domingo, 13 de outubro de 2013

Sem líderes

         
         Há muito a política brasileira sofre de mal terrível: não tem líderes de expressão.
         Este mal fez com que assumissem o poder Sarney, Collor, Lula e Dilma.  Fernando Henrique é caso à parte, pois sob sua direção nasceu o Plano Real, executado com maestria pelos economistas matemáticos Pérsio Arida e André Lara Resende, entre outros.  Terminou com inflação que vinha desde a criação da República. 
         No entanto, políticos como Ulisses Guimarães e Leonel Brizola, para citar apenas dois exemplos, desapareceram por completo do cenário político brasileiro.  Morreram sem deixar sucessores.  Pode-se afirmar com tranquilidade que estamos sem líderes honestos e determinados, como os mencionados.  Este fato não só permite a entrada de incapazes, que são inúmeros, como nos deixa sem reservas.
         Os petistas apoderaram-se do mando e não pretendem abandonar o mesmo.  Não se entende o fato.  Sob o governo Lula foram cometidas as mais diversas falcatruas, políticas ou não.  Desonesto aos extremos, conseguiu escapar da lei, como tantos outros que temos conhecimento. Os menos precavidos confundem a sua esperteza com inteligência, predicados absolutamente distintos.  Atualmente estamos sob o governo Dilma, nem inteligente e muito menos esperta.  Guia-se pelo que manda a direção do partido, embora faça questão absoluta de negar tal fato.
         O atual governo também não é sério.  Prova é a construção de inúmeros estádios que servirão para campos de jogos de futebol, na Copa que se aproxima.  Orçados inicialmente por preço determinado, ao longo das construções tiveram seu preço dobrado ou triplicado.  A razão nunca se sabe, mas empreendimentos particulares não têm esta distorção, sob pena de perderem seu financiamento.
         O mundo encontra-se em situação indefinida.  Política, social e financeiramente.  Os atuais líderes internacionais, além de competentes, têm equipes capazes de entender a situação do momento, podendo dar-se como exemplo Obama, Putin e Angela Merkel.  Aqui, prima-se pelo amadorismo.
         A falta de pulso firme e conhecimento do mais além do horizonte político, que Ulisses, Brizola, e Darcy Ribeiro possuíam está sendo cada vez mais sentida, diante de tanta mediocridade, oportunismo e rapinagem que vemos nos dias atuais.

Publicado no Pravda de 14/10/2013.  Link: http://port.pravda.ru/news/mundo/15-10-2013/35420-sem_lideres-0/ 

20 comentários:

marcia lailin disse...

Não só a politica brasileira mas o mundo inteiro esta a minguá. Acabou-se os grandes homens, as grandes pesquisas, as grandes descobertas. Se existe alguma coisa para ser descoberto, nada mais é digno de ser digno. É tudo um repeteco, uma cópia do passado. Tira-se um pouco dali um pouco daqui e assim os fins vão justificando os meios. A era da incerteza passou para a era da mediocridade que deu lugar ao salve se quem puder.

marcia lailin disse...

A última vez que vi ao vivo e a cores a finalidade de um celular, foi os aviões caindo em 11 de setembro no pentágono e região, e os usuários se despedindo de seus familiares. Depois disso entendi a grande utilidade das descobertas humanas

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Políticos idealistas, lideranças de fato e de direito... Era uma vez, amigo Jorge. Abraços!

Rita Lavoyer disse...

Jorge, meu caro! O Brasil não tem formação política. Não temos estudantes de política. Se tiver, são pouquíssimos. A política no Brasil, como você bem relata, está à mercê de todas as espécies de seres – humanos ou não, desde que nascidos no Brasil. Por isso, conquistar um posto político hoje é honra, há de se ser agressivo para isso. Os honestos agressivos ( e digo sobre agressividade “positiva”, a que nós precisamos desenvolver desde os nossos ancestrais, para conseguirmos sobreviver nesta selva) são os tachados: vingativos, bem nascidos, os que nunca passaram privacidades... Ah, como se para ser bom , justo e honesto a pessoa deva, por praxe, ter saído da pobreza profunda ou coisa parecida!!
Então, esses sofismas só tendem a aumentar as correntes assistencialistas que se formam, ainda que tentando se estender aos que merecem e precisam, para patrocinar muito mais campanhas de “aves de rapina”, que almejam o poder a qualquer custo.

