duvidosa.
            Que protetor é este, que castiga os ‘pecadores’?  Que é o pecado?  Acreditam nisso os menos avisados, ou os criados dentro da religião católica romana.  O Cristianismo original nunca foi o que o Vaticano prega.  Ele se apoderou de princípios sociais e irmãos sólidos, construiu suas regras e exterminou com as regras da doutrina de Cristo. 
            As seitas que o seguem são mais abomináveis ainda.  
            Tudo um grande erro de interpretação, que nem Maria reconhecem como Mãe de Jesus.  Até mesmo os maometanos reconhecem Jesus como o maior profeta que passou pela Terra.  Maomé é o anunciador de Alá, mas não tem a grandeza de Jesus, o Profeta.  
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.  Salve-nos iluminando as mentes humanas contra este ataque que estamos sofrendo.
Amém!    


Imagem: William Shakespeare

sábado, 11 de abril de 2020

Resposta a uma mulher misteriosa




                         Querida, como sempre você apareceu no momento certo e oportuno.
São características suas que nunca vou ser capaz de compreender.  Está em diversos lugares, como cigana fosse.  Não vale a comparação?  Cigana?  Creio que é exatamente assim. Alma cigana, não tem lugar determinado para ficar como que plantada nesta Terra nada pequena.  Fica onde gosta, conhece, bebe o vinho, experimenta o que interessa e segue em frente.  Uma maneira bastante interessante de viver.
            Talvez, eu não tenho certeza, gostasse de também viver assim.  Para ter ideia disso, só experimentando.  E para isso é preciso de um desprendimento que talvez o tempo me tenha tomado.  Não me digo velho ou sem iniciativa, mas tão somente satisfeito com o meu lugar.  Às vezes a gente pensa em mudança sim, outro país, cidade grande, alternando com lugar pequeno, com o mar e a praia servindo de área da sua morada. Vida simples, talvez enjoada e cansativa com o tempo.
            Escrever num lugar assim, quem sabe?  Deve dar bom resultado.  Concluído o trabalho, é melhor não insistir no lugar.  Se você insiste em trabalhar sentido a influência do local onde está, melhor desistir.  Vai cair em lugar comum, é quase certo.
            Gostaria muito de saber mais sobre você.  Como está sentindo a vida nestes momentos, o que vai por dentro desta alma misteriosa e ao mesmo tempo pronta para respostas que não permitam revelar sua privacidade.  Simples compreender isso.  Talvez sejamos todos assim, uns mais, outros menos.
            Continuo buscando um encontro cada vez mais verdadeiro com minha alma.  Não entendo a existência sem isso. Insistindo, parece que você vive num quarto escuro, apertado e com pouco ar.  Ora, não é este o lugar para uma vida saudável.  Se não estiver correto, por favor, corrija.
            Escrever não é nada fácil, e trabalho concluído requer boa divulgação.  Nunca este procedimento pode ser taxado como exibicionista; quem escreve tem o objetivo de transmitir, compartilhar, fazer com que o leitor pense e participe do seu texto.  Acabo de firmar contrato com uma editora americana.  Talvez ande um bocado, pois o livro fala em correrias, espionagem, mulheres sensuais, atentados, ou seja, tudo bem ao gosto dos norte-americanos.  Só deles?  Tenho cá minhas dúvidas.
            Os motivos que a trouxeram de volta não são dos mais agradáveis, mas não parecem graves.  Devo dizer que acho estranhos, mas esta sempre foi uma marca muito sua.  Escreva.  Eu também gosto de ler!
            Beijo.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Violinista


