sábado, 18 de agosto de 2012

Pizza indigesta


                                              Pizza indigesta

            Acostumados que estamos a ver processos sucessivos que visam punir acusados de crimes contra o patrimônio do estado, principalmente, não surtirem nenhum efeito contra os réus, surgiu o apelido ‘pizza’.
            O julgamento do mensalão, pelo Supremo Tribunal Federal, tomou rumo diverso.  Após uma longa defesa que só negava o acontecimento de vários crimes perpetrados contra a administração pública, o sistema financeiro e outros, começou a votação pelo plenário daquele Tribunal.
            O relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, experimentado com os julgamentos no STF, adotou critério que apressa os trabalhos.  Ele analisa o fato, condena, mas não fixa a pena, deixando para o final do julgamento entre os seus pares.  Ou seja, a esperada ‘pizza’ ficou bastante indigesta e todos os conhecedores dos julgamentos no Tribunal Maior já sabem que as condenações serão sucessivas.
            A pena de prisão, descartada no início, começa a ser ameaçadora, quando são reconhecidos crimes como lavagem de dinheiro e bando, além de peculato, que é o crime cometido por funcionário público contra a administração, subtraindo valores a ela pertencentes.  Pode sim, haver pena privativa de liberdade, em vários casos.  Dirceu é um dos ameaçados.
            Muitos gostariam de ver o mandante julgado, mas Lula não foi denunciado pelo Ministério Público, e ao Supremo não cabe denunciar ninguém, tarefa de competência única e exclusiva do Ministério Público.  É difícil, mas talvez com o andar do processo surjam fatos que o MP julgue conveniente incluir o verdadeiro mandante no processo, ou em outro.  São questões técnicas de Direito que não convém discutir aqui.
            A matéria diz respeito sim, a todos nós escritores e poetas.  Os intelectuais de um povo não se escondem desta realidade, no mundo e aqui na nossa terra, onde grandes problemas sociais e de direito foram bandeiras de literatos famosos.
            Não podemos conviver num país sujo.

15 comentários:

Mardilê Friedrich Fabre disse...

Olha, eu gostaria, sim, de ver os ladrões do meu dinheiro, porque afinal o dinheiro que roubam é do povo, punidos. Oxalá isso aconteça. Abrs. Mardilê

IDERVAL TENÓRIO disse...

Professor feliz a sua matéria,não podemos nos calar diante de tantos desmandos e sucessivas chacotas com o povo brasileiro,acredito que a resposta está sendo desenhada nas urnas,nós que lutávamos juntos à oposição não estamos mais embalados.Eu acredito que o Brasil acordará após as eleições com outra cara diretiva. O STF continuará a sua busca, não acredito que o Ministério Publico calará diante de tantas denuncias claras e cristalinas.

Iderval Tenório

Sueli Fajardo disse...

Amigo Jorge, o nosso desejo de justiça é grande.Porém, maior ainda é a nossa necessidade de nos tornamos mais éticos e politicamente envolvidos, como povo e nação que somos. A mudança, para coibir esses desmandos, deve começar por nós mesmos.Parabéns por explorar um assunto polêmico e que já está levando o povo à exaustão. Que venham as punições e que sejam cumpridas. Grande abraço.

Caio Martins disse...

Caro Mestre Jorge Sader, o Ministro Barbosa foi tecnicamente ajustado, ao seguir o método da acusação, isto é, fatiando a peça. Já Levandowsky errou de veia: desconsiderou a praticidade daquela, e enveredou por caminho mais tortuoso e empantanado, o do voto único englobando todos os tipos penais num único arrazoado. A vaidade pode ter levado o douto ministro ao erro, haja vista a sua inconformidade não com a metodologia, mas, por considerar que desconsideraram seu trabalho.
Péssima atitude, que favoreceria os réus, se adotada.
Análise correta, a sua. O STF não poderia, ele próprio, sair penalizado da lide.
Forte abraço.

Anderson Fabiano disse...

