segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Que mundo é esse


                    

            Perece, a gente nunca tem certeza, que nós estamos constantemente nos indagando que mundo é este em que estamos vivendo.
            Até trinta anos atrás, é a média que todos fazem, casais de namorados, com a amada pela mão, passeavam por ruas das cidades sem nenhum temor. Traficantes restringiam-se nas entradas das ruas de acesso aos morros conhecidos por haver tóxico.
            Fuzis de guerra, como o AR 15 e o AK 47, respectivamente norte-americanos e russos, estavam em quartéis.  Hoje, andam como nossas antigas carabinas de pressão, capazes de matar um pardal, isola, é maldade, mas pirralhos são dados a experimentar a sua pontaria, aquelas armas andam na mão de menores, os famosos soldados do tráfico.  Pequenos, sem formação muscular e óssea definida e forte, sem formação cerebral, tornam-se gigantes com um fuzil semiautomático.
            É tudo de ruim?  Não, não é mesmo.  Cretinos dirigentes de povos resto do mundo também fazem o mesmo, mas com mísseis de longo alcance, que num futuro bem próximo poderão transportar artefatos nucleares poderosos.
            Ou seja, não parece, o mundo realmente virou de cabeça para baixo.  Tudo anda errado.  A corrupção campeia, em qualquer atividade, inclusive, e quem poderia imaginar, na esportiva de competição.
            As Olimpíadas do Rio de Janeiro serviram para os dirigentes moleques enriquecerem.  Tanto os da área esportiva, como os executivos que ficaram milionários com as obras exigidas pelo Comitê Olímpico Internacional. Foram vendidos ingressos sem controle, as obras superfaturadas, o erário dilapidado.
            A Copa de Futebol não foi diferente. Fraude em cima de fraude. Agrada ao autor estar escrevendo tudo isto, ao invés de estar louvando seu povo?  De jeito nenhum, não!  Envergonha!   
            Então porque escreve, perguntarão muitos?
            Para mostrar que falsos líderes, verdadeiros moleques ladrões, não é preciso citar nomes, todos conhecem, que devem ser extirpados da vida nacional.
            É assim.  Mudar, serem punidos, ou até mesmo castigados mais severamente pelo pobre povo brasileiro.   

              
            O agressivo e belo porta-aviões George Washington, da 4ª Frota Norte-Americana

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Somos todos ladrões

                       

            Contou-me um amigo muito chegado, que foi aluno de Fernando Henrique na Universidade de Paris, mais conhecida no mundo como Sorbonne, que quando os portugueses aqui chegaram endoideceram.  Estavam no Paraíso!
            Imaginem.  Meses nos conveses das caravelas, Sol impiedoso, bolachas mofadas, vinho de qualidade inferior, água quase podre, avistam terra! Sujos, mal cheirosos, ferram os grandes barcos e caem n’água como bando de meninos.  Grande grupo vai à terra.  Lá encontra frutos deliciosos, água que coloca em dúvida as melhores do mundo.  Sim, tinham alcançado o paraíso!
            Mas os donos, a que tudo assistem, nus, fortes, cheirosos e decididos, assistem ao desembarque pacificamente.  Índios, os donos da terra.  Não foram agressivos.  Nenhuma flecha foi atirada, nenhum arcabuz disparou.  Sabia Portugal que terra aqui existia, mas nunca imaginou sua riqueza.  Houve confraternização.  Índios e brancos festejaram, abraçaram-se, beberam e comeram juntos, e conseguiram entendimento sem nada falar um a língua do outro.  Os marinheiros ficaram literalmente tarados pelas mulheres.  Eram livres, cheirosas, tomavam banho todos os dias, banho de mar salgado e limpo, e após, antes do escurecer, no rio próximo, quando usavam ervas aromáticas no corpo e nos cabelos.
            Este povo, vendo estragada a comida dos que chegavam, ofereceram pratos com alimentos frescos, colhidos no dia ou no anterior, frutas colhidas no dia, risos, danças e alegria.  Sim, sim, era o paraíso!  Proibições não existiam, e tudo o que poderia ser feito, foi feito.  Sem pecado, sem crime, sem problemas de qualquer espécie.
            É pena!  Os índios ainda existem, mas em condições de explorados e furtados da sua terra.  São excluídos.  Os brancos, maioria absoluta, construíram favelas de concreto, exploram a terra sem o menor respeito à natureza, colocam agrotóxicos nas plantações, hormônios nas criações, tomam água poluída por eles mesmos, têm péssimo valor moral e social e são guiados por malévolas políticas que antes ninguém conhecia.
            Triste destino de um povo!


