terça-feira, 6 de abril de 2010

Imitador

Nelson Rodrigues


















Acabo de ver no Leia Livro, uma seção literária da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, para onde envio somente contos e crônicas, o comentário de um leitor dizendo que eu imito Nelson Rodrigues...
Quem me dera ter o talento do velho Nelson! Que foi, inclusive, nosso maior teatrólogo, além de cronista invejável e jornalista de extrema experiência.
É verdade que gosto de imitar certos autores famosos, quando me dá na veneta. Imito Nelson, Sérgio Porto, Jorge Amado e João Ubaldo. Mas mal, muito mal! Ah! João Saldanha. Não posso esquecer o magricela de voz grave e destemperado gênio. Saldanha era muito brigão.
Este fato de escrever traz sempre comparações inevitáveis, se quem escreve está sempre lendo. Lembro que no colégio lia diariamente na “Última Hora”, de Samuel Wainer, os famosos textos de Nelson Rodrigues, “A vida como ela é.” São antológicos; quem não os conhece deve procurar ler, pois foram reeditados, preenchendo uma lacuna que existia na memória nacional. Tão bom era ele que a sua “À sombra das chuteiras imortais”, esta sobre futebol e publicada no “Globo” passou a ser leitura de intelectuais da época, que pouco entendiam ou até mesmo não gostavam de futebol.
Sérgio Porto, o famoso Stanislaw Ponte Preta, com suas personagens famosas, a maior delas a Tia Zulmira, a terrível gozação que fazia com Niterói – “Niterói é terra onde galinha cisca para frente e urubu voa de costas” – só era perdoada pelos niteroienses porque ele morou aqui alguns anos. Publicava todo final de ano a lista das “Dez mais certinhas”, onde apareciam as mulheres mais bonitas e certinhas do ano. Mulher que saísse nesta lista estava feita! Eram quase todas atrizes, não me lembro de exceção.
Jorge Amado e João Ubaldo, além de diferentes entre si, pouco ou nada tinham em comum com os dois gozadores citados. Ou melhor, talvez tenham. A profunda irreverência.
Ler Hemingway. O maior escritor do século XX, e talvez comparado a Shakespeare, só o tempo vai dizer, foi um profundo conhecedor da alma humana. “O Velho e o Mar” é obra não suplantada por nenhuma outra.
Qual a razão de estar escrevendo tudo isto? Não sei não. Deu na telha!

10 comentários:

Caio Martins. disse...

Mestre Jorge Sader, há que seguir os bons exemplos, numa linha de afinidades. Garanto e, se preciso for, transcrevo em cartório, que o(a) desavisado (a) "crítico(a)" jamais escreveu sequer um "batatinha quando nasce" mal parido...

Conheço sua obra. E digo de frente que nela me espelho, pelo respeito e admiração por seu estilo simples, honesto, lúcido e inconfundível.

Melhor fariam, tais mequetrefes, dedicando-se a aprender a escrever com quem sabe, pois construir é sempre difícil e, destruir, é da essência do mau caratismo dos rancorosos e parvos.

Por que você escreveu? Simples: para homenagear os excelentes autores citados, gesto de humildade dos espíritos elevados.

Forte abraço, Mestre Escriba!

Chica disse...

E que bom que deu na telha,pois ficou ótimo! abração,tudo de bom,chica

Por que você faz poema? disse...

Encaria tal comparação como um elogio. O crítico teme o novo, o desconhecido; tudo que surge tem que parecer com algo.

Sylvia Araujo disse...

Ótimo texto, Jorge. A pergunta que fica é: será que o citado leitor seria capaz de copiar tão bonito? rs
Sinta-se elogiadíssimo. A sua veia Rodrigueana é explendorosa e absolutamente autêntica.

Beijomeu

Stella Tavares disse...

Adorei o texto! Inspiradas telhas... Seus leitores e seguidores agradecem!
Tenha um lindo dia!

Barbara disse...

Melhor seria não ter lido.
Acabei aqui zangada com a contemporâneidade.

Tais Luso disse...

Gostei de seu texto, direto, objetivo. Os melhores textos são os que pintam assim, de uma hora pra outra... Ou também são os que aparecem após uma forte emoção.
Estou de sua seguidora, assim lembrarei de visitá-lo. Gostei de seu seu blog, também!
Convido-o a conhecer meu blog de crônicas.Está no perfil.

Obrigada por sua visita.

Bjs
Tais luso

Liz Cestari disse...

Olá Jorge! Obrigada por postar seu comentário. Ideias não faltam, mas a execução das mesmas realmente é embaraçosa. Achei seu texto ágil e interessante. No meu caso, quero chegar ao mesmo ponto que certo autor:se ainda não aprendi a escrever, não foi por falta de treino.

Márcia Cristina Lio Magalhães disse...

O desavisado certamente pouco entende de literatura, pois é possível sem sombra de dúvidas escrever um texto parecido com outro ao menos sem intenção, já que, quem escreve, muito lê!

Não acho que imites ninguêm, talvez disserte sobre assuntos semelhantes, e ainda que na opinião alheia tu copies, releve, pois que as letras são livres, e o moçoilo certamente "ganhou" lendo-te, todavia perdeu tempo escrevendo tamanha asneira...

um abraço amigo sumido!

Há textos no Poetar esperando-te...rs

Rosana disse...

Jorge...programei pra escrever tanto, mas resolvi apenas escrever que adoro ler você...