Célia Rangel disse...

Você descreve, narra e conclui com muita propriedade a total falta de líderes em nosso país e no mundo! Um pouco de leitura e prática em gestão sabe-se das qualidades de um líder para o cenário mundial. Total incompetência. Uma falha absurda. Mendicantes sociais multiplicam-se em siglas, nomes e situações obscuras em setores que deveriam nos liderar! Caótico, meu caro Jorge. É o faz de conta no país das maravilhas para poucos!
[ ] Célia.

petuninha disse...

Olá, Jorge!
Nosso país e o mundo sofrem uma ausência grande de lideranças capazes, de homens de valor.Se passarmos a peneira sobram poucos. Até quando precisamos passar por estas situações deprimentes, eu gostaria de saber. Será que vai ser necessário descer ao fundo do poço para depois tentar a volta?
É a queda de uma cultura, de uma civilização, e para reerguer-se das cinzas vai demorar muito. Não é em vão que a crise se repete em outros países. Quanto tempo dura uma civilização? Muitos questionamentos precisam ser realizados para chegar à causa dos efeitos que se deparam ás nossas vistas.
Beijo.

IDERVAL TENÓRIO-MÉDICO disse...

Meu mestre Jorge, após estudantemente aprender com o seu artigo complemento, com toda esta bandalheira ainda conseguem emplacar na cabeça das pessoas e de muita gente boa, que o pais vai bem, está crescendo e caminha para o progresso. Vejo exatamente o inverso, vejo um pais sem alma, sem indústria, sem marcas, sem patentes e contaminada pela desonestidade. O Brasil pede socorro. Já disse neste seu blog, o Presidente Fernando Henrique será lembrado como um dos maiores presidentes quo Brasil, já viu. Um abraço , estou seguindo o seu blog com muita atenção. Um abraço Iderval.

Marco Bastos disse...

Prezado Jorge Cortás. Vou me estender um pouco nesse comentário. Seu texto é altamente coerente e interpreta bem o momento da História. Concordo com o vazio de lideranças de peso - o País não vai bem. Está entregue a lideranças políticas incompetentes, oportunistas e desonestas. Se não há como discordar que o mundo também passa por problema semelhante, não há como aceitar a generalização, desde que se tudo vai mal, ir mal é a norma. Com base nisso tende-se a nada corrigir. Tentemos reconhecer que no grupo ao que pretendemos estar inclusos, há vários países que não se degradaram tanto e há políticos de valor. Não se pode aceitar que homens de valor, ainda existentes no País, se furtem a exercer a atividade política, e que no seu vácuo se apresentem para exercê-la as mesmas mediocridades e incompetências que se pensam em condições de governar. As esperanças são poucas, mas é preciso corrigir os rumos. abraços.

Vera Fracaroli disse...

Líderes são as pessoas que nos dão visão de futuro, uma confiança no presente, que nos inspiram para podermos resolver nossos problemas nós mesmos.

Líderes são as pessoas capazes de resolver os grandes problemas nacionais que ninguém consegue resolver individualmente, capazes de agregar profissionais de áreas diferentes, de forma que todos sigam um caminho comum.

Falta de Líderes não é somente um fenômeno brasileiro, o mundo, caro leitor, está sem líderes.

Voltei do TED Long Beach, com a seguinte reflexão.

A era dos grandes líderes acabou. Nunca mais.

Está na hora de nos conformarmos que não haverá mais líderes como no passado, gente que cativava com seus discursos o país inteiro, como Churchill, Gandhi, De Gaulle.

Líderes com estes são do passado. Por quê?

Porque naquela época havia poucos canais e comunicação, normalmente uma única causa bem definida, agora tudo é diferente.

A internet, o Facebook e os blogs criaram centenas de milhares de pequenos líderes, nenhum mais capaz de conquistar a maioria.

Fim dos Churchills, Gandhis e inclusive Lulas.

O futuro será composto de milhares de pequenos líderes locais.

Voltei reforçado na minha convicção de que a ideologia do futuro é o Comunitarismo.

Nadir D'Onofrio disse...

Jorge lendo sua crônica, não há discordar do escritor!