imagem: A Primeira Missa, o/s/t, Victor Meirelles,  Museu Nacional

também publicado na revista eisfluências, Lisboa, Portugal


  

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Capitanias Hereditárias

               

            Acredito que todos se lembram das Capitanias Hereditárias.
            Vamos reavivar memórias.  Elas foram instituídas por Portugal, e a finalidade era de ‘colonizar’ o Brasil. Dividiram aleatoriamente o país em latitude e longitudes, colocaram nomes nas frações e designaram donatários, ou seja, chefes absoluto para as mesmas, quase sempre ricos aventureiros portugueses.
            O poder do donatário era grande.  Instituía impostos, distribuíram cartórios, terras menores e dirigentes.  Um misto de presidente, governador, prefeito e congresso.  Tudo podiam, desde que obedecessem as ordens da corte e enviassem parte do lucro auferido.
            Bem depois, veio para cá a família imperial portuguesa, fugida de Napoleão.  As Capitanias deram lugar ao poder imperial.  Como não pretendo dar aula de História do Brasil, deixo o resto com os leitores.  
            Como bem diz o povo, ‘o trem anda’, e depois do nosso maior governante, Pedro II, nunca mais tivemos um dirigente sério, em tempos de democracia.  Voltamos às Capitanias, e estamos nelas até hoje.  O donatário tudo pode, os vassalos obedecem, com a diferença de que o donatário maior hoje se chama presidente da República, e os menores, governadores de estado.  A continuar assim, o Brasil vai à garra.
            Todos hoje sabem que o ultrassado regime presidencialista é apenas um governo de exceção, com tempo determinado.  As classes dominantes fizeram tudo para que no plebiscito, o regime presidencialista permanecesse. E conseguiram.
            Ou muda o sistema, para parlamentarista, ou afunda cada vez mais nosso país.  Sabe-se que o presidencialismo é um regime ultrapassado e demasiadamente autoritário, o que não acontece com o parlamentarismo.  Os abusos levam de imediato voto de desconfiança.  Votado, os congressistas aprovam ou não a queda do Primeiro-Ministro, com o mínimo desgaste tanto político, como financeiro.

            Até quando vai durar esta estupidez, ninguém sabe.  Não interessa aos donatários das capitanias; eles não cogitariam de fundo eleitoral de 3,6 bilhões.  Seriam tascados, como os balões que caem nas festas juninas.                

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Não me joguem terra

               

            Vou logo avisando aos que vão me levar para o último refúgio: não me joguem terra!
            Não tenho muito a reclamar desta passagem, ou melhor, algumas coisas tenho sim.  Na hora onde posso tomar meu tinto seco, com pão e azeite, sou obrigado a mudar para legumes, aveia, peito de frango grelhado e congêneres, comida típica de hospital que se preze.  Tudo por culpa da taxa de glicose, que vai variando de acordo com o que como ou bebo.  Então, segundo meu médico, tenho que moderar bastante para não me estropiar antes do tempo.
            Estropiar antes do tempo?  Já estou mais do que estropiado, como dizia meu pai, e o acadêmico José Cândido de Carvalho registrou numa crônica, “ser sexagenário não é graça para ninguém rir.”  Ou seja, a ideia está no sangue.
            Tenho vivido bem, felizmente, desde que me entendo.  Velejei no oceano, subi montanhas altas, senti o frio da mata acima de mil e quinhentos metros.  Algumas tive que escalar, como o Pico das Agulhas Negras, coisa não muito difícil, mas um tombo seria fatal.  A Pedra da Gávea está nesta lista, como a face de pedra do Morro do Cantagalo.  Já havia bandidos na época, mas eles não se atreviam a ir queimar um baseado por aquelas bandas, e aproveitar para deixar sem nada os montanhistas.  Não tive medo de gente, tive pânico do paredão de noventa graus, suava frio, entreguei a alma a quem de direito.  Então, surge um resto de coragem: já que vou é me danar mesmo,  sigo em frente.  Quando dou por mim, estou em lugar espaçoso e seguro!  Com a bermuda e a camisa empapadas de suor, coladas ao corpo.
            Na hora em que se retorna à calçada, a alegria de ter conseguido vencer aquele medo pavoroso e a escalada difícil, fico querendo relaxar.  Lembro bem.  Hidratei o corpo com três garrafas de cerveja gelada, copo atrás do outro.  Não fiquei eufórico, ou embriagado.  A sensação de vitória não permitia.
            A causa deste devaneio?  Nem me interessa!  Já vivi muito intensamente, é o que quero dizer.  Não venham me achincalhar numa hora tão séria, e quando estou indefeso.  Se me fizerem isto, juro que me vingo.  Vou ser cruel, insidioso.  Alma penada querendo desforra, dizem os entendidos, nem é bom pensar.
            Por isso, não me joguem terra, não fechem o caixão com os trincos nem passem cimento na laje.

