sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Decisão


     Não posso entender um escritor que não seja um ativista político.                                                                                                                              
          
            Desde bem antes do julgamento dos envolvidos no mensalão, tenho repetido que muitos réus sofreriam recolhimento em estabelecimentos penais, tal a gravidade dos fatos cometidos.
            Quase ninguém acreditava.  Que seriam condenados, o fato era aceito.  Que cumpririam pena duvidavam.
            Em 12 de novembro de 2012, o líder máximo de toda a trama, José Dirceu, foi condenado a dez anos e dez meses de reclusão.  Ou seja, vai cumprir pena, pois a legislação penal brasileira prevê que os sentenciados a oito ou mais anos de prisão cumpram pena em regime fechado.  Em penitenciárias.  Este é o destino de Dirceu, Delúbio e outros, ficando ausente o ex-chefe do Executivo, mas que ainda corre risco de ser apanhado.  Não viu nem mesmo a condenação do amigo, conforme declarou à imprensa.
            Por formação, não me alegro com desgraças alheias.  Nem mesmo com as destes traidores do povo.  Que ninguém se iluda.  Não estou rindo, muito menos festejando a futura ida destes condenados para presídios, situação que não desejo para mim e, portanto, para outrem.  Mas acho injusto Lula ficar fora.  Não acredito, como muitos, que ele tenha comandado tudo, e inventado a trama.  É burro demais para isto.  O chefe foi mesmo Dirceu, que insiste em protestar inocência.  Aqui não me conformo.  Todo o país sabe da sua culpa, e ele a nega?  São provas demais na ação penal 470, examinadas por quem fez da vida o ofício de julgar.  Mais.  O Supremo não erra.  Quando percebe que pode incidir em engano, para, analisa e toma a decisão certa, através dos seus ministros.
            Talvez o alcance da decisão chegue bem mais distante.  A capital paulista está sofrendo diariamente uma série de crimes que envolvem sangue, operação tipicamente orquestrada e dirigida.  Vai haver um basta, no meu entender.  O exemplo foi dado, e convém ser seguido.  Não só lá, mas em todos os lugares onde se cometem crimes na maior impunidade neste país.
            Chega!  O povo ordeiro não suporta mais tanta ofensa, descaramento e cinismo.

12 comentários:

IDERVAL TENÓRIO disse...

A blindagem do Presidente aos poucos vai enfraquecendo ,ela é feita de camadas,a primeira camada era constituída dos duros do poder,já
caíram,depois a dos protegidos,alguns já caíram , a última , a mais forte e de maior resistência a constituída pelo povo ,esta totalmente desmotivada e não mais acreditando no mito.As suas palavras não correrão em vão pelos corredores do país, a terceira camada ruirá ,quem viver verá.O Brasil precisa de dias melhores,o país precisa de mais seriedade ,o Brasil ainda tem cura. Iderval.

Sueli Fajardo disse...

Amigo Jorge, acredito (sabe que sou otimista srsrs) que estamos amadurecendo politicamente, mesmo ainda faltando tanto, mesmo vendo o resultado das últimas eleições, como se fosse um círculo vicioso, que não pudéssemos sair dele. Parabéns pelo texto.

Anônimo disse...

De uma forma ou de outra, nós, os que escrevemos, temos essa responsabilidade.E como não ser se nossa função é observar e decodificar? MOlimPia

Rita Lavoyer disse...

Jorge, eu fui uma das que veio aqui no seu blog , postei comentários em outras postagem dizendo, de pé juntos, que não acreditava na condenação desses ladrões, pelo fato de não mais me iludir com causas desse feito. Disse ainda, que preferia quebrar a minha cara tendo a minha visão desmascarada pela Justiça do que acreditar na condenação e, depois, ver tudo acabar em pizza. Afirmo que é mais gostoso ter a cara quebrada, também afirmo que é mais fácil eu permanecer na cadeia por anos e anos do que ver esses condenados cumprirem suas penas até o fim. Então... se eu quebrar a minha cara m ais uma vez, tendo que morder a minha língua porque os condenados cumprirão penas a té o último dia que lhes foram estabelecido, seria ruim também, mais despesas com alimentação e conforto à ladrões pagas com o nosso suor de trabalhadores honestos e recolhedores de impostos. Fazer o quê... riram, debochando da nossa cara.
Vão para um presídio? Já imaginou a competição que não vai acontecer lá dentro do presídio, entre as facções?
Deus nos livre! Obrigada por suas postagens e por me permitir comentários, Jorge!
Grande abraço!

