segunda-feira, 8 de junho de 2009

Brisa

Campo de São Bento, Niterói












A suave brisa soprava vinda do Leste. Tinha o perfume da terra, naquele banco de madeira já envelhecido.
Um parque. Árvores centenárias, testemunhas de namoros, beijos e abraços, confissões de amor, olhares trocados, penetrantes.
Quanta coisa! Planos traçados, casamentos à vista, tudo sob a sombra das árvores que guardam segredos incalculáveis, alguns bastante confidenciais.
Para completar tudo isto, um lago com chafariz, limpo, com pequenos peixes. Ali não proliferam mosquitos, raça impertinente que além de aborrecer, traz malefícios à saúde.
E os canteiros? Todas as cores, difícil falar. As plantas, pior ainda, principalmente para quem é apenas um admirador, e não um conhecedor. Distinguem-se somente as grandes vitórias-régias na superfície do lago.
Um lugar encantado? Talvez sim. O parque antigo foi feito pelo homem, mas é difícil imaginar quem guiou seu pensamento, quem plantou as árvores, não tem tabuleta indicando nomes, tem apenas um marco de concreto, visivelmente novo e colocado muito após o parque ser construído.
Crianças fazendo brincadeiras criativas. As crianças... Na sua suposta e presumida inocência, são seres que colocam o adulto consciente a pensar.
Puras, autênticas, espontâneas. Parece que o mundo seria bem diferente, se todos os adultos ainda colocassem para fora a criança que têm dentro de si. Exagero? Nunca. A alma infantil é pura, ainda não contaminada com as disputas, o preconceito, a gana pelo poder, seja material, intelectual ou mesmo os dois.
Quando consegue sua liberdade desta educação que mata a pureza, o homem torna-se artista. Em qualquer atividade, sem distinções. Alguns, não muitos, tornam-se artistas mesmo. Sentem e sabem expressar o que vai dentro d’alma.
Enquanto isso, a suave brisa continua soprando. É a brisa da Vida, é o vento do desconhecido que coloca as cabeças mansas, próximas umas das outras, próximas da Vida.
Sopra, brisa. Continue soprando.

3 comentários:

Caio Martins disse...

Grande Mestre Escriba,

leve como a brisa... nada melhor, numa segunda-feira braba, que ler algo assim. Que não pare, nem ela, nem você.

Abração, mano-véio.

Celso Panza disse...

O Campo de São Bento, ah! que beleza, nascemos e moramos perto dele, com seus encantos e máxima energia, força que me invade diariamente quando nele deito meu pensamento solto, a festejar Deus e sua pródiga criação, a natureza, incansável em nos proporcionar surpresas e deleite para os sentidos. A brisa que tão bem você colocou está sempre presente no Campo de São Bento que está fazendo cento e cinquenta anos de existência, projeto belga com aprimoramento de Glaziou, famoso pelos parques que traçou no Brasil, sendo a Glória e o Flamengo, imortalizados pelas fotos de Marc Ferrer, maravilhas para os olhos.

Anezinha disse...

lindo, um belo descrever, um texto suave, leve... gostei imensamente!
Bjs
Rose