Realmente vivemos uma situação caótica, essa que vos escreve, já viveu muitas décadas, no entanto, falta de moral, hombridade, honestidade, malandragem, como está instalado no governo atual, nunca presenciei.

Não que não existam pessoas capazes, com estofo político, evidente que temos, mas não querem se aventurar nesta politicagem suja.

Seria um estranho no ninho, já imaginou desmantelar essa máquina toda?

Enquanto isso os espertos assaltantes do povo, da nação, se locupletam.

Caio Martins disse...

Meu caro Jorge, quantas vezes denunciamos tal processo, nesta década. Lembra-me, muito e sempre, a profética frase do ex-ministro Nelson Jobin, em 2011: "Os imbecis perderam a modéstia!". Parabéns pela tenacidade e pertinência.
Forte abraço.

Ana Bailune disse...

Olá, Jorge. Uma triste verdade. Eu não gostava do Brizola nem um pouco. Mas tenho que admitir que era melhorzinho que o Lula. A Dilma, na minha opinião, também não é boa, mas não é tão ruim assim. Gostei imenso do Fernando Henrique, pois foi quando finalmente pudemos adquirir nossa casa própria, e ver nossa vida melhorar... até o segundo mandato. Mas admiro o Fernando Henrique pela sua inteligência e fala direta, sem curvas.

Maria Coelho disse...

Um discurso incisivo e realista sobre o cenário do processo político brasileiro. Infelizmente, hoje, não há um ideal partidário, as bases políticas aliadas são um disparate. Perdeu-se, como bem dito, líderes expressivos. Porém, o país ainda tem uma democracia jovem, e está aprendendo a se posicionar, o que é normal depois de um sistema ditatorial. A impressão é que há um movimento que se dispersou em dois extremos, a política da elite, nos primeiros anos de liberdade; e a política do povo, representado nos últimos anos na figura do Lula. No entanto, o caminho é para uma democracia mais forte e transparente, que se inicia depois desses dois expoentes divisores - elite e povo. Penso, que os movimentos que explodiram nas ruas recentemente são um caminhar para o equilíbrio da política brasileira.

marciagrega disse...

Talvez seja esta a característica de um período de transição como esta que estamos passando.
Falta tudo...Falta boa música, falta boa literatura, bons políticos, etc...
Acho que estamos na era da boçalidade mesmo!

Beijão

Maria Carmem Velloso disse...

Mais uma crônica publicada no Pravda. Foi esperto elogiando Putin, pode passar a molecagem do Lula, a estupidez de Dilma e a falta de líderes políticos.
Os comentários feitos estão excelentes, Jorge. É prova da firmeza do que foi dito.
Beijo. Carmem

Tais Luso disse...

Estou cansada de ser brasileira e ouvir sobre o 'país do futuro'. Estou cansada de ver um país que mais parece um salão de festa, onde uns falam, outros dançam, outros aparecem depois da festa, e outros não sabem o que fazer nas horas de trabalho. Estou cansada de ver o povo sofrer tanto; estou cansada de tanta violência, de tanto descaso, de tanta falcatrua. Estou nauseada. Um suposto 'líder' tinha seus pés de barro. Hoje só resta um lamaçal.
‘Quero ir me embora pra Pasárgada, aqui não sou feliz...’

marcia disse...

Apesar de concordar com cada palavra escrita,acredito que mudanças ocorrerão...bjus

helia disse...

Aqui, em Portugal, também estamos a atravessar uma enorme crise económica e o problema é que não há homens nem mulhers no Governo com valor e competência para governar !

Mardilê Friedrich Fabre disse...

É ficamos pobres de liderança e notamos isso todos os dias, principalmente no que está mais perto de nós e de que mais precisamos educação, saúde e segurança. Abrs Mardilê

Anderson Fabiano disse...

Já chorei por chegar num hotel, no exterior e dar de cara com a bandeira do Brasil na fachada dos caras. Nada demais, apesar marketing deles. Tínhamos Brizola, Ulisses e esperança.

Dias atrás chorei tentando escrever uma crônica sobre o mensalão. Não tínhamos Brizola, Ulisses, Senna, nem Guga...

Lá chorei de orgulho. Agora chorei de vergonha.

Meu carinho,
Anderson Fabiano