sexta-feira, 17 de maio de 2013

O Vote Brasil



Os imprevistos da vida e o seu percurso incerto sempre surpreendem.
 Durante oito anos fui cronista político do Vote Brasil, o mais importante site político brasileiro, quando ainda o seu diretor, André Barreto, encontrava-se com saúde perfeita.
 Naquela ocasião, o VB foi vencedor do prêmio Ibest, o mais importante da internet brasileira por dois anos consecutivos, 2005 e 2006.
 Perfeito, com noticiário dos mais recentes casos políticos do país, o Vote Brasil não se restringia apenas à política; em sua página podiam ser encontrados dados relativos à situação eleitoral de cada cidadão, bastando que digitasse o número do seu título. O mesmo com o imposto de renda e uma série de informações úteis a qualquer  brasileiro.  Câmbio, previsão de inflação, pesquisas eleitorais e opinião dos leitores faziam parte do cotidiano do VB.
 Quando havia eleição, o site tinha link com os Tribunais Eleitorais, e dava os resultados no exato momento que a apuração acontecia, fato inédito no jornalismo brasileiro.  Dez colunistas, entre eles eu, escreviam sobre os fatos em evidência no panorama político nacional.
 O diretor adoeceu.  O Vote Brasil não podia mais contar com a determinação de André Barreto conduzindo os trabalhos.  O site entrou em declínio.  Com o agravamento do estado de saúde de Barreto, por duas vezes ficou fora de circulação.  Há uma semana, desapareceu novamente e todos nós que trabalhávamos nele não acreditamos mais na sua volta.
 Fica uma imensa lacuna.  O Vote Brasil não era, como todos os sites políticos brasileiros, a voz do seu responsável, mas o conjunto das opiniões dos cronistas políticos que nele atuavam.  Também acredito no seu término, esperando estar enganado.


 
Publicado no Pravda.  http://port.pravda.ru/news/cplp/17-05-2013/34636-vote_brasil-0/

quarta-feira, 8 de maio de 2013

A praga que nos persegue


    
  
            Publiquei neste blog, em 19 de abril deste ano, crônica intitulada “A maldição Lula”.

            Seu governo, além dos sérios desvios na honestidade e compostura, ficou marcado pela incompetência na tarefa de dirigir uma nação que começava a prosperar, graças a governos passados.

            Sucessivas vezes o Ministério Público Federal tem tentado levar Luiz Inácio ao tribunal comum, já que perdeu o direito ao foro privilegiado, no caso o Supremo Tribunal Federal.  Sem sucesso, por falta de provas.  A desconfiança dos promotores e procuradores é grande, assim como a de todo povo esclarecido.  Mas havendo escapado do mensalão, fica muito difícil a abertura de inquérito que apure sua responsabilidade criminal em diversas ocasiões.

            Sabe-se que ele é hoje dono de uma das grandes fortunas brasileiras, e o seu filho Lulinha, antigo burocrata menor, possui muito mais robusta conta.  Não sendo financistas, a origem do dinheiro é inexplicável.  Fato notório não precisa de discussão.

            Como não poderia deixar de ser, a maldição do desgoverno que o país atravessou foi enorme, sempre disfarçada por questionáveis pesquisas de opinião pública que até hoje não se encolheu como deveria, mas não aparece como há um ano, por exemplo.

            A gestão Dilma é pior.  Tudo leva a crer que não desonesta como o seu antecessor e padrinho, mas por falta absoluta de material humano capaz.

            Sorrateira, como é sua característica, a inflação vai ganhando espaço e infelizmente já é outra vez um problema brasileiro, que não conta mais com equipe de economistas matemáticos e Banco Central bem dirigido.

            O poder de compra do povo está sendo sentido a cada dia, com menor capacidade de aquisição.  Dívida interna aumentando e serviços públicos cada vez mais precários são as atuais características brasileiras.  Para se dar um exemplo bastante prático como o cidadão sai perdendo com a ineficácia do atual governo, basta verificar a mais tradicional forma que o povo se acostumou, ao longo dos anos, a empregar o pouco que lhe sobra quando isto acontece, e fazer aplicação na caderneta de poupança.  O rendimento da poupança é de 0,6% ao mês, com ínfima variação.  No final de abril este valor ficou acumulado em 2,42%.  A inflação no período, medida pelo IPCA, atingiu o patamar de 2,50%.  Portanto, quem fez o mais simples e popular investimento brasileiro saiu perdendo dinheiro nestes quatro meses que se passaram.  E não se fala mais no assunto, só um irresponsável vai querer discutir matemática elementar.

