segunda-feira, 15 de maio de 2017

Procura difícil

                                        

            Era realmente uma procura difícil.  Muitos tentam.
            Sentado em frente ao mar aberto, tempo frio, a varanda da sua casa modesta, mas nada pobre em beleza pura, aquela que você encontra nas pessoas simples que sabem planejar sua casa, o homem pensava.  Havia trazido para fora, e colocado numa mesa da varanda, um arsenal que não faltava entre suas coisas.  Um laptop, seu celular, pois ter que sair dali, naquele entardecer avermelhado para atender a alguma chamada no telefone da casa seria sacrilégio.
            Estava sozinho, a mulher não demoraria a chegar, médica chamada às pressas para confirmar ou não um caso de provável pneumonia.  Nem sempre isto é possível sem exames complementares.
            Sem dizer uma palavra, levantou a gola da velha japona, companheira de muitas jornadas.  A outra, já gasta, estava no seu armário, junto da mochila, cordas, mosquetões e outros apetrechos de escaladas e montanhismo.  Não, não estamos diante de escalador famoso, montanhista de renome.  Gostava de grandes picos da serra dos Órgãos, conhecia todos e o das Agulhas Negras também.
            Então, qual o motivo da casa em frente ao mar-oceano, o que não tem fim, o grandioso que domina quase toda a Terra?  Não, nem ele mesmo sabia.  Ninguém sabe, com toda certeza.  Talvez a visão de que nunca acaba, o horizonte encontra-se com o céu, possa ajudar a explicação.
            Tinha idade suficiente para procurar a destinação da sua vida, esta curiosidade que afeta todos nós.  Você abre os olhos e vê o que cerca, presta atenção ao tempo e escuta o barulho da existência, o farfalhar das folhas, o quebrar das ondas.  É presente, aqui e agora, e sonho, do qual a Vida nunca foi apartada.  Vivia por qual motivo?  O primeiro, evidente, é que era fruto de um parto.  O texto, parece, continua sendo mistério.  O canto dos pássaros, a beleza das matas, o mistério dos mares, enfim, o encantamento de tudo.
            O amor.  Este é o mais profundo e sentido mistério que nos cerca.  Para ele não possui o homem definição exata.  Sente-se, é tudo.
            E a gente, boa quantidade  incrédula, infantil e desnecessária, continua procurando, procurando...