sábado, 17 de março de 2012

Os bruxos













Os bruxos

O mundo sempre foi ávido pela sabedoria dos bruxos.
Eu acompanho e destaco dois deles: Heidegger e Jung.
Fico intrigado com o ponto que humanamente chegaram estes dois mitos do século vinte. Heidegger é conhecido como o filósofo que soube entender as causas primeiras, e reconhecer que o homem tem sua vida marcada pelo término, fato não aceito por nós, mas uma realidade insofismável.
Contra ele consta a sua inscrição no partido nazista. Foi no começo do movimento, as atitudes de Hitler ainda não mostravam agressividade, mas a recuperação de uma Alemanha combalida.
Ao contrário, Jung sabia com segurança que o espírito de Wotan, o deus guerreiro dos povos do norte europeu, iria influenciar o povo e causar a guerra. A situação era inevitável. E transformou-se numa realidade dura de engolir.
O homem, por mais que não queira aceitar, tem seu fim. Tanto o alemão, como o suíço, sabiam bem desta realidade, comum a todos nós, mas que evitamos falar. O futebol, o chope, a caipirinha, o belo traseiro das mulheres, encarregam-se de afastar a ideia. Mas não adianta, mais cedo, mais tarde, vamos nos encontrar com a grande realidade.
Os bruxos que cito sabiam disto perfeitamente. Heidegger foi um grande teórico, mas Jung compreendia o fato na pele. Seus escritos provam o afirmado. Mais de quarenta livros, escritos pelo bruxo de Zurique e Bollingen, na sua famosa casa de pedra, construída por ele mesmo.
A obra de Heidegger está compilada em setenta volumes. O outro bruxo compreendia perfeitamente o limite humano.
Somos nada e somos tudo, ao mesmo tempo. É a conclusão que temos nos estudos dos dois, e na nossa compreensão interna mais profunda.
É quando o cronista encerra, para pensar e concluir que os bruxos estão certos, cientes da sua finitude.
Interessante é que Heidegger, o filósofo alemão, acabou apaixonando-se por uma aluna judia.
Nossa compreensão não está sujeita às leis matemáticas.


imagem: A casa de pedra/google

12 comentários:

Marco Bastos disse...

Prezado Jorge. Bela a sua crônica abordando dois aspectos cruciais:
1º - a finitude da vida humana, pois que o Universo é eterno e se assim não fosse, ainda seria. Na inexistência do Universo inexiste o conceito do efêmero, e tudo é trânsito.
2º - a relutância que temos até em pensar sobre o assunto. Em função disso criamos um mundo fantasioso para vivermos com as nossas veleidades. Até deuses criamos para salvar as nossas peles (ou ectoplasmas). Até Jung, para ele termina convergindo.
Para não me estender, porque hoje estou na veia, deixo aqui meus cumprimentos e esse poema que escrevi em um comentário para o poetrix Tempo de Mônica. abraços.

O TEMPO

Parece até pirraça.
há fé que cura
e fécula que alimenta.
passam-se décadas e séculos
e o tempo, e o tempo?
o tempo passa.

há tempo de secura
de bonança e de tormenta
e o tempo?

sobre o muro,
dentro do armário,
até no terno,
na roupa do aniversário
eterno no seu casulo,
o tempo-tempo ...
- o tempo-traça.

Marco Bastos




Marco Bastos.

Mardilê Friedrich Fabre disse...

Uma crônica, analisando o pensamento de dois filósofos importantes sobre a finitude do homem. Já a li em outro lugar. Jorge consegue colocar o intrincado pensamento deles em termos mais simples para não filósofos entenderem. Abrs. Mardilê

gracacampos.blogspot.com/ disse...

Estimado Jorge Sader Filho:
Dentre seus belos intrigantes textos, há em destaque,"Os Bruxos", inovador.Parabéns pela crônica,do gênero, "Impecável"!


A interação torna-se mágica quando, a cada contexto, acontece a reflexão, de tal forma que o "contemporâneo" dá passagem e faz reverência às existências... Oportunas e profundas marcas do pensar e do ser!


Um poeminha: Aventureiros de ser


Aventureiros de ser
Natureza somos
Somos o que fazemos
Além de pensar o que pensamos
Éter, Fogo, Terra, Ar
Água Doce, Céu e Mar
Diante da soma há pedaços
Irracionais, desmedidos
Somos Tudo e Nada somos
Somos peças de um mosaico
De um eterno caminhar...