            Cabe sim, a quem dirige um blog, divulgar estes fatos, principalmente quando os órgãos de informação se omitem.  Não somos apenas cronistas e poetas, mas antes de tudo, responsáveis pela informação, tarefa e missão principal de quem escreve e forma opinião.

            Comece a pensar numa cadeira do senado, Dilma.  Sua reeleição vai ficar cada vez mais difícil.  Ainda mais depois desta novidade de contratar seis mil médicos cubanos para atuarem no interior do país. 
 
             Imagem: "A lição de anatomia do Dr.Tulp", Rembrandt, Museu Mauritshusuis, Haia, Holanda.
 
                                                                                              


sexta-feira, 3 de maio de 2013

"A Liberdade guiando o Povo"



  
            Talvez uma das mais famosas telas de todo o mundo, “A Liberdade guiando o Povo”, do romântico pintor francês Eugène Delacroix (1798-1863) seja um símbolo eterno do conhecimento coletivo.

            Pintada em 1830, com cores vivas, característica do artista que era conhecido por usar em média 25 cores na sua palheta, jamais perderá sua expressão de luta e glória.  Os dias atuais estão a clamar que a jovem deusa, forte e grande, tendo uma bandeira numa das mãos e um fuzil com baioneta em outra, seios desnudos e face destemida, conduza o povo que necessita se libertar da opressão e da tirania. Ricos e pobres marcham juntos.  Delacroix pintou a bandeira francesa sendo carregada na mão direita do grande símbolo.  Fosse hoje, a representação seria difícil, já que os poderosos ocuparam quase todos os tronos do planeta.

            Aos pés descalços, jazem cadáveres e agonizam feridos ensanguentados na luta, demonstração clara que não se consegue liberdade sem agonia.  O esfumaçado da tela não é o conhecido recurso técnico da pintura, mas os gases produzidos pela pólvora.

            Foi a realidade de uma época, e continua sendo de hoje, quando a tirania não educa seus jovens, não trata do seu povo, furta descaradamente os cofres das nações de uma Terra que vai sucumbindo, de uma Terra que vê seus valores maiores sendo destruídos.  De uma Terra que não suporta mais desmandos.

            Poucas.  São muito poucas terras deste Mundo que não necessitam “A Liberdade guiando o Povo” mostrada numa sala especial do Museu do Louvre, mas que na realidade deve estar presente nas ruas, praças e avenidas destes países tão insanos!    


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Plebiscito



 
           Tradicionalmente reconhecido como a forma mais democrática do poder ser exercido, está em discussão séria a votação popular de medidas tomadas pelo Supremo Tribunal Federal, quando declara ato julgado inconstitucional por seis dos seus membros.

            Os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes já se posicionaram frontalmente contra a medida legislativa, que é de autoria do deputado petista Nazareno Fontes (PI).  A medida legislativa, ainda em tramitação, é a PEC 33/11.  PEC significa “Proposta de Emenda à Constituição.”

            Sem dúvida alguma o plebiscito é a medida mais democrática a ser tomada contra qualquer autoridade, e não apenas ao Judiciário.  O Legislativo e Executivo deveriam ser rigorosamente fiscalizados pelo povo; eles existem para servir, e não para serem servidos.  Qualquer autoridade, seja pessoal ou coletiva, não pode tomar nenhuma medida que seja contrária ao interesse das gentes.  É a regra fundamental da democracia.  O plebiscito é a arma do povo.

            Ora, dois ministros já se posicionaram contra.  Na realidade, provavelmente todos eles têm o mesmo entendimento.  A causa, não mencionada pelos ministros Barbosa e Mendes é uma só.  Eles sabem da ignorância política do povo brasileiro, que pode tornar o Supremo completamente ineficaz e submisso.

            O deputado que apresentou a PEC não fala em medidas tomadas pelo Congresso Nacional, ou pelo executivo.  Portanto, é parcial.  Parcial e suspeita. Basta seguir com os programas populistas e um resultado de plebiscito pode não ser legítimo.

            Plebiscito sim!  Mas a ser votado para analisar toda e qualquer autoridade. 
 
Imagem:  "A Liberdade Conduzindo o Povo", Eugène Delacroix, Museu do Louvre. 

 
Publicado no Pravda de 29/04/2013  http://port.pravda.ru/news/cplp/29-04-2013/34551-plebiscito-0/

sexta-feira, 19 de abril de 2013

A maldição Lula


 

Louvado por muitos, Lula está sendo visto agora como verdadeira maldição para o país. 

