segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Vela

Virada













Não morri nem quero virar náufrago.
Quem tem mais dos sessenta só pode mesmo é ir até Fernando de Noronha.
Foi o que fez o Lorentz, comandante do Saga, o melhor e mais famoso veleiro de corridas brasileiro. Fez sessenta, vendeu o Saga. E ganhou a Admiral Cup, na Inglaterra, que equivale à copa do mundo da vela.
Guguta é marinheiro excelente, era tripulante do Wa-Wa-Too, na época o segundo mais veloz do Brasil. Já velejamos muito, e a única virada que tomei foi no sharpie dos escoteiros. Perto do Morcego, bateu um vento doido e chuva de granizo.
Tempo bom! Imagina que depois da virada, todo mundo empurrou o barco até uma nesga de areia. Não me lembro se Jacaré estava nessa. Tiramos a água e viemos para o Iate Clube.
Quem eu tenho certeza de estar era o Miguel Ângelo, aquele que tinha uns vinte nomes, morava no edifício de Guy, Lia e Yara.
Obrigado! Fez com que eu tivesse catorze anos novamente, lembrando destes fatos distantes, que o tempo não me permite mais fazer. Empurrar um barco naufragado, na marra, parece causo, mas se você encontrar Guguta, pergunte a ele. Aproveita e manda um abraço para o malandro.
Tanta coisa...

11 comentários:

Aline Patrícia disse...

Aventuras em alto mar nunca me interessaram, acredita? Talvez por nunca ter aprendido a nadar, guardo certo receio de me aventurar por uma imensidão de águas. Bom conhecer esse teu lado aventureiro, Jorge. Não acho que a idade traga privações, mas mudança de foco, aventuras existirão sempre na vida, mas serão de natureza distinta em cada fase, assim como nossos interesses mudam ao gosto das marés. Ótimo relato, certas lembranças sempre nos ficam, e elas têm um gosto inconfundível de vida vivida! Se algum dia eu deixar esse sedentarismo de lado e partir numa atividade marítima qualquer, terás culpa!

"A vida é toda ela memória, exceto por um momento presente indo embora tão rápido que você mal percebe ele ir..." (Tenessee Williams, Dramaturgo americano)


Beijo :)
Pati*

Rita Lavoyer disse...

Eu não sei do Guguta. Mas sei do Jorge, que é cara bom pra escrever lembranças.
Coisas boas ficam, as más que não conseguimos despachar da memória, acabam virando 'causos'.
Os amigos viram personagens principais de histórias que tempo nenhum apaga.
Os amigos dos amigos viram leitores do protagonista que virou escritor.
Mais esse Jorge dá texto pra mais de metro...

Só conta histórias quem vive, não é mesmo?

lino disse...

Bela história, seu Jorge.
Abraço

Aline Capistrano disse...

Voltar no tempo é bom demais
saudades dos bons momentos
é fazer o relógio voltar um pouquinho atrás

Abraços

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Ventos de antanho, que inflam velas, que movem nosso barco sabe Deus pra onde...
Belo texto, Jorge. Pra quem é do mar e pra quem não é. Abraços.

Caio Martins disse...

Bela história, Marujo!
De onde esta veio, deve existir um montão esperando a vez. E plenas dos fortes sentimentos de amizade pelos que, conosco, as viveram. Fico esperando as outras marujadas.

Abração, Grande Jorge!

Pedro Jorge disse...

Estas histórias são verdadeiras, Jorge? Pergunto por causa de velejar, um dos seus temas prediletos.
Abraço.
Pedro

Blogat disse...

Bom lembrar,né?
Beijo carinhoso

anderson fabiano disse...

jorjão,

sempre soube que o tempo roubava da gente a memória e deixava, de quebra, umas vagas lembranças. rsss

hoje, dobrada a curva que antecede o cabo da boa esperança (ou seria o das tormentas?) resgato com a precisão de um bom livro de História, todas as marotezas (e proezas também) das idades anteriores...

vejo que não sou o único... que bom!

belo domingo pra vc!

anderson fabiano disse...

jorjão,

sempre soube que o tempo roubava da gente a memória e deixava, de quebra, umas vagas lembranças. rsss

hoje, dobrada a curva que antecede o cabo da boa esperança (ou seria o das tormentas?) resgato com a precisão de um bom livro de História, todas as marotezas (e proezas também) das idades anteriores...

vejo que não sou o único... que bom!

belo domingo pra vc!

Ana Maria Pupato disse...

Trazer à tona lembranças de fatos vividos é muito bom para fortalecer a auto-estima. Feliz daquele que tem muitas histórias para contar!
Dá para sentir toda a emoção.
Beijos mil!!!!