quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Miséria humana
















Girassóis/Van Gogh


            As cartas de Van Gogh ao seu irmão Theo e o depoimento deste, não deixam dúvida.  Pouco antes de morrer, Vincent disse que la misère ne finira jamais.           

            Mais uma conclusão do pintor que revolucionou a arte.


            Vincent não afirmou que a miséria monetária do homem não teria fim.  Seu alcance foi bem mais longo.  Ele sabia que a miséria humana não tem fim, sentiu esta verdade dentro de sua alma.
 
            O homem sofre, é uma condição da vida.


            Sentiu ao longo da sua existência que o fato é verdadeiro, embora tenha sido um doente.  Da sua doença surgiram os mais belos quadros e sobretudo expressivos que conhecemos.  Além de mestre nas tintas, compreendia bem a vida. Não fosse assim, não conseguiria transmitir a emoção que quis e conseguiu passar para a Humanidade.
            São pinturas expressivas aos extremos, ora tristes e igualmente de uma beleza incomum.  O par de botas, o quarto do pintor, ele mesmo com a orelha decepada por um corte de navalha, fruto de uma briga com o seu contemporâneo Gaugin, tudo isto importa numa visão de vida exterior e interior muito grande.
            O homem nasce sozinho, vive sozinho e morre sozinho, a despeito do que queremos crer.  Por mais amor que o cerque, sua existência é solitária.
            Foi isto que o mestre concluiu e viveu.
            Seus campos, seus trigais. As cenas humanas retratadas mostram um homem que conhece suas limitações e misérias.
            Mostram igualmente a grandiosidade de um homem que mesmo sabendo nada, soube transmitir o tudo...
            É verdade que a Vida está cheia de lados negros.  Mas o melhor é vivermos com todas as felicidades que ela nos oferece.
            A começar pelo amor.  Tem tanta coisa...

20 comentários:

Rita Lavoyer disse...

Então... E tantos querendo se impor por pensarem ser os mestres, os doutores de causas defendidas.
Vou te contar, viu!
Os 'loucos' são aqueles que se dizem 'sãos', porque o louco original não precisar mostrar a que veio. Vem, acontece e fica para a glória, sem bater no peito, sem ter que provar isso ou aquilo, a esse ou àquele.
Então... foram buscá-lo para a eternidade dentro de sua são loucura.
Doentes somos nós.
Estou treinando, um dia, eu juro, quero a loucura também. Sei que está nela a felicidade original. Original...
Viva os girassóis!

Gil Façanha disse...

Como sempre, belíssima leitura. Aproveito pra dizer, que seu blog ficou muito lindo. Parabéns. bjs e carinho.

Jorge Sader Filho disse...

O trabalho de dar outra forma a este blog é do meu amigo e colega colunista político Caio Martins, do Vote Brasil. Os elogios devem ser dirigidos a ele, e eu, com afeto, agradeço.

Abraço, irmão!
Jorge

Ana Maria Pupato disse...

Muito bem retratada uma das dualidades do ser humano através de um gênio da pintura. Almejamos a felicidade e deixamos nos enredar em nossas dificuldades, fazendo com que a vida seja um peso a carregar. Como sempre, lindamente escrita e reflexiva!
Beijos mil!!!!

Carla Diacov disse...

tem tanta coisa...
começando pelo amor, diria:
nem. Diria não!
digo!
Ranquei minha orelha, pra te ler com teus sabores!

Marli Borges disse...

É, Jorge, a miséria humana não acaba. Ela é inerente à nossa humanidade. Acredito nessa afirmação, por isso acho tão importante a alegria, o bem viver, as energias positivas. Gosto muito do Van Gogh, que vida a dele, hein!!! E que obra maravilhosa! E no entanto, que sofrimento ele suportou. Acho que é também, em razão de agruras vivenciadas que ele referiu-se desse modo tão incisivo e conclusivo sobre a infinitude da miséria humana. Esse entende do assunto! Parabéns pelo texto, belo e oportuno.
Bjsssss

MariaIvone disse...

São as singularidades das vidas que determinam as obras. Assim aconteceu com Van Gogh.
Belíssima a sua escrita!

lino disse...

É verdade que a miséria - todo o tipo de miséria - nunca acabará, mas está na nossa mão mitigá-la.
Abraço

Marcia disse...

Belíssima leitura Jorge...bjus

Caio Martins. disse...

Jorge, lembro-me da forte impressão que "Miséria Humana" me causou, quando a li em 2009... De certa forma a identidade com o Van Gogh a todos nos atinge. Então, como diz Rita, vivam os girassóis!

P.S.: O Prosa e Verso de Boteco já está no ar, desde ontem. Testes finais, e começamos as postagens neste fim de semana. Obrigado pelo apoio, meu amigo.

Vanuza Pantaleão disse...

Jorge,
Sinto-me particularmente tocada, pois Van Gogh tem sido, a meu ver, uma referência de Humanismo e Arte das maiores de todos os tempos. Lá, na lateral do nosso espaço, expus alguns quadros do Mestre holandês.
Parabéns pelo expressivo post!
Bom final de semana!

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Jorge,
Van Gogh é mesmo um caso à parte. Nunca um louco foi tão lúcido - em sua arte e na transgressão que ela representou à epoca. Seu texto faz justiça a ele e a tantos "loucos" injustiçados. Parabéns.

Barbara disse...

Como posso comentar isso?
Exato você foi.

Rob Novak disse...

A miséria humana é irrevogável.
A genialidade de alguns também.

Sucinta e certeira essa reflexão.

Abraço.

Mai disse...

Jorge, este texto é imenso em tão poucas linhas...Sim, a miséria é esta danação que se renova a cada passo. A condição humana é isto.Resta-nos tornarmo-nos nesse existir.

imenso abraço

Aline Patrícia disse...

"-Sou um miserável" - constatou um infeliz Jean Valjean, entre tantas desventuras que lhe forjou o genial Victor Hugo. Aprecio a pintura do Van Gogh, mas não sem me inquietar por falar de uma certa morbidez que no fim das contas se esconde dentro de todos nós.
Deveras interessante é perceber que o mito do 'estar sozinho mesmo em meio à multidão' é um dos maiores sofrimentos do homem moderno, gosto do tom otimista com o qual encerras essa pequena crônica analítica, para todo lado negro existe outro de claridade que é de alcance ainda maior.
Sobre o amor, ah, o amor! Ele pode ser tanto resposta quanto pergunta, remédio ou veneno, o que define é a posologia. "Pergunte pr'o seu Orixá / O amor só é bom se doer..." - já disse o Poetinha para os miseráveis amantes.


Cheiros
Pati :)

MARIA JEREMIAS DOS SANTOS disse...

JORGE...QUE MARAVILHA SEU BLOG,CONTEÚDOS INTERESSANTÍSSIMOS...ESATÁ DE PARABÉNS! FIQUEI ENCANTADA RSRSR QUANDO CRESCER QUERO SER IGUAL Á VOCÊ. BEIJUS

Carla Diacov disse...

Sentiu, Jorge, ao longo da doença, os mais belos quadros que quis
com a tua orelha decepada traçar um fruto de uma briga contemporânea da que mais me importa tua visão de vida exterior e interior muito grande, querido? heim?
Sentiu?

Blogat disse...

Nossa solidão e precariedade,transformadas,sublimemente em beleza e comoção.
E tem tanta coisa...
Beijo,Jorge,parabéns,Caio.

Maurélio disse...

Van Gogh, da solidão e sofrimento uma obra inigualávei.
Texto belíssimo, Jorge.
Abraços