quinta-feira, 3 de junho de 2010

O sabor da verdade

Verdade














Não escrevo como terapia, muito menos para dizer que escrevo.
Escrevo porque gosto. Um bom texto fala! Basta que esteja bem escrito e seja trabalhado. Um improviso pode ser brilhante, mas não vai durar muito. Esta literatura para ser digerida, imposta pela propaganda prévia e bem organizada, produz gente como os autores de best sellers norte-americanos, onde existe uma verdadeira indústria do livro medíocre.
Como falar mal é a pior estratégia, afirmo que quem não escreve a sua verdade ou não é lido, ou vai ser esquecido cedo. Sentimentos e emoções têm que ser autênticos, não podem ser copiados nem imitados. Mesmo porque é impossível imitar um texto todo. Uma, duas frases, talvez passem. Na terceira vem o desastre, exceto quando se copia um texto inteiro, o que não é nada raro. Num concurso de versos, concurso importante, é bom dizer, há bem pouco tempo, um cínico enviou um poema completo de Olavo Bilac. Ficou em trigésimo primeiro lugar... Imagine-se a banca seletora, depois de saber do fato.
Um outro, de apenas treze anos de idade, enviou para concurso diverso do citado, um trecho grande, extraído do “Espumas Flutuantes”, de Castro Alves. Primeiro lugar destacado, até que descobriram a peta.
Influências todos sofremos. Mas querer passar disto é demais.
Nada como o texto enxuto, corrido, trabalhado, aquele que quando se lê tem sabor da verdade.
A literatura, como qualquer outra arte, não tem espaço para falsários. Não sabe escrever? Ora, vá vender pipocas...

11 comentários:

Leonardo B. disse...

[agradecer a reflexão, é pouco... vou guarda-la para o meu dia! Agradeço antes a sua sabedoria... assim como espero não ter que alguma vez "vender pipocas"!]

Um imenso abraço,

Leonardo B.

* aliás, tento-me recomendar, todos os dias quanto posso, que há neste mundo da escrita dois tipos de interessados: os que escrevem e os que vendem... a que se pode acrescentar um terceiro tipo, "os que se vendem". Abraço Outro!

Caio Martins. disse...

Grande Jorge, se me permitir, como escrivinhador metido a besta, assino junto com Leonardo. Influências temos, evidentemente, de todos autores, os "Mestres", de quem aprendemos recursos do idioma e "manhas" até por osmose. Todavia, estilo é questão particular, impressão digital, DNA. Não há que perder tempo com quem tem, por estilo, fraudar.
Pipocas? Manda logo pra 'taqueupariu!
Abração. E vamo que vamo!

iracema forte caingang disse...

Oi lindo! Muito bom o texto.
Grata pelo comentário,tudo de bom mil beijosphopaggl

Blogat disse...

TUDO na vida deve ter sabor de VERDADE,senão ,não é.
E não fica.

Livinha disse...

Parabéns Jorge, lindo texto e bem preciso quando a forma de explora-lo. Verídico pressuposto, de claro entendimento.
A escrita nada rara no que se diz respeito aos falsários das letras, aqueles acomodados que despertam a vontade de algo receber, sem dar ao luxo de repassar algumas letras. Com certeza, são meras agendas, vencidas sem atualizações, contrariando ao dom da escrita dos próprios lívros ambulantes que muito tem por repassar, pelas colheitas que se propões na leitura do universo em suas buscas de compreensão nas conjecturas que lhes apraz

Maravilhoso texto

Linda semana
Bjs
Livinha

Pedro Jorge disse...

Plagiar e mentir dempre foram maus negócios. O falsário é descoberto, cedo ou tarde.
Bom tema, Jorge. Texto impecável!
Abraços.

Rose disse...

Olavo Bilac em baixa absoluta!
E tantos autores acreditam em concursos! É o fim.
Parabéns pelas denúncias, onde contou o milagre, mas não disse o nome do santo, e pela crônica.
Beijos.

Deputado Tomelin disse...

Caro Jorge,

Agradeço o comentário e o apoio! Aproveito para parabenizar o conteúdo do seu blog!

Abraços,
Deputado Tomelin (PSDB).

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Onde é que eu assino? Bravo!

Marliborges disse...

É isso aí, falou e disse! Também penso assim.
Achei interessantes os dois episódios que você acabou de relatar e penso que dariam uma boa reflexão acerca do que seria objetivamente o "saber escrever", considerando-se a carga de subjetividade que encerraria a aferição de um conteúdo dessa natureza, embora previamente contextualizado. Em minhas leituras, tenho prestado muita atenção a esse respeito. Mas olhando do seu ponto de vista, concordo plenamemnte. É o nosso velho e conhecido ditado: "quem não tem competência, não se estabelece"
Adorei estar aqui, voltarei mais vezes. Bjsssssss

Anônimo disse...

É verdade jorge,vender pipoca!!!Só se for aquela do carrinho antigo ondas as branquinhas pulavam esbaforidas..de preferência com sabor de verdade.
.Cadê você!..bjus..Marcia