                                               
A sala ampla e iluminada pelos raios solares abrigava músicos e seus instrumentos, num ensaio comum. Ninguém se atreve a dar concertos, ou fazer apresentações sem criteriosa preparação prévia.
Sentado na segunda fileira da orquestra, sem roupa de praxe usada nos dias de teatros cheios, o violinista olhava seu instrumento brilhante e bem tratado. Trajes simples, uma elegante camisa branca de mangas compridas, calça jeans já bastante macia pelo uso continuado e ainda cheirando a banho prolongado, frio e com sabonete de qualidade, o músico aguardava as batidas da batuta do maestro que indicam os preparativos para o início da execução.
Moço ainda, ganhando experiência, ouviu as três batidas características e o gesto do maestro avisando o começo do ensaio. A primeira peça a ser tocada era a “Barcarola”, de Offenbach. Sempre agradável, alegre e conhecida, prestava-se bem para começar os trabalhos. Ouviram-se os primeiros acordes. Soavam como o ambiente, calmo, concentrado e harmonioso.
“Segundo violino, você está desafinado.” A voz do maestro veio dura! Pegou completamente de surpresa o jovem músico, que não tivera o cuidado de fazer uma comparação com seus colegas. Realmente, estava desafinado, fato imperceptível aos ouvidos comuns, mas não ao maestro experimentado, batuta apontada para o advertido.
O “spalla”, primeiro-violinista de uma orquestra e o músico mais importante, facilmente identificado por sentar-se na extremidade esquerda da primeira fileira, sempre muito conhecedor da sua arte e pronto para substituir o maestro, se preciso for, também percebeu o fato. Seu colega estava realmente desafinado. Um pequeno aperto na cravelha e o instrumento ficou em ordem. Estes incidentes ocorrem com frequência, mas não agradou nada ao homem que pretendia falar com a jovem e bela flautista, olhos expressivos, lábios bem feitos. Ele desejava a convidar para um descompromissado lanche, talvez nem tão sem intenção assim, mas de toda forma era o que havia planejado dizer.
Desafinado... Todos ouviram, inclusive ela, que não havia notado o pequeno senão.
O ensaio terminou. O violinista desafinado saiu rápido. Não falou com a colega, que se entendia com Norma, a bela flautista, no momento beijando e totalmente encoxada com ele. Dentro do bar elegante, tomava o segundo conhaque e fumava igualmente o segundo cigarro. Afinal, o maestro apareceu, caminhando displicente na calçada, passando a mão nos cabelos. Sentiu a pequena pontada na barriga, a faca de mola, tão usada pelos ciganos, como era o músico que havia sido chamado a atenção em voz alta, todos escutando, não foi usada para causar ferimento grave ou morte.  "Sua  namorada está com o outro, desafinado idiota!  Volta lá."
Voltou. Desta vez a faca cigana foi terrível.  Sangrou profundamente os dois namorados...

Imagem: pianista de orquestra



terça-feira, 3 de março de 2020

Acontece

                                         Parar?  Não por enquanto

            Em fevereiro não postei nada, ou melhor, postei sim, mas deleitei depois.  A primeira estava com aproveitamento de letras, vinda de site amigo,  onde escrevo desde que entrei para a internet. 
            Tentei aproveitar o original.  Saiu a publicação, mas com cores nada compatíveis com as atuais. 
            A segunda, por erro.  Ao invés de entrar com uma crônica ou conto, coloquei, vejam vocês, um teste!  Muita gente se irritou, ou simplesmente não respondeu.  Perdi?  Acredito que não.  Além de continuar zelando pela limpeza do mesmo, mantenho o assunto interessante.
            Peço desculpas a todos vocês.  O fato não vai se repetir.
            Muito bem!  Não é não, mulheres não são objeto de consumo!  Que absurdo, em pleno 2020, embora pareça que estamos é declinando mesmo.  Enquanto não fica provado e estabelecido, não é não.  Nada de assédios malandros, cantadas inoportunas.  Há mais, que pretendo não citar.
            Coloquei, num site conhecido, matéria idêntica.  Preocupa-me, como homem, advogado e escritor dedicado, mas ainda não reconhecido, o comportamento humano.
            Afinal, não é não até onde?  Algumas moças usam saias que quase aparecem peças íntimas, de tão curtas.  Sapatos que colocam as pernas como se fossem para ser agarradas, e outros complementos que não me animo a escrever.  Se não é não, por favor não provoquem além do charme feminino.
            Adoro todas vocês, mulheres.  Sou nascido do óvulo fecundado de uma, que sempre amei e respeitei.  Pai natural, casado, se há curiosidade.  Também querido. Assim é o blog.  Vamos confessando nossas verdades, sem estarem  truncadas.
            É isso!