terça-feira, 4 de julho de 2017

História de lareira

        

            Pois sim.  É história de lareira mesmo.
            Frio.  Um frio da gota serena, como dizem os nordestinos e o João Ubaldo.  Foi um problema, o “Sargento Getúlio”.  Começa assim, mas a edição era em inglês.  Como fazer a versão?  Ubaldo não tinha, e tem fama por conta das graças que dizia nas entrevistas. 
            — Quem iria traduzir isto?
            — Isto o quê?
            — Da gota serena.  Tem muito brasileiro que não sabe do que se trata.
            — E você meteu a cara.  Além de ter escrito o livro, fez a versão inglesa.
            — Inevitável, ou iria comprometer toda a obra.
Ubaldo estava tomando um Ballantine’s, beleza de cor amarela, transparente, pálida.  Gostava de beber destilados bons, o que provou em “Noites leblonianas”.  O frio não lhe permitia o chinelão dois andares, a camisa regata e a bermuda confortável.  Mas que não falassem em genebra.  Essa não!  Havia presenciado um morador do seu edifício sob os efeitos da coisa, estava torto, empenado, perdera o tênis de caminhada matinal, começara os trabalhos alcoólicos muito cedo, antes de flanar pelo calçadão.  Caiu duro, durinho, vomitou o táxi, mas conseguiu ser levado para casa.  O escritor estava saindo, testemunhou tudo.  Um médico, amigo dos dois, salvou a pátria.  O moribundo sarou, vomitou horrores, mas recuperou os sentidos.  Quis comemorar com mais genebra.
            — Nem pensar — disse de pronto o cura.  — Um chope duplo, vai lá, dois até pode.  Genebra, de jeito nenhum.
            Imaginem.  O camarada sai de um ataque pesado, causado pelo álcool, não pode tomar a bebida causadora.  Mas dois chopes duplos sim, ele pode!  Esta conversa foi entre o próprio autor de “Viva o povo brasileiro”, vencedor do Prêmio Camões, pela obra e não pelo livro agora mencionado.
            Dá para entender?  Dá sim!  Basta olhar a atual situação política brasileira. Vamos localizar-nos no tempo.  Estamos em 3 em julho de 2017.  Você entende o que está acontecendo? Não?  Nem eu, meu amigo, nem eu... 


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Não entendi

                   