Não sei, Jorjão,

Mas, acho que vou tirar minha túnica de São Tomé do armário e esperar mais um pouco.

Infelizmente, a idade me roubou a esperança de ver coisas certas acontecerem nessa Terra Brasilis. Há muitos (grandes) interesses em jogo.

A participação e/ou prévio conhecimento de Lula, por exemplo, é tão óbvia que me assusta ver tantos togados (e aqui incluo naturalmente o MP) desconsiderarem a participação do ex- presidente.
E justo nesse ponto, me invadem as narinas, os aromas típicos de um um bom forno a lenha ligado. E se vai haver pizza, ainda não sei, mas, pelo sim, pelo não quero a minha com gorgonzola e bacon e fatias de rúcula fresca.

Meu carinho,

Anderson Fabiano

Célia Rangel disse...

Olá Jorge! Seu artigo provocou-me imensa indigestão. Primeiro por ser descrente de ver o caráter, a honra, a dignidade, a honestidade no lugar merecido. Aliás, Rui Barbosa já apregoava isso, de que chegaria o dia em que teríamos vergonha de sermos honestos... Segundo porque você nos provoca a uma tomada de decisão. Já fiz muita revolução político-estudantil, na década de 60 e 70... marchamos pela Pr. da República, Lgo do Arouche e adjacências... Como insufladores, andamos de camburão... Hoje, minha "balança ativista" pesa prós e contras e realmente não vale a pena, pois enquanto decidem sobre aqueles "corruptos"... outros embolsam nossa vergonha nacional e ficamos com cara de paisagem diante de tamanha agressão moral. Sequer a pizza, reagada a um bom vinho, descerá via digestório. Ideal seria via esgoto do STF.
Essa é minha opinião.
[ ] Célia.

Carmem Velloso disse...

Ainda que descrente, confio na opinião de Jorge, que já vi acertar em questões difícieis, na sua coluna do Vote Brasil.
Marque mais essa, caro amigo.
Bjs. Carmem

Rita Lavoyer disse...

Jorge, pretendo , hoje, dar o meu aval para o texto do Anderson e da Célia, não desmerenço o seu, ótimo por sinal. Mas é que,ainda que não tão velha, valha-me Deus, não boto fé nenhuma nesse julgamento e eu tenho que continuar assim, porque cheguei à conclusão de que é melhor eu quebrar a minha cara por ver uma justiça feita com honra, do que me vestir de esperança e ter que rasgá-la toda como já fiz muitas vezes.
Aproveito e o convido a visitar o meu blog. Há nova postagem lá. O cheiro de lá não é de pizza, mas de sardinha!

Rita Lavoyer disse...

obs- "desmerecendo" e não
"desmerenço" como publicado no comentário anterior.

marcia disse...


Jorge,estou desanimada..bjus

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Queira Deus que não seja meia arquive-se, meia prescreva-se isto que dentro em breve sairá da pizzaria Brasília.

João Bosco da Silva. disse...

Olá meu amigo Sader,passo para deixar à minha presença,e meus olhos a juntar letras,frases,e o carinho com que você escreve.
Meias culpas,...e o sujeito fica fora das frases.
Um fraterno abraço amigo.

petuninha disse...

É lamentável que tenhamos de escrever estas páginas em nossa História. Eu, como todo brasileiro, desejo profundamente que seja feita Justiça.
O que não compreendo é como a corrupção continua a acontecer e o povo tenha que engolir estas pizzas
azedas.
Só pergunto: - Até quando?
Será necessário haver uma grande virada pela ética e pela decência.
Beijo, Petuninha.

Yuri André disse...

Não entendi a causa do ministro Dias Toffoli estar participando deste julgamento, quando todos esperavam que ele se desse por impedido.
Abs. Yuri

Maria Luzia Fronteira disse...

...e o povo tem que aguentar com todos esses acontecimentos gerados em toda a parte e a tendencia e para continuar que pelos vistos saem-se sempre bem de forma geral...

Abraços
Luzia