  
imagem: eu ainda não tinha barba!

domingo, 12 de janeiro de 2020

Consigo mesmo


                                       

            É possível?  Falar horas e mais horas, dias e mais dias, anos consecutivos, enfim, sem data determinada, manter um diálogo consigo mesmo?
            Não só é possível, como muitas vezes necessário.  Mas não esconda dos outros; publique, fale, pode auxiliar, confortar, ensinar alguém.  Ou levar tudo, de vez, para o buraco que sorrateiro nos espera.  Ou você pensa que não?  Ou você faz questão de nem pensar no assunto?  Ah!  Mas ele existe, como existe! Homem, você está sentado, tomando um café forte, delicioso, na hora certa, e vem um maldito AVC, ferra sua saúde, se não matar deixar sequelas indigestas. Pensa que você é alguém?  E como eu, é nada, um sujo, ou até mesmo santo num dia luminoso.  Pior: só o dia.  A Vida, algo maravilhoso que carrega, pode fugir a qualquer instante, agora para mim, por exemplo, e não permitir que eu termine esta crônica maldita.
            Vivemos uma grande ilusão realista. Dá para entender?  Mas é assim, e quem quiser entender que pense!  Estou inteiro no momento.  E depois?  Viro defunto sem mais nem menos, eu e todos nós, inclusive você que está me lendo. Escritor maldito?  Qual!  Um homem que sabe ver o que o cerca, a grandiosidade da Vida e ao mesmo tempo a sua transitoriedade.  Somos nada!
            “Porra, este cara é um derrotista”.  E eu respondo: e você um cego, ainda não percebeu que a Vida de nada vale?  Nada, absolutamente nada, não se iluda.  Vale o que você faz, o que você prega, o que você vive!  Tolice continuar: vale muitas coisas.
            Tantas pessoas nascem, vivem e morrem sem ter acrescentado nada, nem um protesto contra os safados que existem neste mundo, os pregadores do ódio, da mentira, do assalto ao bolso alheio, seja com arma de fogo ou com a caneta, hoje tão mais comum?  É problema brasileiro?  Piada, isso!  Acontece em todos os quadrantes do pequeno planeta que gira completo em torno do Sol em aproximadamente 365,25 dias, chamado Terra.  Uma mediocridade de lugar, se comparado com os grandes corpos celestes.  Mas aqui existem as belas mulheres, o sacrossanto uísque, as mais diversas e maravilhosas comidas, o sono, a fantasia, e, enfim, o amor.  O que seria destas coisas todas não fosse o Amor?
            Nada!  Absolutamente nada!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Jesus de Nazaré