            Experimentado em política, Fernando Henrique Cardoso aparece com uma solução nova para a crise política que estamos atravessando.  Sugere que Temer, num ato de civilidade, renuncie e coloque o mandato de presidente da República sob votação livre, antecipada.
            Absurdo que se o notável professor está fazendo por convicção própria, ou tentando ser o ‘salvador da pátria’, vai terminar por ser o traidor da Pátria.  Quando Ulysses Guimarães, presidindo a Câmara dos Deputados, deu como proclamada a Constituição de 1988, foi claro no seu discurso.  A Carta podia tudo, menos ser desobedecida.  Presidindo a Câmara de Deputados, afirmou que “trair a Constituição, é trair a Pátria.”
            Em todo o mundo, trair a Pátria é crime capital, punido com a morte.
            Ora, sabe FHC que nossa Carta diz ser o mandato presidencial de quatro anos.  Para ser menor, é necessário que a Constituição seja alterada, o que só é possível com maioria absoluta do Congresso.  Tal modificação não seria votada, mesmo em caráter emergencial, até os princípios de 2018, pleno ano eleitoral.  De que adiantaria esta suposta salvação , em nome da governabilidade?  Em nada, claro.
            O ato seria totalmente contra a Constituição e, portanto, contra a Pátria. A solução correta não vem de grandeza pessoal, que Temer, com meu máximo respeito, acredito não ter. Poderia renunciar sim, e cadeira ser votada no Congresso Nacional.  Só esta forma é constitucional, as outras seriam traições da pátria, segundo os maiores juristas do país, que seguem a doutrina de Ulysses.  É unanimidade, acredito.
            Nada de fisiologismos.  Ou teremos traição contra o torrão natal, um dos mais nojentos crimes conhecidos no Direito Penal e atos praticados contra o Direito Constitucional.
            É bom confessar: sou admirador, grande admirador de Fernando Henrique Cardoso, um estadista que já salvou nosso Brasil, com o seu Plano Real.  E como homem, uma figura séria, arguta e simpática.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Meu blog

                                     

            Ah, quando vejo meu blog!  Tudo começou uma simples brincadeira, que o tempo acabou de transformar em realidade.
            Sim, realidade, que desde que comecei fui confessando os meus pecados, procurando um sacerdote que diga “Ego perdono pecatus tuis. In nomine Patris, et Filli, et Espiritus Sancti, Amen”.
            Nem mesmo procurei saber se o latinório está correto.  Porque o blog é corrido, não se faz literatura dele, blog é blog, literatura é muito diferente.  Escritor sem sucesso, pelo menos no momento, alcancei um bom número de comentaristas, todos de primeira linha. Basta ser bloguista, ou blogueiro, como queiram, para atestar a veracidade.
            Quantos amigos comentam!  São todos muito bem-vindos, seja para malhar, seja para concordar.  O blog tem esta característica.  Aqui, fala quem quiser a sua verdade, se de acordo ou não com o texto colocado.
            O autor, fica livre para dizer o que bem entende.  Ofender não deve, mas chamar à atenção, deve.  Sou feliz quando me expresso.  O Facebook, por exemplo, é transitório. O que não ocorre aqui.  Escreveu, defenda sua ideia, pena de ser desacreditado para sempre.   O blog é salutar!  Você fica livre para dizer suas verdades, e os comentaristas para expressarem suas opiniões.
            Não sei quem inventou esta vertente literária.  Sei apenas que foi uma mentalidade lúcida.



Eu timoneando o veleiro Mercurius.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Procura difícil

                                        

            Era realmente uma procura difícil.  Muitos tentam.
            Sentado em frente ao mar aberto, tempo frio, a varanda da sua casa modesta, mas nada pobre em beleza pura, aquela que você encontra nas pessoas simples que sabem planejar sua casa, o homem pensava.  Havia trazido para fora, e colocado numa mesa da varanda, um arsenal que não faltava entre suas coisas.  Um laptop, seu celular, pois ter que sair dali, naquele entardecer avermelhado para atender a alguma chamada no telefone da casa seria sacrilégio.
            Estava sozinho, a mulher não demoraria a chegar, médica chamada às pressas para confirmar ou não um caso de provável pneumonia.  Nem sempre isto é possível sem exames complementares.
            Sem dizer uma palavra, levantou a gola da velha japona, companheira de muitas jornadas.  A outra, já gasta, estava no seu armário, junto da mochila, cordas, mosquetões e outros apetrechos de escaladas e montanhismo.  Não, não estamos diante de escalador famoso, montanhista de renome.  Gostava de grandes picos da serra dos Órgãos, conhecia todos e o das Agulhas Negras também.
            Então, qual o motivo da casa em frente ao mar-oceano, o que não tem fim, o grandioso que domina quase toda a Terra?  Não, nem ele mesmo sabia.  Ninguém sabe, com toda certeza.  Talvez a visão de que nunca acaba, o horizonte encontra-se com o céu, possa ajudar a explicação.
            Tinha idade suficiente para procurar a destinação da sua vida, esta curiosidade que afeta todos nós.  Você abre os olhos e vê o que cerca, presta atenção ao tempo e escuta o barulho da existência, o farfalhar das folhas, o quebrar das ondas.  É presente, aqui e agora, e sonho, do qual a Vida nunca foi apartada.  Vivia por qual motivo?  O primeiro, evidente, é que era fruto de um parto.  O texto, parece, continua sendo mistério.  O canto dos pássaros, a beleza das matas, o mistério dos mares, enfim, o encantamento de tudo.
            O amor.  Este é o mais profundo e sentido mistério que nos cerca.  Para ele não possui o homem definição exata.  Sente-se, é tudo.
            E a gente, boa quantidade  incrédula, infantil e desnecessária, continua procurando, procurando...

