segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A moça do parque

Moça













Inventam muitas histórias engraçadas neste mundo.
Talvez algumas sejam verdadeiras, talvez não, nunca se sabe onde mora a verdade, aquela que todos procuram e poucos encontram.
O fato é que numa cidade grande, e aqui não se diz qual, havia um parque de árvores frondosas, brisa fresca, lago e um pequeno bosque.
As mães levavam a criançada para brincar e tomar Sol. Casais de namorados sentavam-se nos bancos e trocavam confidências e carinhos. Mas o bosque não era muito frequentado. Estava quase sempre deserto.
Segundo dizem, uma bela moça abriu um romance, sentada num banco perto do bosque e ficou absorta na leitura agradável.
Um rapaz de excelente aparência, muito bonito mesmo, sentou-se num banco próximo e ficou olhando. A moça percebeu de imediato, e reparou na beleza do espectador desconhecido. Este, calmamente, fez um gesto e se encaminhou até a leitora.
Sendo moça de cidade grande, naturalmente que permitiu que o jovem sentasse ao seu lado, e logo estavam conversando. O livro foi para dentro da bolsa grande.
Não se sabe o que falaram antes. Sabe-se que a moça estava encantada com o seu admirador.
- Vamos dar um passeio neste bosque, Regina?
- Prefiro ficar aqui.
- Conhece o bosque?
- Já fui uma vez. Tem árvores muito altas, é um lugar bonito.
- Ora, eu não conheço. Você poderia guiar um pequeno passeio.
- Não, Sérgio. Afinal eu não o conheço direito. Vamos ficar aqui.
Sentiu seu braço ser agarrado com força. Tentou resistir mas viu que era impossível, e o rapaz mostrou algo que estava debaixo da sua camisa. Parecia uma arma.
- Vamos, ou pode acontecer coisa grave.
Não tendo alternativa, pois não queria levar um tiro e ao invés de morrer ficar tetraplégica como uma conhecida, obedeceu. Qualquer que passasse diria que eram namorados.
Já bastante próximo do centro do bosque, o rapaz jogou-a por terra e ali mesmo consumou o ato que pretendia. Por incrível que possa parecer, não machucou Regina, que só não atingiu o prazer pelo susto e pelo medo. Sofrera uma violência, mas não foi machucada, nem agredida.
Sérgio, se é que era este mesmo o nome dele, desapareceu.
A jovem Regina recompôs suas vestes. Chegando em casa, contou o fato só para a mãe, que achou melhor não colocar polícia no meio. A filha iria sofrer as consequências.
Regina contou o ocorrido a Telma e Cristina, suas amigas de longos anos.
- Era mesmo bonito, Regina? – indagava Telma, a mais atirada.
- Era lindo! Cheiroso e gentil. Pediu desculpas, antes de ir embora.
- E não machucou você?
- Não fez nada mais do que queria fazer. Parecia um príncipe encantado.
O diálogo continuou por muito tempo. Mas aconteceu um fato estranho no parque.
Sempre tem uma moça sentada no lugar onde Regina estava. E como ela, lendo um livro...

3 comentários:

Pedro Jorge disse...

Muito bom conto, Jorge. A fertilidade da sua imaginação impressiona. Transformou um vilão em herói, parece conto de fadas.
Abraços, escritor.

Caio Martins disse...

O "poder do desconhecido" e o "mistério do estranho" em poucas palavras... Não há que buscar banalidades ante o relato. Aconteceu, ficou um fantasma perdido no parque. E haja espaço e tempo para vazar todas as conjeturas. Instigante.

Vanessa Rodrigues disse...

Belo conto, pudera se os estupradores, não tivessem como regra essencial para excitar-se o medo e a dor da vítima, e se todos fossem gentis e delicados como o autor, certamente haveria fila naquele banco... rs
Beijos, meu lindo, inda to aqui como seguidora, viu???
Já a outra seguidora é de mérito seu, pois eu não a conheço.