sexta-feira, 16 de agosto de 2013

O Movimento das Ruas

           
 
            O país atravessa uma onda de protestos.  Todos pacíficos, salvo episódios que não fazem parte das aspirações do povo, tumultuando a ordem.
            Este desabafo popular vem de longe.  O cidadão mais esclarecido já estava saturado com seguidas e progressivas falcatruas e desmandos cometidos por autoridades.  Acabou explodindo.  Como a indignação é geral, rápido o movimento se tornou muito grande, terminando em passeatas que foram ganhando número cada vez maior, com a inclusão de muitos que pacificamente suportavam a tirania, a arrogância e o desprezo das autoridades obrigadas a zelar pela nação. 
            Parlamentares fazendo o que bem entendem com o dinheiro público, obras caras sendo executadas pelo dobro do preço normal, inflação mostrando as garras mais uma vez e o país com desenvolvimento bem abaixo do esperado.  Não ficamos só nisso.  A cada dia que passa, a educação, a saúde, a segurança, o saneamento básico e a ordem constituída vão-se deteriorando. As autoridades, além de não tomarem providências, colaboram para que estes fatos permaneçam como estão.  O desmando tomando conta do país, até que alguém deu o primeiro grito de revolta, logo seguido de muitos outros.
            E surgiram protestos que não eram comuns no meio do povo brasileiro, que tomou as ruas, fez exigências, foi menosprezado a princípio, mas temido com o desenvolvimento dos protestos da massa insatisfeita, que chegou mesmo a sitiar o Palácio Presidencial, sem um só lance de violência. A partir deste momento, passou a ser respeitado, e até mesmo visto como uma ameaça, depois que todos tomaram consciência de que não se queria a desordem, mas exatamente o seu inverso.
            As autoridades estavam obrigadas a dizer algo, tomar providência, dar satisfação àqueles a quem dirigem.  Fizeram isto, mas as medidas são falsas e ardilosamente preparadas, chegando à trapaça, como o divulgado índice de inflação de julho de 2013, muitíssimo menor do que o verdadeiro.  O dólar é o indicador e prova deste fato, quando atingiu valores nunca vistos no mercado.
            Está programada para 7 de Setembro manifestação popular de proporções gigantescas, que vão exigir a tomada de providências verdadeiras, e não as falsas medidas adotadas pelo governo.  Vai ser o mais duro golpe aplicado contra maus governantes e parlamentares que insistem em iludir o  brasileiro.
            Interessante notar que este movimento é fenômeno nacional, sem importações, talvez pela nossa tradição pacífica, o que não significa que se pode brincar com o povo.
            Toda e qualquer atitude de invasão de prédios, tomadas de atitude que não dizem respeito ao cidadão comum, como a ocupação das bancadas legislativas, depredações, furtos com violência, danos e outros crimes devem ser absolutamente repudiados.  Não somos bandidos; estamos contra eles.  Estas atitudes são provocadas pela contrainformação dos governos, seguidas pela atividade intensa de partidos políticos interessados em transformar o movimento ordeiro, duro e determinado que tomou nosso povo.
            Fatos isolados passam para segundo plano.  O objetivo principal é o estabelecimento da democracia plena, justa, com igualdade social, política e jurídica.
            Participe!  A Pátria agradece!


_________________________________________________________________

Publicado no Pravda de 19/08/2013     http://port.pravda.ru/news/cplp/20-08-2013/35153-movimento_ruas-0/
               
             

13 comentários:

Rita Lavoyer disse...

Ler Jorge Sader tornou-se obrigatório a qualquer cidadão que deseja ficar mais e mais informado sobre a atual situação política desta Nação. E vamos que vamos, Jorge!!

Tais Luso disse...

'Povo unido, jamais será vencido'. Pois é, se os políticos não conseguem governar sem falcatruas, sem a roubalheira do dinheiro público que é destinado à nossa saúde, segurança, educação, está na hora de mudanças. Só acho engraçado quando falam das badernas ( que não deveriam haver, lógico). Mas o que é aquilo lá no Congresso? Como poderíamos chamar aquilo que todos nós vemos e que os governantes não sabem de nada? Na rua quebram os Bancos, lojas, prédios... e lá dentro sucateiam o país! É a mesma coisa com métodos diferentes. To errada?