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Hoje

                                        

            Acredito que todos se lembram das Capitanias Hereditárias.
            Vamos reavivar memórias.  Elas foram instituídas por Portugal, e a finalidade era de ‘colonizar’ o Brasil. Dividiram aleatoriamente o país em latitudes e longitudes, colocaram nomes nas frações e designaram donatários, ou seja, chefes absolutos para as mesmas, quase sempre ricos aventureiros portugueses.
            O poder do donatário era grande.  Instituía impostos, distribuíram cartórios, terras menores e dirigentes.  Um misto de presidente, governador, prefeito e congresso.  Tudo podiam, desde que obedecessem as ordens da corte e enviassem parte do lucro auferido.
            Bem depois, veio para cá a família imperial portuguesa, fugida de Napoleão.  As Capitanias deram lugar ao poder imperial.  Como não pretendo dar aula de História do Brasil, deixo o resto com os leitores.  
            Como bem diz o povo, ‘o trem anda’, e depois do nosso maior governante, Pedro II, nunca mais tivemos um dirigente sério, em tempos de democracia.  Voltamos às Capitanias, e estamos nelas até hoje.  O donatário tudo pode, os vassalos obedecem, com a diferença de que o donatário maior hoje se chama presidente da República, e os menores, governadores de estado.  A continuar assim, o Brasil vai à garra.
            Todos hoje sabem que o ultrpassado regime presidencialista é apenas um governo de exceção, com tempo determinado.  As classes dominantes fizeram tudo para que no plebiscito, o regime presidencialista permanecesse.
            Ou muda o sistema, para parlamentarista, ou afunda cada vez mais nosso país.  Sabe-se que o presidencialismo é um regime ultrapassado e demasiadamente autoritário, o que não acontece com o parlamentarismo.  Os abusos levam de imediato voto de desconfiança.  Votado, os congressistas aprovam ou não a queda do Primeiro-Ministro, com o mínimo desgaste tanto político, como financeiro.

            Até quando vai durar esta estupidez, ninguém sabe.  Não interessa aos donatários das capitanias.                

sábado, 25 de março de 2017

Melhor não brincar

                               