            Sempre debochou das pessoas esclarecidas, afirmando que diploma não dá autoridade a ninguém.  De fato, não dá mesmo.  Da mesma forma, a ignorância, o preconceito e o despreparo devem estar longe dos políticos que dirigem uma nação.

            Quando assumiu a presidência, Lula encontrou um país recém-saído de processo inflacionário grave, resolvido pela equipe dos economistas matemáticos André Lara Resende e Pérsio Arida, que extirparam a inflação da economia brasileira, fato que já durava um século.  No final, tempos do governo Sarney, estava intolerável, atingindo patamares simplesmente ridículos.

            O pesadelo terminou, e o governo foi entregue ao líder petista.  Analfabeto, tratou de cercar-se de antigos membros ‘aceitáveis’ para o PT, como o Diretor do Banco Central, Henrique Meirelles, banqueiro de larga experiência e que também trabalhou no Plano Larida, assim denominado por conter os sobrenomes dos idealizadores, Lara e Arida.   Com Meirelles no Banco Central, a economia aguentou-se bem no primeiro governo petista.

            Os desmandos foram se acumulando.  Inflação não surge do dia para a noite, é insidiosa, vem devagar e sorrateira e afinal se instala.  É o que está acontecendo na fase Dilma.  Ela acaba de corromper o poder de compra do brasileiro em 23,1 % em São Paulo; 22,7 % no Rio de Janeiro; 22,5 % em Brasília e 32,6 % em Salvador, durante o ano que passou.  O salário mínimo teve alta de apenas 9%.  É a pior crise em 10 anos, tempo que dura o governo petista no Brasil. A informação vem da UOL, de 13/04/2013, assinada pelo jornalista Sílvio Guedes Crespo.

Um exemplo drástico é a Petrobras.  Petróleo sempre foi o melhor negócio do mundo.  Nas mãos dos incapazes, deu um prejuízo de 1,346 bilhão, no segundo semestre de 2012.

            Não consigo entender o silêncio de escritores diante de fatos como este. O homem de letras sempre esteve profundamente comprometido com a política, e não poderia ser de modo diferente, já que é um formador de opinião por excelência.
 
Imagem:  Inferno 2, Hieronymus Bosch,  Museu Hermitage, São Petersburgo.


sábado, 13 de abril de 2013

Esplendor



Desponta o sol no horizonte
E a vida sorri no instante,
Suplicando que alguém conte
A grandeza do levante.

O dia está luminoso
Trazendo para nossa alma
Um espírito esplendoroso
Que tudo conforta e acalma.

São mesmo certos momentos
Felizes e de grandeza                            
instantes de encantamentos.                            

Que venha a luz, venha o dia,
Que venha a doce pureza,
Enfim — a graça e harmonia!

Imagem:   "Girassóis", o/s/t. Vincent Van Gogh   

sábado, 6 de abril de 2013

Construção



       
            Talvez a mais importante obra de Chico Buarque, “Construção” é um belíssimo poema, capaz de fluir facilmente e com melodia na própria letra.
            Chico Buarque é um poeta de muitos recursos.  É bom que se recorde que na sua infância e juventude, tinha em casa, além da companhia do velho Buarque de Holanda, muitos amigos deste, todos intelectuais de primeira água.
            Seu parceiro de música e copo, Vinícius de Moraes, era um dos que estavam com frequência na casa do então menino Chico.  Ora, não é novidade para ninguém que Vinícius é um dos maiores poetas brasileiros.  Nesta época o talento do compositor já sofria influência de Noel Rosa; Chico jamais negou isto.  Parece mesmo que é um motivo de orgulho.
            Não tenho intenção de biografar o artista.  Prendo-me à música e principalmente a letra de “Construção”.  Ela está feita, toda, em versos dodecassílabos, e a última palavra de cada verso é sempre proparoxítona. Com acentuação perfeita, é cantada com extrema facilidade, mesmo com poucas rimas, quase inexistentes.  É exemplo nítido que a poesia pode soar sem rimas, mas só quando feita com grande conhecimento deste ramo da arte literária.  Sem esta exigência, os resultados são sempre drásticos.
            Passo a letra da obra famosa.  Contem as sílabas poéticas e comprovem que todos os versos são alexandrinos, sem ser um soneto, mas um longo e belo poema.

“Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão como um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado.”

            Está posta a questão.  Basta ouvir o autor, que se apresenta magnificamente bem.