quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Os bruxos



O mundo sempre foi ávido pela sabedoria dos bruxos.
Eu acompanho e destaco dois deles: Heidegger e Jung.
Fico intrigado com o ponto que humanamente chegaram estes dois mitos do século vinte. Heidegger é conhecido como o filósofo que soube entender as causas primeiras, e reconhecer que o homem tem sua vida marcada pelo término, fato não aceito por nós, mas uma realidade insofismável.
Contra ele consta a sua inscrição no partido nazista. Foi no começo do movimento, as atitudes de Hitler ainda não mostravam agressividade, mas a recuperação de uma Alemanha combalida.
Ao contrário, Jung sabia com segurança que o espírito de Wotan, o deus guerreiro dos povos do norte europeu, iria influenciar, incitar o alemão e causar a guerra. A situação era inevitável. E transformou-se numa realidade dura de engolir.
O homem, por mais que não queira aceitar, tem seu fim. Tanto o alemão, como o suíço, sabiam bem desta realidade, comum a todos nós, mas que evitamos falar. O futebol, o chope, a caipirinha, o belo traseiro das mulheres, encarregam-se de afastar a ideia. Mas não adianta, mais cedo, mais tarde, vamos nos encontrar com a grande realidade.
Os bruxos que cito sabiam disto perfeitamente. Heidegger foi um grande teórico, mas Jung compreendia o fato na pele. Suas anotações provam o afirmado. Mais de quarenta livros, escritos pelo bruxo de Zurique e Bollingen, na sua famosa casa de pedra, construída por ele mesmo.
A obra de Heidegger está compilada em setenta volumes. O outro bruxo compreendia perfeitamente o limite humano.
Somos nada e somos tudo, ao mesmo tempo. É a conclusão que temos nos estudos dos dois, e na nossa compreensão interna mais profunda.
É quando o cronista encerra, para pensar e concluir que os bruxos estão certos, cientes da nossa finitude.

Nossa compreensão não está sujeita às leis matemáticas.

13 comentários:

Efigênia Coutinho disse...

Muito bom, eu acredito sim em "bruxos" . O ponto de partida do pensamento de Heidegger, principal representante alemão da filosofia existencial, é o problema do sentido do ser. Heidegger aborda a questão tomando como exemplo o ser humano, que se caracteriza precisamente por se interrogar a esse respeito. O homem está especialmente mediado por seu passado: o ser do homem é um "ser que caminha para a morte" e sua relação com o mundo concretiza-se a partir dos conceitos de preocupação, angústia, conhecimento e complexo de culpa. O homem deve tentar "saltar", fugindo de sua condição cotidiana para atingir seu verdadeiro "eu".
Abraços,
Efigenia

Célia Rangel disse...

Associando-me aos bruxos... mentalizo Nietzsche: "O gosto de minha morte na boca deu-me perspectiva e coragem. O importante é a coragem de ser eu mesmo."
E, com tal filosofia de vida, divirto-me no processo vida & morte.
Abraço da bruxa Célia...

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Jorge, bruxo é você em juntar esses dois no mesmo caldeirão! Abraços.

Sueli Fajardo disse...

"Bruxos" inspiradíssimos! Sábios observadores da alma humana. Seu texto se traduz em uma feliz homenagem por meio de uma análise certeira. Bjos.

Carmem Velloso disse...

Embora acusado de nazismo pelos seus contemporâneos, toda a obra de Heidegger foi examinada, não se encontrando uma só frase que pudesse ser interpretada como hitlerista.
Belo trabalho, Jorge.

Beijos.
Carmem Velloso

Nadir D'Onofrio disse...

A incorfomabilidade dos seres em aceitar, encarar a morte, é fugir da realidade em que vivemos. A morte não é loteria, onde somente alguns, são premiados, todos, sem exceção se defrontarão diante dela, um dia!

Nesse momento os seres são equiparados, independente, se, ricos, pobres, cultos, ignorantes, credos religiosos, raças e cor da pele.

Somos filhos da natureza e ela nos dá exemplos diários de que nada é perene.

Heidegger e Jung, dois grandes nomes, que deixaram um grande legado, sem dúvida, quanto a designação de bruxos, bruxas penso que, todos nós possuímos esse dom, em diferentes graus.

Sempre é prazeroso ter oportunidade de ler suas crônicas, Jorge, cumprimentos!

Grata pelo convite!

Nadir

Anderson Fabiano disse...

Jorjão,

bruxo é você pela agilidade intelectual de reunir esses dois monstros contemporâneos num só texto, ágil, dinâmico é tão pleno de informações.

meu carinho (sempre)

Anderson Fabiano

PS: Estou enviando e-mail pra tirar umas dúvidas. OK?

Abçs

nanda disse...

Como analista junguiana, não só sigo seu pensamento, como pratico sua técnica terapêutica que se resume no encontro do conceito de deus em nós mesmos quando passamos pela individuação e temos consciência de nossa finitude e continuidade. Heidegger se apoia no ser para a morte para justificar nossas angústia e nosso vazio existencial. Jung preferiu achar plenitude dentro de nós mesmos.

Caio Martins disse...

Meu querido amigo, neste verão tórrido, fico mais é com "o chope, a caipirinha, o belo traseiro das mulheres", se me permite!

Forte abraço.

Mardilê Friedrich Fabre disse...

O homem sempre quis saber sobre si, muitos filósofos tentam explicar o ser humano, cada qual sob o seu ponto de vista. Inclusive estes dois "bruxos". Bruxos? Seriam mesmo bruxos? Abrs Mardilê

Sueli Fajardo disse...

A vida é um mistério, porque nela encontra-se a morte, para nos colocar em nosso lugar como criaturas que possuem ainda uma longa jornada de aprendizagem. Texto instigante, provocador.

marcia disse...

Concordo com o bruxo quando diz:Somos nada e somos tudo, ao mesmo tempo...Perfeito
Bjus

Cláudio Sebastião disse...

Belo texto! Jung detestava Heidegger! Não sei o que Heidegger tinha a dizer de Jung. Os dois bruxos flertaram com Hitler. Jung saiu rapidamente do barco nazista, já que o grosso de sua clientela era norte-americana e inglesa... Heidegger é o que sabemos: nazista até o amargo fim, como nos informa seu biografo Rudiger Safranski. Dois pensadores importantes que devem ser estudados com extremo cuidado.