sexta-feira, 1 de julho de 2016

O cinzento brasileiro

                          

            A cor cinza, embora não pareça, é difícil de usar e lidar.
            Não me refiro a simples mistura do preto com o branco, mas tento avaliar com alguma segurança o que estamos passando.  Nós e o resto do mundo.  O cinzento, o indefinido, parece ter tomado conta de tudo e de todos.
            Políticos corruptos e venais.  Grande parte deles, gente mesmo.  Grandes empresários vivendo como se bandidos fossem.  Luta covarde e desleal pelo poder, fato idiota.  Acaba de provar isso o Primeiro-Ministro inglês Cameron. Declaradamente a favor da permanência da UK na Comunidade Europeia, uma vez vencido renunciou ao cargo no ato.  Não está preso ao poder ou ao mando.  No Brasil, o fato não acontece, salvo os que já renunciaram a cargos públicos para não perderem o mandato, quando isso ainda era possível.
            Ficou implantado aqui, pelo menos momentaneamente, o “nós e eles”, política típica de regime atrasado, falido e sem valor algum.  Um povo não pode viver separado, com raiva um dos outros, sob pena de perder sua identidade. O que pode e deve existir, claro, são ideias republicanas que divirjam entre o conservador e o liberal.  Isso sempre existiu, e deve manter-se vivo para o bem das instituições.
            Política não se improvisa, nem muda de regras durante um regime determinado.  Repete-se: enquanto Cameron renunciou ao cargo de Primeiro-Ministro da Inglaterra, posto que poucos mortais ocuparam, aqui, deputado ou senador, ou mesmo presidente da República, o que é o mais grave, teimam em manter seus cargos sem nenhuma razão.  Usam todo e qualquer tipo de fraude, ou apelam para o Judiciário Superior, para continuarem iludindo o povo. Dizem que foi golpe situação indefensável politicamente.  Não têm, como afirmou nosso historiador Capistrano de Abreu, “vergonha na cara”.
            O povo paga e sofre uma inflação sem controle, ainda que não alarmante.  Mas o desemprego castiga.  Convém notar que ele não atinge uma só pessoa.  Temos treze milhões de desempregados, atualmente.  Ora, grande maioria tem dependentes, ou seja, o problema atinge a muitos.
            Tudo culpa do governo presidencialista, política retrógrada, que nos levará definitivamente ao caos total.  Presidente da República é ditador com mandato certo.  Esta figura acabou no mundo todo.  Existe nos Estados Unidos, é verdade, mas naquele país as eleições são diferentes, passam por etapas, e o Congresso sempre dita a norma final.
            Ou seja: quanto mais protelarmos este sistema ultrapassado de governo, estaremos marcando passo no desenvolvimento político e social.

            Parlamentarismo.  Chega de ditadores!     

11 comentários:

Rita Lavoyer disse...

Então, Jorge! é uma situação bastante difícil de ser corrigida. Até que sua visão atinja a maioria dos brasileiros para levantarmos a voz, as mangas, os braços e tentarmos mudar esse caos político , de política retrógrada que é conveniente ao sistema onde os políticos ditadores querem estar, vai anos de banco escolar para fazermos entenderem nossos adolescentes que precisam aprender isso. Mas vamos, sem desistirmos da nossa causa maior: ver o país livre desses nocivos a todos nós.

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Cinzento é eufemismo. A coisa está é preta mesmo!

Anderson Fabiano disse...

O cinza é como voto de abstenção: nem é preto, nem é branco. É uma coluna do meio. E vc conhece alguma coisa mais "coluna do meio" que tapinha nas costas?
Enquanto o brasileiro não "descobrir" que somos nós, os cidadãos, que damos empregos para essa malta e que somos nós, os contribuintes, que pagamos os salários desses oportunistas de plantão, vamos continuar nesse bizarro cenário de "tons de cinza".

Abração, parceirinho,
Anderson Fabiano

Celso Felício Panza disse...

Jorginho, estou com a "quitanda política" fechada. Cansei. Abraço. Celso

Carmem Velloso disse...

Jorge, não tenho como acrescentar nada ao que você escreveu. Apenas sinto a realidade nos ossos. A situação não é boa, todos sabem. O exemplo do Primeiro-Ministro inglês é capaz de alterar pouco as cabeças dos nossos parlamentares.
Uma coisa posso assegurar: seu texto convence!
Carmem

Mardilê Friedrich Fabre disse...

É, eu diria que a nossa situação é um cinza escuro. Sinto na carne, medidas que atingem apenas os trabalhadores e os que ganham pouco.Abrs

Célia Rangel disse...

E, o duro é que sequer são "50 Tons de Cinza"...
Abraço.

Tais Luso disse...

Olá, Jorge, se for cinza está certo, é cor de sujeira, de imundice. A cor mais feia do mundo! Não é nada e nem deixa de ser coisa alguma. Sei que é difícil de entender as nuances das cores. Mas fácil de entender esse governo presidencialista, esses políticos agarrados no osso. Que coisa mais horrorosa. Que baixaria o que estamos vendo. Salvam-se poucos. Porém, Jorge não são só políticos, não. A corrupção está além, inclusive na saúde, veja o Fantástico amanhã: fiquei horrorizada, veja o que fazem com pacientes para mantê-los mais tempo na UTI e outras coisas... O negócio é dinheiro. O Brasil é um país em que não se acredita. Mas eu confio nesse país... zero por cento!!
E Parlamentarismo, sim.
Abraços!

Raquel Ordones disse...

passando para deixar o meu registro!!! volto para ler-te!!! abraço

marcia disse...

Jorge,não há o que acrescentar em tudo que disse a não ser o tom do cenário que está um breu.

Abelardo Luz disse...

Bom post, afinal, "para que serve alguém que não ajuda ninguém?"