                                                 Jesus de Nazaré

             Uma figura que confunde a humanidade, Jesus de Nazaré.
            Não pretendo explicar nada. Mas muitas ideias, minhas e adquiridas, tenho sim.
            Jesus existiu realmente.  Não se pode duvidar da sua existência.  Nos Anais Romanos, o historiador Tácito fala que em Israel “foi crucificado um certo Jesus, oriundo da cidade de Nazaré, quando era governador Pôncio Pilatos.”  Ou seja, não podemos negar a sua existência.  Além de estar registrada, a causa da crucificação teria sido política.  Era contra os judeus ortodoxos e os romanos dominadores, que adaptaram os antigos deuses gregos à religião de Roma imperialista.
            Afinal, quem teria sido este homem?  Ninguém sabe dizer com segurança, mas muitos o consideram o maior dos Profetas, o único que sabia ser Filho de Deus.  Por sua vez, aqui o problema aumenta.  Não existe Deus fora de nós, dos nossos corações e mentes.  Aquele que encontrou Deus dentro de si mesmo faz parte da comunidade divina.  Se este fato está de lado, ou seja, você não conhece o Deus que no seu ser habita, não creia.  Ele não existe, na verdade. Mistério, e este não se explica.
            Jesus entendeu bem toda a Vida, e pelo que narram os Evangelhos, deu seguidas aulas de bondade, fraternidade e caridade.  Nenhum profeta percebeu isto tão claramente.  Pregou sua doutrina e nada escreveu.  Esta doutrina foi considerada tão perigosa pelo judaísmo que pediram sua cabeça.  Foi dada.
            Estamos na época que se comemora o seu nascimento.  Pelo calendário gregoriano, vinte e cinco de dezembro.  O calendário Juliano, que não tem data, só dias numerados, sem anos. difere pouco tempo.
            Comemoremos a vinda do Profeta Maior.  Com respeito e união.  Caso você não o tenha dentro do coração, junto com Deus, esqueça.  Coma e beba à vontade.
            Feliz Natal.



Iimagem: "A última ceia", Salvador Dali

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Panorama


                                              Panorama

            Construíra a casa num terreno pouco íngreme, subida leve, terreno e gramado perfeito. Na serra de Friburgo.
            Já havia tomado o café da manhã fazia algum tempo.  Clima ameno, talvez um pouco frio.  A casa possuía uma varanda que alcançava da frente ao lado direito, até o fundo.  As cadeiras, não muitas e as duas mesas faziam o complemento da área deveras aprazível.
            Dez horas, já poderia tomar sem ressentimento interior seu uísque.  Era o que fazia, puro, copo de vidro grosso, gostoso de pegar, e o líquido que continha descia bem, esquentava o corpo e a alma.  Entendeu que estava tudo muito bem; nada a reclamar.  Quem levanta com o Sol tudo pode!
            Sabe, ficar achando que nada está certo, nem mesmo a própria Vida, não ajuda nem resolve coisíssima nenhuma.  Piorar, piora. Ah, piora muito!  Estas atitudes passivas diante do maior são terríveis, acovardam, trazem medo, angústia e ansiedade.  Naturalmente que os fatos corriqueiros, alguns muito comuns, parecem gigantes ameaçadores, como aquela porta que ficou difícil de fechar.  Ora, se a fechadura está boa, o encaixe da porta com o seu lugar de trancamento está difícil, na maioria das vezes uma lixa termina com o problema.  Mas nem todos pensamos assim, a coisa se torna complicada, David já não sabe mais combater Golias — como se fosse isso.  É nada!
            O panorama!  O homem estava se esquecendo dele.  Pronome mal colocado?  Dane-se o pronome, interessam as árvores, o azul diáfano do céu, a tranquilidade do lugar.  É, isso ainda existe sim, parece sonho ou ilusão, mas a beleza não morre, as cores não mudam, salvo quando trocam as estações, que nos diga a música “The autmumn leaves”, no original francês "Les feuilles morts", de Joseph Kosma.
            Este Jack Daniel’s não é grande coisa não. Ruim não é, mas tem coisa melhor, com um bom café fumegante.  A varanda, a confortável cadeira, a bela e comprida mesa, o ar que se respira, e a omelete de presunto, seguida de um caprichado feijão com pouco toucinho e paio que seriam servidos no almoço, arroz, naturalmente, e uma couve em tiras fritada, provaram a aquele homem que a Vida ainda é bem suportável.
            Quase esqueço.  O tal que gosta de um uísque e está refugando um Jack, e acabou de tomar um café muito gostoso, está escrevendo uma crônica da Vida, coisas que acontecem.
            Só.  Mais nada.