Célia Rangel disse...

Cai o rei de Espadas/Cai o rei de Ouros/Cai o rei de Paus/Cai, não fica nada.(Cartomante/Ivan Lins)

Habituados estamos em ver tudo "acabar em pizza"... Mãos à palmatória, pelo nosso descrédito, que ainda "vacila" na execução atrás das grades!

BARBOSA é o nome da vez! E, o era com o Rui:"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto."

Reverencio-me, apostando na faxina política!

Abraço, Célia.

Anezinha disse...

Caro Jorge,
Seu texto nos é esclarecedor e fala por nós, fala da amadurecimento político sim, como disse Olímpia, e nos mostra que fatos assim acendem uma luz na nossa esperança, um trago de esperança. Creio em um país com menos impunidade, e creio no Brasil! Você cumpre mais uma vez o seu papel neste
vaso, escrevendo, esclarecendo, postando para nós seu olhar sobre tal fato, tudo muito bem colocado!
abraços
Rose

Mardilê Friedrich Fabre Mardi disse...

Pois é, eu era uma que não acreditava na punição deles, tão acostumada estou com a impunidade. Muito bom ver que estão sendo punidos. Pode ser que assim diminua a roubalheira. Abrs Mardilê

lino disse...

O Joseph McCarthy deve estar às voltas no inferno roído de inveja do Joaquim Barbosa e capangas! Pelos vistos, a ditadura militar deixou muitas saudades por aí!
Abraço

Jorge Sader Filho disse...

Não concordo em absoluto com a opinião manifestada por Lino, de Lisboa, Portugal.
O Supremo é um exemplo de independência e seriedade para os que o conhecem. Sempre foi.
Fica o comentário, por razão democrática, mas sob veemente protesto do proprietário deste blog contra o mesmo.

Jorge Sader Filho

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Deus te ouça, e que se faça realmente justiça. Mas ainda é cedo pra comemorar: a brigada jurídica do dito cujo agora esperneia querendo pareceres de juristas do exterior - já que aqui não tem mais jeito. Acho engraçado também um argumento infantilóide da defesa do salteador petista, pleiteando diminuição de pena em função dos "serviços prestados ao país" no passado. Ou seja, se o sujeito passou 15 minutos num pau de arara em 1968, isso o autoriza a sangrar o erário público - ou melhor, a bater a nossa carteira - impunemente. Seria a blindagem vitalícia por ter tomado um ou outro cacetete quando jovem... ora, faça-me o favor! Um abraço e parabéns pelo texto, Jorge.

petuninha disse...

A primeira e última vez que os brasileiros pintaram a cara foi para pedir o impeacheman do ex-Presidente Collor e a retirada do mesmo dos meios político partidários. O retorno do cassado foi permitido por um erro proposital da Constituiçâo, para dar chance a Ali Babá e demais ladrôes. Com esta democracia devastadora que tem o Brasil, criando partidos políticos em qualquer botequim, surgem pessoas despreparadas para exercer cargos, por causa das malditas coligações. Com relaçâo ao Julgamento do Mensalâo, os verdadeiros homens da Justiça nâo vacilaram nas condenaçôes. Houve os duvidosos querendo libertá-los e até diminuir penas dos corruptos e indiciados quadrilheiros. Se, por acaso algum ex-Presidente for indiciado numa situaçâo desta, será que a Suprema Côrte o condena de verdade? Os brasileiros devem repintar a cara para expurgar do Congresso os incluídos na Açâo 470. E acabar com essa história de serem eleitos e serem guindados para cargos de Ministros e cargos de confiança, dando chance aqueles que nâo conseguiram eleger-se, assumirem como suplentes. Os países de Primeiro Mundo nâo tem mais de quatro partidos.

Anderson Fabiano disse...

Jorjão,

Ainda que as sentenças estejam saindo, ainda que os culpados estejam sendo identificados confesso, meu parceiro, que ainda temo pela chegada da pizza.

Não sei, não sei... acho que ainda tem uma decepção esperando a gente logo depois da próxima esquina. Vamos ver! Tomara esteja eu errado.

Meu carinho,

Anderson Fabiano