quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Para onde vai o vento

       
            O vento... Sua definição é bem simplista.  É apenas o ar movimentando-se.
            Será?  Não é só isso não.  Mexe com folhas das árvores, ondas do mar e com a linguagem que era usada faz tempo: “bons ventos o tragam.” Ou pior, “que o vento o leve para o diabo que o carregue”, ou expressão mais pesada.
            Traz o perfume do café acabado fazer.  Enche e enfuna as velas que cruzam os oceanos até hoje.  Velejar, além de ser muito prazeroso, é uma arte.  Os veleiros não vão para onde vai o vento.  Podem mover-se contra ele, inclusive.
            Toca os moinhos, gera energia eólica, que não polui como a usina movida a carvão ou petróleo.
            Mas tem um sentido diferente.  O vento caminha na direção mais livre, que nem sempre quer dizer mais correta.  É o que acontece com o mundo atual.  Ventos que vêm se formando há muito estão causando estragos sucessivos.  A falta de compostura, de ética ou mesmo vergonha na cara comanda os dias atuais, enriquecendo moleques, dando fama a safados, ajudando vadias e vadios a se promoverem cada vez mais.
            Não importam tanto os alísios, as monções, o terral, mas o vento que cheira a dinheiro sujo, ao que enche as ruas com o odor da maconha queimada, o perfume famoso que se torna nojento de tão usado que é por tipos vulgares.
            “Cara mais chato, falando neste assunto!”.  Sei, sei.  O assunto não interessa, quem escreve é o ranzinza, a culpa nem é da idade, não está sozinho nesta pregação.  Mas é um inoportuno mesmo!  Certos estão os que aguardam as obras dos mundiais, para faturar quanto bem querem, dividindo com os que pagam.  Pagam com nosso dinheiro, sempre é bom lembrar.  Vão encher a burra, salve a conta no paraíso fiscal.
             Uma coisa que ninguém mais sabe, é para onde vai o vento...   

12 comentários:

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Vento - essa entidade invisível, porém voluntariosa... vide o furacão Sandy! Bom trabalho, Jorge. Abraços.

petuninha disse...

Jorge trouxe à baila questôes bem interessantes.Sâo muitas as coisas que o vento faz. Algumas suaves e deliciosas. Como uma das forças da Natureza, quando o vento de enfurece
é capaz da maior destruiçâo.
E, metafóricamente podemos dizer que os ventos atuais nâo sâo os melhores, quando pensamos em Políticos, Administraçâo Pública, justiça e Violência.
Que os bons ventos aregem nosso País! E também o mundo! Beijosssss

Ana Bailune disse...

Olá, Sader.Prefiro falar do vento que traz perfumes e lembranças, leva embora tristezas. Prefiro, a falar das iniquidades humanas. Por isso, adorei ler!

Rita Lavoyer disse...

"Onde tem vento tem respiração"- sei lá onde eu ouvi isso!

Melhor mesmo é que enquanto um vento entra o outro sai. Vento encanado deve endoidar e vento doido vira furacão!
Que os ventos não nos levem, mas que polinizem nossas ideias.
Grande abraço!

Nadir disse...

Jorge o vento inspira, enquanto, escritores, poetas transpiram
versos, contos, crônicas expõem pensamentos.
Mais uma vez, o escritor nos traz de modo claro, incisivo, a realidade que estamos vivenciando. Navegamos para onde? Que os velames, não se partam de vez, não, por culpa dos ventos, e sim pelo caos, que está glaçando o país, onde os valores estão sendo substituído.
Nadir

Caio Martins disse...

Esquenta não, Jorge... inda vai chegar o vendaval para limpar o entulho, derrubar bezerros de ouro e que tais... Vamos soprando, marujo, vamos soprando...
Forte abraço!

marcia disse...

Jorge,iça a vela contra esse vento que canta pranto...No horizonte, ainda há de surgir mansa brisa.....
bjus

Mardilê Friedrich Fabre disse...

Boa crônica, Jorege. Ligação perfeita entre a vida e o vento. Abrs Mardilê

Carmem Velloso disse...

Atualmente, a direção do vento é onde estão concentrados os grandes interesses, onde educação, saúde e segurança não figuram.
Bjs. Carmem

IDERVAL TENÓRIO disse...

Mestre, o vento foi feito para mover o mundo e proporcionar a vida,o vento é soberano,incontrolável e senhor de si, o vento tem o seu caminho traçado e ninguém sabe freá-lo, acontece que o vento é um fenômeno da Natureza indispensável à vida. O vento que hoje se forma nos redemoinhos artificias dos palácios, sao ventos falsos,perigosos e dispensáveis, são ventos predestinados apenas à destruição.
O Vento fenomenal obedece aos critérios éticos e são universais,cosmopolitas e atuam para todos sem distinção de cor,raça,religião ou posição politica.
Os ventos dispensáveis são tendenciosos,pendem apenas para um lado, o lado dos seus aliados,o lado da vantagem ,da usura e da perpetuação de uma idéia.Um abraço Iderval.

Mira Margarido disse...

Otimo texto, amigo. Sim, o vento pode ser suave e agradável, mas pode mostrar sua força destruidora, quando a natureza responde a agressão do homem a ela. E que Deus nos proteja dos maus ventos da corrupção humana. Forte abraço.

Anderson Fabiano disse...

Jorjão,

Há um vento que vem e um outro que vai. No meio deles ficamos nós, com os cabelos em desalinho, eu sei, mas, com o perfume do jasmim, da grama molhada, da moça que passa. Pena que um ônibus acelerou bem aqui, quando eu lhe escrevia.

Meu carinho,

Anderson Fabiano