Mas veja: 'não' estou defendendo baderna nas manifestações! Sou pelas manifestações mais tranquilas, porém nada deve tirar o foco principal: mudanças por um país mais saudável, mais sério, começando por leis mais rígidas. E cumpridas. Pô, o povo já está de saco cheio!

Grande abraço!

Maria Coelho disse...

Gostei! E preciso atitude, engajamento politico e participacao social, afinal vivemos em comunidade, e as nossas acoes refletem em nossp meio e em todo o pais. No dia sete, entao, um passo para a cidadania, sem violencia e pela justica social! Abraco (desculpe pela falta de acentuacao - problemas com o celular) rss...

Ana Bailune disse...

Olá, Jorge. O que se vê pela televisão é desanimador... gente sendo ferida e ferindo, lojas e bancos depredados, ruas destruídas. Acho que faltou foco nesse movimento.

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Vamos que vamos, Jorge. Apoiado ipsis literis.

Lílian Maial disse...

Olá, Jorge!
Esperamos todos que esse movimento consiga, pacificamente, alguma coisa, porém, já vimos esse filme, não? Dois pesos e duas medidas, maquiagem, manobras eleitoreiras...
Beijo grande

Célia Rangel disse...

"Caminhando e cantando e seguindo a canção... Somos todos iguais braços dados ou não..." Ah! Quanto cantei e agitei pelas ruas de São Paulo! Ainda é válida a canção e o movimento na visão democrática de um Brasil melhor! Prossigamos com consciência cidadã.
Abraço, Célia.

Marco Bastos disse...

Olá, Jorge.
Instalou-se no governo uma súcia de indecentes, incompetentes e desonestos. A política visa apenas a continuidade no poder, enquanto o País se deteriora rapidamente. As manifestações são legítimas e devem ser pacíficas. Todos, inclusive o governo, são responsáveis para não haver conflagração e caos. abrçs.

Mardilê Friedrich Fabre disse...

O brasileiro é um povo pacífico. As ditas badernas que houve neste movimento, para mim, foram infiltrações políticas para que se pensasse que a manifestação não era ordeira. Abrs Mardilê

cristinasiqueira disse...

Excelente!,,estamos juntos...em nome do futuro e de um presente honesto...

Obrigada Jorge querido,sua voz,a faco minha.


Cristina

Jota Effe Esse disse...

Participemos todos, cientes de que os pilantras sempre irão divulgar mentiras para confundir quem busca justiça. E só cederão com a corda no pescoço. Meu abraço.

Caio Martins disse...

Jorge, assino em conjunto. Forte abraço!

Anderson Fabiano disse...

Querido parceiro,

Assino embaixo de cada frase, cada palavra, cada vírgula. Visão aguda, lógica e sem contaminações, da realidade brasileira. Parabéns!

Avisei aos meus pares (principalmente filhos e amigos próximos)desde o primeiro momento: cuidado com os infiltrados. Conheço as práticas do PT, suas práticas de sabotagem, os truculentos dos sindicatos a seu serviço e sei que vão tentar desmoralizar o movimento. Não deu outra: marginais infiltrados tentando passar para a opinião pública que os movimentos eram coisa de "baderneiros". Mas, aí a Imprensa tem um papel a cumprir: dar a versão verdadeira dos fatos e não deixar o movimento "esfriar".

O Globo já "reconheceu" que errou ao apoiar a Ditadura. E, quanto aos verdadeiros baderneiros... bem, no meu tempo a gente arrumava logo um Tribunal Popular e dava um jeito no cabra.

Não sei como a molecada de hoje vai fazer, mas, dia 7 vou estar de olho no noticiário e se o corpo velho aguentar, vou gritar umas palavras de ordem por ai. Coisa de dinossauro guerrilheiro mesmo. rsss

Meu carinho,
Anderson Fabiano