sexta-feira, 15 de maio de 2015

Sigmund Freud deixa a Vida


               
            Um dos mais conhecidos homens de todas as épocas foi o médico vienense Sigmund Freud.
            Não se pretende fazer sua biografia, mas tão somente contar como foi a sua morte.  Normalmente ela é descrita como consequência de um agravamento severo de um câncer na mandíbula superior do homem que estabeleceu as bases e criou a psicanálise.
            Freud era um inveterado fumador de charutos.  É fato comprovado que a quente fumaça do mesmo é uma das causadoras do câncer na boca.  Como já se disse, no seu caso foi atingida a mandíbula superior.  Cirurgia feita, obedecendo à recomendação de deixar espaço para o charuto, que não abandonou.  O estudioso terapeuta continuou a exercer sua profissão e o velho hábito do charuto, sempre preso nos seus lábios e dentes.
            Esta situação prolongou-se, não muito, mas o tempo suficiente de ele dar uma longa entrevista, onde abordou o problema da morte.  Sua opinião era muito lúcida, a respeito.  Não a discutia: aceitava.
            Seu estado de saúde piorava bastante, como não poderia deixar de acontecer.  Conta-se que fez mais de trinta cirurgias no local afetado.  Nessas ocasiões, sempre surgem fantasias, próprias da mentalidade humana.  Dizem que tinha uma cadela de estimação, “Jofie”, uma chow-chow. Eram excelentes companheiros e Jofie era como se fosse sua ‘assistente’.  Caso ela implicasse com algo de algum paciente, de imediato o psicanalista absorvia a dúvida canina e passava a ter outro tipo de comportamento com seu analisando.
            Com certeza este fato é verdadeiro, pois era conhecido da sociedade.  Vem o espírito criativo do homem e acrescenta que depois de uma piora considerável, Freud não mais permitiu que Jofie o visse sofrendo.  Proibiu a entrada no quarto.  Mas não foi essa a parte importante da despedida do mestre.
            A eutanásia sempre foi um tabu dos mais sérios que a sociedade enfrentou e enfrenta.  Freud combinou com seu médico particular que logo estivesse no fim, sem mais esperanças, a dose de morfina, aplicada contra as dores que sentia, seria bastante aumentada, letal.
            Assim é que no dia 23 de setembro de 1939, o médico que dele cuidava, cujo nome não vai ser revelado, percebeu a face do amigo com forte cheiro de deterioração, o tecido estava perdido. 

            Parece que não falaram.  A troca de olhares, em muitas ocasiões, é um veemente discurso.  Pouco tempo depois Sigmund Freud era dado como morto, vítima de tumor maligno em osso da boca.  É o que consta na certidão de óbito.  Não é a realidade.  Foi overdose de heroína mesmo.      

10 comentários:

Celso Felício Panza disse...

Fala Jorginho, um repórter da história. "onde abordou o problema da morte. Sua opinião era muito lúcida, a respeito. Não a discutia: aceitava", como você refere. E adianta discutir ou não aceitar o inevitável? É o que se sabe dele, quanto à sua partida e do sofrimento com a doença.Um abraço. Celso

Anderson Fabiano disse...

Muitas nuances e uma abordagem lúcida, quase jornalística. Esse é Jorge. E que ninguém duvide de sua capacidade literária.

meu carinho,
Anderson Fabiano

Carmem Velloso disse...

Nunca tinha ouvido ou lido qualquer coisa a este respeito, Jorge.
Muito bem levado, ser ser reportagem.
Beijo.
Carmem

caio martins disse...

Impecável, Jorge! É o fato com a perspectiva humana do narrado. Forte abraço!

Blogat disse...

Escolhas. E lucidez.

Célia Rangel disse...

Vida é para ser vivida... Vegetada, sem esperanças, jamais! Também sou favorável à eutanásia. Pela sua postagem, meu caro Jorge, terei que apostar em overdose? Terrível, hein?!
Abraço.

Unknown disse...

Soube compreender a vida dos seus semelhantes, mas especialmente, a sua também.
Excelente, Jorge.
Abraço.
Pedro Jorge

Vera Fracaroli disse...

“Os judeus admiram mais o espírito do que o corpo. A escolher entre os dois, eu também colocaria em primeiro lugar a inteligência.”
SIGMUND FREUD

Parabéns pelo tema de fazer-nos pensar.
Um grande abraço Jorge!

Manuela Mourão e Silva disse...

Este grande nome da psicanálise foi o
responsável pela revolução no estudo damente humana.
A partir de sua teoria, este grande
psicanalista resolveu tratar esses casos através da interpretação dos sonhos das pessoas e também através do método da associação livre, neste último ele fazia comque seus pacientes falassem qualquer coisa
que lhes viessem à cabeça.
Com este método ele era capaz de desvendar os sentimentos “reprimidos", ou seja, aqueles sentimentos que seus pacientes guardavam somente para si, após desvendá-los ele os estimulava a colocarem esses sentimentos
para fora. Desta forma ele conseguiu curar
muitas doenças mentais.

Adorei o tema Jorge.parabéns!

Marcelo Sguassábia disse...

Desconhecia o fato. Jorge Sader é cultura! Abraços.