            Estamos em tempo onde a brincadeira de desafiar o poder causa desastre.
            No alpendre de um lugar espaçoso, e fico por aqui, alpendre grande, madeira do telhado muito bem assentado, telhas coloniais  e pé direito bem alto, alguns homens de idade pouco mais do que jovem, conversavam mostrando uma dose de apreensão.
              E tem gente qualificada para isto?
              Claro!  Se não tivesse não estaríamos aqui perdendo tempo.
              O comando maior sabe disso? —  Foi a vez de um bem mais novo.
              Saber, sabe.  Mas muitos não acreditam.  O comandante da Brigada Paraquedista, por exemplo, sabe e pela sua cara, não desaprova.  Outros não acreditam que possa ser executado o plano, com sucesso.  Não sabem que tem gente muito grande por trás de tudo isso.
              Quem?
              Nada de nomes, por enquanto.  Mas a possibilidade de êxito é muito grande.  Como a de fracasso, caso alguém deixe que isso saia do círculo.
               Pode ser mais claro, comandante?
               Vou ser o mais objetivo possível.
            Há tempos certos dirigentes estavam crescendo muito para cima de altas autoridades civis.  Juízes, promotores, procuradores da República e agentes da Polícia Federal, quase exclusivamente delegados, eram vítimas de um ex-presidente irresponsável, alcoólatra e apresentando sinais de esquizofrenia paranóide,  mostrada pelos acessos de mania de grandeza.
            Seus seguidores mais próximos estavam contaminados pelo mesmo mal, o que tornava o fato bem grave.  Estavam armando uma revolução, e contra ela, todos ali sabiam, só a violência séria, determinada e fatal.  Os estragos causados pelo Estado Islâmico, que de estado não tem nada, são apenas facínoras fanáticos, mostra bem do que estamos falando.
              E a gente faz como manda o figurino?
               Exatamente igual.
               Perigos?
              Os de sempre.  Olhe bem, se não quiser participar, está com medo, pula fora!  Ainda é tempo.
            A afirmação do comandante, nitidamente aquele homem dava as ordens, fez o mais novo colocar mais água gelada no seu copo alto.  Sim, eles bebiam destilados, nessas ocasiões, mas em doses moderadas, bastante moderadas.  A reunião não era festiva, onde se pode perder o raciocínio exato por causa do álcool.  
              Mas não se vai repetir 64.
              Mas que 64, rapaz!  Não queremos o poder, fora desta ideia, o objetivo é não permitir que estes safados voltem a esculhambar o que já está para mais de arrebentado!
            Um grupo de patriotas.  Verdade que haveria sangue derramado, pelo menos de quatro homens.  Reação?  Nenhuma, salvo alguns eventuais modestos protestos de rua.  Mas sem nenhum mais conhecido.  O Serviço de Informações mata.  Não sabia?  Pois saiba.  Aqui e em qualquer lugar do mundo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Calor

                                 

            Tempo quente.
            Em torno de uma piscina, cujas bordas eram guarnecidas de proteção de bela cobertura de barro, telhas, que davam ao lugar beleza e intimidade, seis pessoas conversavam tranquilamente.
            — Mas este tempo está incrivelmente quente – comentário de uma senhora, pouco mais de cinquenta anos, talvez.
            Quente.  O tempo estava e costuma ser quente o ano inteiro.  Prejudica, ou melhor, arruína um país de baixa latitude, infelizmente Sul, onde o desenvolvimento e o progresso andam a passo curto.  Uma maldição ao nosso hemisfério talvez.  Como?  Não acredita em maldições?  É bom repensar isso.
            O dono da casa serviu outra dose dupla de uísque para ele e mais um amigo.  Os outros bebiam cerveja gelada, todos eles, inclusive as mulheres.
            Será mesmo procedente a afirmação de que nenhum país do hemisfério Sul jamais será desenvolvido?  A mesma latitude, mas Norte, não está condenada por estes estudiosos meio amalucados.  Dizem, afirmam e discutem que as civilizações adiantadas que por aqui existiram, no passado, viviam nas montanhas, onde o clima é sempre frio.  
            Tem valor, tudo isso?  A maioria diz que não, nada a questionar.  Gente mais cuidadosa afirma que sim, o frio ajuda o homem a trabalhar com mais ânimo e perfeição.  Talvez, muito possivelmente, estejam certos.  Pela inclinação do eixo da Terra, cerca de vinte e sete graus, nosso hemisfério é bem mais ensolarado, quente e úmido.  O trabalho humano torna-se mais difícil, enquanto que com nossos irmãos de Norte não enfrentam este problema. 
            Na verdade, não existem civilizações adiantadas no hemisfério Sul, nem mesmo a Nova Zelândia, considerada bastante desenvolvida.
            Condenação astral?  Tolice.  Se a condenação já é duvidosa – somos todos culpados, por atos e omissões cometidos contra o nosso planeta e nossos irmãos terrestres, fato que só os mais rigorosos religiosos fazem profissão de Fé.
            Enquanto isso, mulheres com corpos esculturais banhavam-se na grande piscina, sem preocupações que estavam atingindo o homem, o verdadeiro lobo da Terra.
            Haja entendimento!  Haja uísque!
            Ah!  Lembrei a tempo.  Alexandre Moraes está sendo votado para ser ou não o novo ministro do Supremo Tribunal Federal.  Boa sorte, doutor Alexandre.  Acaba de passar.  Parabéns, ministro!
            “O Brasil espera que cada um cumpra com o seu dever”, imortalizou a bordo da fragata “Amazonas” o comandante da frota brasileira na Batalha Naval do Riachuelo, o Barão de Tamandaré. Nada mais oportuno!    

