terça-feira, 18 de maio de 2010

Altar

Altar

















Numa ilha perdida no meio do oceano, habitava um povo muito desenvolvido, social e economicamente.
Viviam dentro se intensa paz. Muitos cobiçavam morar em local como aquele. Poderiam os naturais perder a tranquililade, caso estrangeiros que lá chegassem destruíssem sua cultura.
Eram filósofos os grandes sacerdotes da ilha. Os que lá chegavam, eram obrigados a responder uma pergunta. Errando, partiam para o sacrifício no Altar da Verdade, quando apenas erravam a resposta, ou no Altar da Falsidade, quando tentavam iludir os sábios.
Certa vez apareceu na praia, numa balsa, um estrangeiro forte e saudável, logo feito prisioneiro.
Levado ao Grande Sacerdote, foi-lhe explicada a lei. Ouviu com atenção. A pergunta foi feita. Difícil, o homem tinha aspecto de estudioso.
- Faça uma afirmação. Se for verdadeira, morrerás no Altar da Verdade; falsa, no Altar da Falsidade.
Sem muito pensar, o estrangeiro afirmou “serei sacrificado no Altar da Falsidade”, o que causou logo um tumulto entre os sábios. Não houve execução e o estrangeiro foi aclamado como um verdadeiro e grande sábio.
Caso ele fosse sacrificado no Altar da Falsidade, teria feito uma afirmação verdadeira, logo o sacrifício seria no Altar da Verdade e neste ele não poderia ser imolado, pois de disse que seria sacrificado no Altar da Falsidade, jamais poderia ser no Altar da Verdade.
Faz parte de a tradição esta passagem ser muito conhecida entre os que estudam lógica filosófica.
Os maus políticos, maioria, fazem muito uso dela, por serem grandes sábios da malandragem.

8 comentários:

Caio Martins. disse...

Jorge, faz parte não só dos maus políticos, mas, de todos que se julgam acima dos meros todos mortais. Essa lógica cafetina esquece que a grande malandragem é ser humilde e honesto. Belo texto, como sempre! Abração.

Livinha disse...

Lógica de fato é uma questão de raciocínio, do saber pensar, no equilíbrio da razão.
Quanto a lógica política, eles atentam para os mais ignorantes da sociedade, no que tange tbém ser a maioria que sequer pensam, se condicionam a aceitação de um poderio infame que os proprios desconhece ludibriados pelas falsas juras políticas. Portanto a lógica é sabedoria, que é patrimônio da sensatez, o que eles não são. O que pra mim, num e n'outro na falsa verdade, o altar da sentença, são eles mesmo que constrói e se auto condenam. Faz parte.

Perfeito texto Jorge
Mto bom

Bjs
Livinha

Vanessa Souza Moraes disse...

Bela história :)

Chica disse...

Ospolóticos são pós-doutorados em falsidades e falta de verdades!abração e vi teu perfil: vinho, velejar, escrever, ler, só copisas boas,heim???rsrs abraços,chica

Blogat disse...

Vim,vi,gostei e fiquei.Voltarei.

Barbara disse...

Vou passar adiante - e faço minhas as palavras do Caio.
Não que eu seja humilde 24 horas/dia, porque o cotidiano é uma armadilha.

cristinasiqueira disse...

É isso,e acontece quando a filosofia dá show .Penso na utopia de filosofia no ensino fundamental,e como já intentei um dia,poesia nas ruas para facilitar uma transformação social.
O convido a dar uma passadinha
www.tatuicidadeternura.blogspot.com
Enfim apareça,mestre.

Com carinho,

Cris

SILVIA disse...

Disse anteriormente e repito aqui, que em momentos cruciais a inteligência deve sobrepor-se às paixões, aos medos e às angústias. A razão, quando aliada à sabedoria, supera todos os ataques, impondo-se sobranceira. Como no caso do estrangeiro forte e saudável, a priori, condenado ao sacrifício pelo "poder" aparentemente fatal (se fugir o bicho pega, se ficar o bicho come). Quando nos permitimos dominar, sucumbimos. O estrangeiro reagiu às evidências e às mesmices, até então estabelecidas. Com isso, manteve a própria vida... e mais... ganhou prestígio social! Pessoas frágeis de espírito são caças fáceis aos maus políticos, aqui referenciados, tornando-se "bonecos", como aquele "João Bobo", que se deixa jogar prá lá e prá cá, indefinidamente, esquecendo-se de que o cérebro é para ser usado e não guardado na caixa craniana. O problema é a "famosa preguiça" de pensar. Ao meu olhar, os filósofos da ilha chegaram ao extremo, no afã de provocar o pensamento humano, no qual se pautam.