quinta-feira, 20 de abril de 2017

Hoje

                                        

            Acredito que todos se lembram das Capitanias Hereditárias.
            Vamos reavivar memórias.  Elas foram instituídas por Portugal, e a finalidade era de ‘colonizar’ o Brasil. Dividiram aleatoriamente o país em latitudes e longitudes, colocaram nomes nas frações e designaram donatários, ou seja, chefes absolutos para as mesmas, quase sempre ricos aventureiros portugueses.
            O poder do donatário era grande.  Instituía impostos, distribuíram cartórios, terras menores e dirigentes.  Um misto de presidente, governador, prefeito e congresso.  Tudo podiam, desde que obedecessem as ordens da corte e enviassem parte do lucro auferido.
            Bem depois, veio para cá a família imperial portuguesa, fugida de Napoleão.  As Capitanias deram lugar ao poder imperial.  Como não pretendo dar aula de História do Brasil, deixo o resto com os leitores.  
            Como bem diz o povo, ‘o trem anda’, e depois do nosso maior governante, Pedro II, nunca mais tivemos um dirigente sério, em tempos de democracia.  Voltamos às Capitanias, e estamos nelas até hoje.  O donatário tudo pode, os vassalos obedecem, com a diferença de que o donatário maior hoje se chama presidente da República, e os menores, governadores de estado.  A continuar assim, o Brasil vai à garra.
            Todos hoje sabem que o ultrpassado regime presidencialista é apenas um governo de exceção, com tempo determinado.  As classes dominantes fizeram tudo para que no plebiscito, o regime presidencialista permanecesse.
            Ou muda o sistema, para parlamentarista, ou afunda cada vez mais nosso país.  Sabe-se que o presidencialismo é um regime ultrapassado e demasiadamente autoritário, o que não acontece com o parlamentarismo.  Os abusos levam de imediato voto de desconfiança.  Votado, os congressistas aprovam ou não a queda do Primeiro-Ministro, com o mínimo desgaste tanto político, como financeiro.

            Até quando vai durar esta estupidez, ninguém sabe.  Não interessa aos donatários das capitanias.                

sábado, 25 de março de 2017

Melhor não brincar

                               

            Estamos em tempo onde a brincadeira de desafiar o poder causa desastre.
            No alpendre de um lugar espaçoso, e fico por aqui, alpendre grande, madeira do telhado muito bem assentado, telhas coloniais  e pé direito bem alto, alguns homens de idade pouco mais do que jovem, conversavam mostrando uma dose de apreensão.
              E tem gente qualificada para isto?
              Claro!  Se não tivesse não estaríamos aqui perdendo tempo.
              O comando maior sabe disso? —  Foi a vez de um bem mais novo.
              Saber, sabe.  Mas muitos não acreditam.  O comandante da Brigada Paraquedista, por exemplo, sabe e pela sua cara, não desaprova.  Outros não acreditam que possa ser executado o plano, com sucesso.  Não sabem que tem gente muito grande por trás de tudo isso.
              Quem?
              Nada de nomes, por enquanto.  Mas a possibilidade de êxito é muito grande.  Como a de fracasso, caso alguém deixe que isso saia do círculo.
               Pode ser mais claro, comandante?
               Vou ser o mais objetivo possível.
            Há tempos certos dirigentes estavam crescendo muito para cima de altas autoridades civis.  Juízes, promotores, procuradores da República e agentes da Polícia Federal, quase exclusivamente delegados, eram vítimas de um ex-presidente irresponsável, alcoólatra e apresentando sinais de esquizofrenia paranóide,  mostrada pelos acessos de mania de grandeza.
            Seus seguidores mais próximos estavam contaminados pelo mesmo mal, o que tornava o fato bem grave.  Estavam armando uma revolução, e contra ela, todos ali sabiam, só a violência séria, determinada e fatal.  Os estragos causados pelo Estado Islâmico, que de estado não tem nada, são apenas facínoras fanáticos, mostra bem do que estamos falando.
              E a gente faz como manda o figurino?
               Exatamente igual.
               Perigos?
              Os de sempre.  Olhe bem, se não quiser participar, está com medo, pula fora!  Ainda é tempo.
            A afirmação do comandante, nitidamente aquele homem dava as ordens, fez o mais novo colocar mais água gelada no seu copo alto.  Sim, eles bebiam destilados, nessas ocasiões, mas em doses moderadas, bastante moderadas.  A reunião não era festiva, onde se pode perder o raciocínio exato por causa do álcool.  
              Mas não se vai repetir 64.
              Mas que 64, rapaz!  Não queremos o poder, fora desta ideia, o objetivo é não permitir que estes safados voltem a esculhambar o que já está para mais de arrebentado!
            Um grupo de patriotas.  Verdade que haveria sangue derramado, pelo menos de quatro homens.  Reação?  Nenhuma, salvo alguns eventuais modestos protestos de rua.  Mas sem nenhum mais conhecido.  O Serviço de Informações mata.  Não sabia?  Pois saiba.  Aqui e em qualquer lugar do mundo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Calor

                                 