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Armas

                                              Armas

            Vencedor absoluto no plebiscito das armas, povo contra o governo petista, com medo do povo armado, não submisso, pois, as suas vontades, tratou de regulamentar o assunto.
            A lei do desarmamento, contra a vontade popular, liquidou o assunto progresso de anos, para a construção de um Brasil grande. 
            O Foro de São Paulo, que visava o comunismo em toda a América Latina, exigia a medida defensiva.  Governos tirânicos detestam povo armado.
            Que fizeram?  Através do Estatuto das Armas, estabeleceram normas para a compra ou a manutenção de uma arma de fogo na residência de cada brasileiro, quase impossível de existir.  Certidões em cima de certidões são exigidas para a compra de uma simples espingarda de cartuchos.  Se for revólver, pistola ou carabina, a coisa fica mais tenebrosa. Até mesmo um armeiro experimentado vai precisar de certificado da polícia federal que comprove sua capacidade.
            A Polícia Federal, cansada de cumprir missões que não são dela, já não liga mais para o assunto.  Certo que deve haver um controle de armas no país, mas nunca uma tirania sobre renovações, com taxas caríssimas. O registro antigo, onde bastava a inscrição na Secretaria de Segurança, é eficaz e durou até o bolivarianismo implantado no país.
            O calibre das armas também é importante.  O famoso ‘tresoitão’ (há quem use a gíria mencionada com a letra z), calibre trinta e oito, limite para armas de mão, não se justifica. Deveria ser o magnum. 357, bem mais eficiente para revólveres, ou mesmo a quarenta e cinco, para pistolas.
            Não se justifica, na verdade, é a posse de armas de assalto, como rifles militares automáticos.  O civil, como o nome diz, não é soldado.  Que se mantenha a compra e posse da carabina trinta e oito, fabricada no Brasil e de eficiência comprovada.  
            No mais, qualquer cidadão que prove a necessidade de andar armado, sem muita burocracia, deveria ter seu porte de armas concedido.
            Não somos mais bolivarianos.  Não chegou a hora de revermos tudo isso?  A Constituição garante este direito. Se o marginal sabe que o cidadão vai reagir, ele desiste. Ele sempre é covarde.
            Com a palavra o senhor presidente da República.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Foram-se os líderes


                                           

            O mundo está atravessando um período difícil.  Foram-se os líderes.
            Com a posse em 20 de janeiro de Donald Trump, o horizonte toma cores ainda bastante indefinidas.  O homem parece mesmo “a bull in a China shop”, nem mais, nem menos.  Obama foi o último que resistiu as fraquezas do momento.  Restam Angela Merkel e Vladimir Putin, este um veterano em manter-se no poder.
            Piora o panorama quando vemos a ascensão da direita extremada por toda a Europa.  Marie Le Pen não parece nada indicada para o momento francês, como Trump não é para os Estados Unidos.  Um presidente protecionista, xenófobo, preconceituoso, não inspira confiança em ninguém.  Arrisco uma opinião: ele não chegará ao fim do seu mandato, por questões de política interna e externa.  Presidente americano que volta as costas a Wall Street está com os dias contados, segundo afirmam os melhores conhecedores de política norte-americana.
            Perdemos todos nós, especialmente agora que o país dá sinais de tênue recuperação econômica.  Fraca mesmo, mas parou de cair, o que é bastante positivo.  A situação brasileira melhora muito quando vemos investidores estrangeiros voltando a apostar no Brasil.
            É um assunto árido, mas que não posso deixar de fazer registro.