quarta-feira, 31 de março de 2010

Ousada

Abraço

















Jovem ainda. Fosse burra, o fato seria normal. Mas não era.
Têm muitas coisas que incomodam. Esta invade nossos poros. Estudante superior, e não digo qual a área, foi abandonada pelo namorado que tanto amava.
Um fato comum, que acontece todos os dias. Não com a bela de cabelos negros, rosto anguloso, boca sensual e olhos implorando amor. Amor carnal. O namorado que sumiu não aguentou tanta exigência. Gostava de futebol, e toda quarta-feira estava firme no Maracanã. Torcia pelo Botafogo, mas o que gostava mesmo era ver os jogadores correndo no gramado, tentando o máximo, botafoguenses ou não.
A mulher julgava-se uma abandonada, imaginava que talvez era uma amante, futebol era desculpa. Mas nunca o seguiu. Caso fizesse, comprovaria que o marido estava na geral, botando os diabos para fora, berrando, xingando o juiz em altos brados. Fazia ali o que era incapaz, tanto no trabalho, como em casa.
Não era um moleque. Apenas, como muitos, extravasava suas frustrações e angústias.
Voltava para casa suado, com cheiro de multidão. Tomava um longo banho, e contava alguma coisa para mulher, olhos fixos na televisão.
Certo dia foi à praia. Biquíni provocante e desceu no elevador junto com um garoto morador do prédio. A camisa longa, do marido, escondia muito seu corpo.
Na areia, quando tirou a camuflagem, o guri ficou doido. Seu estado piorou muito, quando ela pediu com voz melosa e safada, que ele passasse óleo no seu corpo.
Sim, aquele era o homem ideal, completamente apaixonado, incapaz de deixar a sua amada sozinha, fazendo-lhe toda espécie de carinhos.
Puta? Em absoluto que não! Apenas uma mulher “moderna”, que acabou perdendo a guerra quando o seu queridinho começou a namorar uma garota da sua idade.
Chorou rios de lágrimas.

7 comentários:

Caio Martins. disse...

Eta! Jorjão da gota serena... Deu pra ver a cena. A "jovem ainda" "chorou rios de lágrimas"...

Esse "ainda" define todo o contexto. Magistral, meu Mestre.

Pedro Jorge disse...

Jorge nega afirmando. "Puta? Claro que não". Quem presta atenção, vê que ele descreve uma vagabundinha que se deu mal, bem ao estilo rodrigueano.
Excelente, amigo.

Sueli disse...

Ser ousado é muito bom, desde que se tenha estrutura suficiente para "bancar-se", sejam quais forem as consequências... Muito bom o eu blog! Parabéns! Pretendo voltar. (Sueli - Fenixando)

Sylvia Araujo disse...

Desce levinho seu texto. Pedro Jorge disse tudo, estilo rodrigueano paira sobre as suas letras.
Muito bom!

Beijomeu

Maria Flor! disse...

Muito legal seu texto, é o que acontece sempre.
Amo seu cantinho, vou continuar por aqui.

Ótima semana!

Beijos...

Luna Sanchez disse...

Eita!

As mulheres, em geral, adoram dramatizar as situações, não?

Se, um dia, eu passar a considerar o futebol um rival, juro que começo uma terapia...rs

ℓυηα

Márcia Cristina Lio Magalhães disse...

Adorei o texto!

"e ainda chorou rios de lágrimas..."

beijos amigo!