            Tempo quente.
            Em torno de uma piscina, cujas bordas eram guarnecidas de proteção de bela cobertura de barro, telhas, que davam ao lugar beleza e intimidade, seis pessoas conversavam tranquilamente.
            — Mas este tempo está incrivelmente quente – comentário de uma senhora, pouco mais de cinquenta anos, talvez.
            Quente.  O tempo estava e costuma ser quente o ano inteiro.  Prejudica, ou melhor, arruína um país de baixa latitude, infelizmente Sul, onde o desenvolvimento e o progresso andam a passo curto.  Uma maldição ao nosso hemisfério talvez.  Como?  Não acredita em maldições?  É bom repensar isso.
            O dono da casa serviu outra dose dupla de uísque para ele e mais um amigo.  Os outros bebiam cerveja gelada, todos eles, inclusive as mulheres.
            Será mesmo procedente a afirmação de que nenhum país do hemisfério Sul jamais será desenvolvido?  A mesma latitude, mas Norte, não está condenada por estes estudiosos meio amalucados.  Dizem, afirmam e discutem que as civilizações adiantadas que por aqui existiram, no passado, viviam nas montanhas, onde o clima é sempre frio.  
            Tem valor, tudo isso?  A maioria diz que não, nada a questionar.  Gente mais cuidadosa afirma que sim, o frio ajuda o homem a trabalhar com mais ânimo e perfeição.  Talvez, muito possivelmente, estejam certos.  Pela inclinação do eixo da Terra, cerca de vinte e sete graus, nosso hemisfério é bem mais ensolarado, quente e úmido.  O trabalho humano torna-se mais difícil, enquanto que com nossos irmãos de Norte não enfrentam este problema. 
            Na verdade, não existem civilizações adiantadas no hemisfério Sul, nem mesmo a Nova Zelândia, considerada bastante desenvolvida.
            Condenação astral?  Tolice.  Se a condenação já é duvidosa – somos todos culpados, por atos e omissões cometidos contra o nosso planeta e nossos irmãos terrestres, fato que só os mais rigorosos religiosos fazem profissão de Fé.
            Enquanto isso, mulheres com corpos esculturais banhavam-se na grande piscina, sem preocupações que estavam atingindo o homem, o verdadeiro lobo da Terra.
            Haja entendimento!  Haja uísque!
            Ah!  Lembrei a tempo.  Alexandre Moraes está sendo votado para ser ou não o novo ministro do Supremo Tribunal Federal.  Boa sorte, doutor Alexandre.  Acaba de passar.  Parabéns, ministro!
            “O Brasil espera que cada um cumpra com o seu dever”, imortalizou a bordo da fragata “Amazonas” o comandante da frota brasileira na Batalha Naval do Riachuelo, o Barão de Tamandaré. Nada mais oportuno!    

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Armas

                                              Armas

            Vencedor absoluto no plebiscito das armas, povo contra o governo petista, com medo do povo armado, não submisso, pois, as suas vontades, tratou de regulamentar o assunto.
            A lei do desarmamento, contra a vontade popular, liquidou o assunto progresso de anos, para a construção de um Brasil grande. 
            O Foro de São Paulo, que visava o comunismo em toda a América Latina, exigia a medida defensiva.  Governos tirânicos detestam povo armado.
            Que fizeram?  Através do Estatuto das Armas, estabeleceram normas para a compra ou a manutenção de uma arma de fogo na residência de cada brasileiro, quase impossível de existir.  Certidões em cima de certidões são exigidas para a compra de uma simples espingarda de cartuchos.  Se for revólver, pistola ou carabina, a coisa fica mais tenebrosa. Até mesmo um armeiro experimentado vai precisar de certificado da polícia federal que comprove sua capacidade.
            A Polícia Federal, cansada de cumprir missões que não são dela, já não liga mais para o assunto.  Certo que deve haver um controle de armas no país, mas nunca uma tirania sobre renovações, com taxas caríssimas. O registro antigo, onde bastava a inscrição na Secretaria de Segurança, é eficaz e durou até o bolivarianismo implantado no país.
            O calibre das armas também é importante.  O famoso ‘tresoitão’ (há quem use a gíria mencionada com a letra z), calibre trinta e oito, limite para armas de mão, não se justifica. Deveria ser o magnum. 357, bem mais eficiente para revólveres, ou mesmo a quarenta e cinco, para pistolas.
            Não se justifica, na verdade, é a posse de armas de assalto, como rifles militares automáticos.  O civil, como o nome diz, não é soldado.  Que se mantenha a compra e posse da carabina trinta e oito, fabricada no Brasil e de eficiência comprovada.  
            No mais, qualquer cidadão que prove a necessidade de andar armado, sem muita burocracia, deveria ter seu porte de armas concedido.
            Não somos mais bolivarianos.  Não chegou a hora de revermos tudo isso?  A Constituição garante este direito. Se o marginal sabe que o cidadão vai reagir, ele desiste. Ele sempre é covarde.
            Com a palavra o senhor presidente da República.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Foram-se os líderes


                                           

            O mundo está atravessando um período difícil.  Foram-se os líderes.
            Com a posse em 20 de janeiro de Donald Trump, o horizonte toma cores ainda bastante indefinidas.  O homem parece mesmo “a bull in a China shop”, nem mais, nem menos.  Obama foi o último que resistiu as fraquezas do momento.  Restam Angela Merkel e Vladimir Putin, este um veterano em manter-se no poder.
            Piora o panorama quando vemos a ascensão da direita extremada por toda a Europa.  Marie Le Pen não parece nada indicada para o momento francês, como Trump não é para os Estados Unidos.  Um presidente protecionista, xenófobo, preconceituoso, não inspira confiança em ninguém.  Arrisco uma opinião: ele não chegará ao fim do seu mandato, por questões de política interna e externa.  Presidente americano que volta as costas a Wall Street está com os dias contados, segundo afirmam os melhores conhecedores de política norte-americana.
            Perdemos todos nós, especialmente agora que o país dá sinais de tênue recuperação econômica.  Fraca mesmo, mas parou de cair, o que é bastante positivo.  A situação brasileira melhora muito quando vemos investidores estrangeiros voltando a apostar no Brasil.
            É um assunto árido, mas que não posso deixar de fazer registro.