Abraço,
Graça.

Rita Lavoyer disse...

Os bruxos não se sobrepõem, os bruxos andam, vagam,submergem, flutuam e... de acordo com a capacidade de cada um.

Entender a linha de um ou de outro não é o tema da crônica.

O tema desta crônica do Jorge está nas entrelinhas de casa palavra que compõem uma bruxaria pra lá de convincente.
Duvidar do Jorge leva-nos a inquisição.

Também vou dar meus pitecos de aprendiz de feiticeira, discordando que ao homem tem um fim: como eu o vejo: vejo tantos vivinhos mortos eternos no coração de outros homens, enquanto s ei que há tantos que se foram em corpo mas continuam vivinhos no coração de muitos de nós.

Esses dois bruxos em questão,por exemplo, não terão fim nunca. Eles cavaram uma cratera na finitude possibilitando-nos atravessrmos junto com eles.

Se certos ou não, o importante é que conseguiram registrar-se na eternidade.

Caio Martins disse...

Pois, Jorge, o programa auto-analítico e restaurador do sistema implantado na engenhoca termo-eletrônica elementar humana de prazo determinado, certamente conduz às buscas mais aleatórias, imprevisíveis e improváveis, com os consequentes resultados.
Algum erro de sintaxe nos trilhões de linhas de comando da programação original, no registro, misturou aplicativos nos diretórios, certamente.
De aí, a função dos analistas: dar algum paliativo à máquina, até o detestável "bug" definitivo, inevitável e irreparável. Se e quando os ETs voltarem, haverá muita reclamação. Heidegger, Jung e muitos outros certamente serão citados.
Belo texto, me'rmão, cibernéticas à parte. Abração.

petuninha disse...

Desde as épocas mais antigas os homens inquietam-se com a finalidade da Vida, do Universo, do Tempo, etc.

São admiráveis muitos estudos e conclusões destes homens que dedicaram a própria vida em estudos que os aproximou de conclusões sérias e científicas.As obras dos mesmos já é uma forma de imortalidade.

Esta crônica aborda estas questões e estes grandes estudiosos, de uma maneira muito especial e agradável
de ser lida.
Parabéns, Beijos da Petuninha.

IDERVAL TENÓRIO disse...

Professor Jorge, a vida tem mostrado que continua sendo um mistério ,enquanto a morte uma certeza,Heidegger com sua sabedoria soube transmitir o quase inexplicável e o JUNG quase a materializa-los, no estudo destes bruxos,fica a mensagem do homem pelo homem,com as suas dúvidas e as suas incógnitas a saborear o bom da vida ,mesmo com a sua insignificância universal.O homem também é matéria e dela sobrevive.Necessários encontros culturais regados à chope,caipirinhas e belos traseiros e dianteiros femininos.Sou JUNGUIANO e admirador do Heidegger.Iderval.

Espelho disse...

Todo ser materializado é um bruxo. Ou seja, é um sábio e um demônio... O Demônio, lapida o próprio 'EU' do sábio e o sábio leva o Demônio às alturas...
E qdo isto acontece, fica perpetuado lógico, que o sábio... estamos aqui para aprender a ser sábio... Esse grandes homens citados, souberam ser sábios! E o sábio, Jorge, saberá fazer a sua imortalidade, como outros tantos queiram... Salve Jorge, a sua sabedoria!

lino disse...

Bruxos? Sábios? E que tal cretinos, pelo menos o alemão?
Abraço, seu Jorge

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Como diria Manuel Bandeira, é a indesejável das gentes - que mais tarde ou mais cedo vem nos buscar, independente de nossa vã filosofia. Belo texto, amigo Jorge!

cristinasiqueira disse...

Tudo,tudo se resume no modo em que se pensa sobre a vida.Dai as diferenças entre os "bruxos"e os outros..O pensamento menor,tridimensional ou o pensamento multidimensional ,além das percepções limitadas.
Voce,querido Jorge escolheu dois bruxos arretados,como se diz aqui na Bahia...para chegar ao simples destino que nos conduz até a morte.
Beijos,

Cris

marcia disse...

Jorge, com certeza bruxos existem..Gostei do(ectoplasma) do Marco...Ótima crônica...bjus