segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A responsabidade no escrever

Artemis


















      Preocupo-me sempre quando escrevo algo.  Como já confessei, o medo do branco envolve muitas coisas e fatos.  Um deles é deixar nossa alma exposta.
      Diria que além de ousar, o ato de escrever tem lados claros e lados escuros, como tudo nesta nossa vida.  A criação, seja do estilo que for, é um mistério.
     Uns têm a capacidade de criar, outros a de ler, saborear, interpretar.  Odiar, inclusive.  Quantos autores não ficaram com a fama de “malditos”?
     Agressivos, não respeitam nada, não lhes interessa se o leitor tem suas convicções, seus anseios, sua coragem e medo.
     Escrever é, antes de tudo, ter responsabilidade.  Os irresponsáveis põem-se a discutir o sexo dos anjos, mas camuflando muito bem a realidade.
     Escrever é um ato que exige não só o conhecimento da língua, como fazer isto com elegância, sem dar margem a discussões sem propósito.
     Os que acreditam que tranquilamente podem pegar a folha de papel ou a tela e o teclado do computador dizendo o que bem entendem são falsários.  No mínimo, iludidos.
    Escrevem tolices em cima de tolices e não se dão conta – ou não querem fazer isso – que estão massacrando a tão bela e sutil literatura.
    Não, a verdade que envolve o ato de escrever bem reside exatamente em esclarecer o leitor, envolvê-lo com um romance de bela trama, ou uma poesia que o encante...
    A ousadia e o improviso, quando se cria, têm que ser acompanhadas de talento, que pode ser maduro ou ainda se formando. 
    Insisto numa tecla: escrever pressupõe responsabilidade.
    A História registra casos e mais casos terríveis, que deram origem a guerras, conflitos internos, práticas criminosas e endurecimento do espírito humano, todos causados por livros de pessoas completamente insanas. 
    Pior: muitos deles, até hoje, são admirados como gênios...

18 comentários:

Márcia Sanchez Luz disse...

Jorge, gostei muito de seu texto. Escrever e pretender ser lido envolve, certamente, boa dose de comprometimento e responsabilidade. E, claro, há que ter talento e se dispor a trabalhar muito...

Beijos

Márcia

Rosana disse...

Oi Jorge...Teu texto é mesmo muito interessante e concordo com a respondabilidade em escrever, apenas não sei até que ponto expor a alma é um problema...
Será?
Um grande abraço...
Ahhhhhhhh...escutei outro dia na Rádio Sol um poema teu...amei...
Beijoooooooooooooo

Marcia disse...

Texto perfeito Jorge, em todos os sentidos.Tenho medo de escrever
das letras publicadas que não vou poder apagar...Escrever, exige trabalho e muita responsabilidade...

bjus...Marcia

lino disse...

Há quem se esqueça de que as palavras podem matar. Se foram mal escritas, então matam duas vezes: a língua e as pessoas.
Abraço

Mari Amorim disse...

Excelente texto!
Desejo que seus dias,sejam iluminados pela essência Divina,com "Boas Energias Sempre!"
Abraços
Mari

Jorge Sader Filho disse...

Volto a dizer: surgiu como meu seguidor Condorcet Aranha, escritor brasileiro recentemente falecido. Não sei como foi parar na minha lista de amigos, mas recebo com gosto e orgulho.
Quem o colocou lá tem seus motivos.

Abraços a todos, obrigado pela colaboração neste blog.

Jorge

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Muito bom texto, Jorge. Para refletir e concluir, ESCREVENDO: concordo! Abraços.

Caio Martins disse...

Jorge papel em branco, ou hoje, a telinha, aceita qualquer coisa. Difícil é separar o autêntico do imitador e o sábio do mistificador nesse imenso universo. E encontrar seu texto, é como achar um diamante no areal de um deserto.Parabéns!
Forte abraço.

Blogat disse...

"um deles é deixar nossa alma exposta", basta isso.
Grande abraço.

ღPat.ღ disse...

Adorei imenso ler-te neste post. O ato de escrever requer responsabilidades, sempre!

Saudade de ti tbm.. beijos meu lindo!

Rita Lavoyer disse...

Jorge, você deve ter os seus motivos para estar brabo deste jeito. Na primeira leitura li o seu texto simplesmente. Na segunda leitura coloquei-me de pé e fui lendo-o em voz alta, para eu mesma poder me ouvir,interpretrando-o, interpretando-me.
Vou me policiar.
Abraços
Rita

Anônimo disse...

Olá, Jorge sou Willy Aranha, filho do poeta Condorcet Aranha, ele realmente faleceu, porém, sempre comentou que poetas são imortais, e como ele tem várias poesias, contos, crônicas,trovas e prosas que não foram publicados, nós da família Aranha estaremos atualizando o blog, twitter e facebook. E em breve estaremos lançando mais 3 livros.
Continue acompanhando o trabalho do meu pai: http://condorletras.blogspot.com/

abraço

Mari Amorim disse...

Bom final de semana,boas energias!Obrigada pelo carinho da visita,Luz!
Mari

Anderson Fabiano disse...

jorjão,
entendo que escrever é domar ilusões, ser operário dos sentimentos e refém das paixões, mas, concordo (uma vez mais) com o amigo, escrever é ser responsável também. parabéns por mais esse texto.
meu carinho,
anderson fabiano

Rob Novak disse...

Concordo, escrever envolve responsabilidades. Filtrar o que se quer escrever e definir a melhor forma para tal é essencial a quem se presta como escritor.
Abraço e bom domingo!

Aline Patrícia disse...

Concordo contigo, Jorge, escrever exige responsabilidade, pois não existe expressão verbal sem posicionamento: qualquer discurso transmite muito de nós: sonhos, crenças, desejos, ideologias... Eu sou daquele tipo que escreve sem muito pensar nos possíveis leitores, mas já me aconteceu de ser "cobrada" por um tanto de mim que acabei por expor numa dessas crônicas de coração aberto. É preciso coragem... coragem e consciência, ainda mais quando se está publicando textos num espaço de alcance tão incauculável como a internet. Sempre bom te ler, texto crítico e muito bem articulado. :) Beijos

Liège disse...

Excelente reflexão, Jorge!
Concordo com você.
Um grande abraço.

Ana Maria Pupato disse...

Concordo plenamente e você trouxe como reflexão um parâmetro esquecido que é a ética. Parabéns por tão contundente texto que nos leva a reiterar a importância do ser reflexivo.
Beijos mil!!!!