sábado, 14 de maio de 2011

Decadência













Decadência

            Quando o cronista escreve sobre o que está havendo de decadência no seu país, a alma chora.
            Estamos em profunda decadência social e moral.  A econômica é uma incógnita.  Não temos acesso aos números que permitam verificar.
            Saudosismo?  Seria bom que fosse!  Seria ótimo que estivesse enganado.
            Quando era colegial, no ensino público, mais exatamente no meu querido Liceu “Nilo Peçanha”, que era em Niterói o que o “Pedro II” é no Rio de Janeiro, exemplo de colégio de nível secundário, batendo mesmo os melhores da rede privada e formadores de grandes talentos, o andar da carruagem era outro. 
            Uniforme impecável, cheguei mesmo a usar túnica com gravata, terno completo de um estudante.  Evoluiu depois, tendo em vista nosso clima, para calça azul, camisa branca e gravata.  Sem o dólmã.
            Ensino dos melhores, professores respeitados, alunos comportados.  Desrespeito ao professor era punido com a expulsão.
            Havia, antes das aulas, a formatura no pátio.  Inspetores e inspetoras avaliavam nossa compostura e traje.  Aí de quem estivesse com os sapatos sujos! 
            Hino Nacional cantado, ao mesmo tempo em que a Bandeira era hasteada.
            Diferença para hoje!  Não quero, não devo nem posso julgar valores.
Perto do ensino antigo, o de hoje é marginal.  Repito que não estou fazendo discriminação, mas tão somente comparação.
            Hoje aluno agride o professor.  Se não é ele, são seus pais.  É fato corriqueiro a pergunta “que nota é essa para o meu filho?”  E todos sabem que o pagante, ou mesmo o que estuda em escola pública, sofrem o mesmo “constrangimento”.  Não podem ser chamados à atenção!
            A presidente Dilma, em enérgico pronunciamento há dias atrás, prometeu providências severas quanto a este tipo de coisa.  Mas ainda nada fez, não por desleixo.
            O Brasil é mesmo um grande saco de gatos!

imagem:  Liceu "Nilo Peçanha"/Google

17 comentários:

Espelho disse...

Em muitos setores eu concordo, principalmente na educação. Mas, antes de culparmos os governantes, quero dizer que o mundo mudou. Tudo acabou o que resta aí é somente contagem de tabela. A fase destrutiva de seres humanos foi extinta. Quem estiver no comando nada vai poder fazer de muito melhor ou de equilibrar o seu povo e sua nação...
Tudo agora está em mãos de quem tudo sempre comandou naturalmente sem que nós percebêssemos - A Natureza.
Agora, o que temos de fazer é nos treinarmos no natural para esta nova fase de vida venha ter uma melhor qualidade de vida humana paras terra e para os seus filhos, os terráqueos.
Um grande abraço amigo,
Mel

Mardilê Friedrich Fabre disse...

Jorge, trabalhei como professora muito tempo e acompanhei esta decadência do ensino. Para mim foi muito marcante, entre outras coisas, a reforma do ensino que estinguiu o ginásio, diminuindo um ano de ensino, tirando o latim, o francês e o espanhol e até o inglês, unificou os cursos clássico e científico em segundo grau, além do sucateamento do ensino técnico. Isso no aprendizado. Ainda contribuem para isso, a meu ver, a mudança de valores, a desvalorização do professor, o despraparo dos pais que querem que a escola eduque seus filhos, coisa que eles não conseguem, às vezes, porque têm que prover o sustento da casa, a transfromação da família, a disseminação da droga, a banalização da violência, mostrada pela mídia, a advento da internet e o seu mau uso e por aí vai.
Abrs.
Mardilê

Caio Martins disse...

Jorge, sabe que sempre recomendei, aos que defendem delinquentes juvenis, que os levem para suas casas... A impunidade de hoje é o resultado de processo de imbecilização pedagógica iniciado nos anos 70, somado à libertinagem social sobreposta ao princípio da liberdade institucional. A lei protege o crime, não importa a idade. O sistema atual é um gerador de delinquentes "nunca visto antes na história deste país". A qualidade humana ficou na saudade.
Abração, meu amigo, e parabéns.

petuninha disse...

Basta olharmos à nossa volta para vermos que esta decadência é de toda a cultura ocidental, que está como um trem sem freios numa grande descida. E, não dá para salvar uma cultura e uma civilização que estão ôcas e sem alicerces. A crise é de todos os setores da vida.O trem precisa se arrebentar todinho para começar tudo novamente sobre fundamentos sólidos.
Beijos.

cristinasiqueira disse...

Oi Jorge,
Temos que admitir é saudosismo sim pois sabemos o que é bom e sabemos separar o joio do trigo.Havia respeito,comprometimento,EDUCAÇAO ..."ai se os sapatos estivessem sujos"define um época,uma postura.
Temos que nos voltar para baixo,olhar e conferir de novo os sapatos...sair da ilusão ,criar em nós o possível homem novo a começar em nossas casas,trabalho,escritos...e não parar favorecendo a transformação das consciências.É a saída honrosa.
Ótima reflexão.

Bom domingo,com carinho

Cris

lino disse...

Amigo Jorge,
Não é só no Brasil. É assim por toda a Europa e nos estados Unidos.
Abraço

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Jorge,
Seu repúdio é meu repúdio, é muito triste tudo isso. Além de tudo o que você citou, existe ainda - não generalizo, mas que existe, existe - a pressão sobre o professor de passar os fedelhos de ano a qualquer custo, pra que a linha de produção de semianalfabetos não pare. A fila anda, e é preciso despejar formandos na praça, ainda que sejam imbecis. Uma pena. Meu abraço!

Mari Amorim disse...

Amigo Jorge,
a inversão de valores,grita!
Excelente semana!
Um abraço cheio de boas energias!
Mari

Solange Belém disse...

Jorge, é uma pena!
Infelizmente, fatos como esses são (mas não deveriam ser) corriqueiros no nosso dia a dia.
Um abraço com carinho

Sol

Teresinha Oliveira disse...

Colega de Colégio - Também estudei no Liceu. Nossa atitude em relação à escola e aos professores era completamente diferente da atual.
Uma mudança educacional no nosso país depende fundamentalmente do Governo, mas também dos pais. Não tenho esperanças de que algo mude de maneira substancial.

Pedro Luso disse...

Caro Jorge,

O ensino no Brasil, que é um caos - como você diz bem -, ficará pior com a permissão do Ministério da Educação para que a nossa língua seja ensinada com erros de gramática.

Vale a pena ler o pronunciamento feito abaixo, divulgado pela Agência Senado:

Em discurso nesta segunda-feira, 16, no Plenário, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) criticou livros didáticos autorizados pelo Ministério da Educação (MEC) que admitem o ensino da língua portuguesa com erros de gramática. Assim, de acordo com o senador, o Brasil vai criar duas línguas: o Português dos condomínios e dos shoppings e o Português das ruas e dos campos.

"Permitir a criação de dois idiomas é quebrar o que há de mais substancial na unidade de um povo", afirmou.

O senador criticou o argumento de que é preciso quebrar o preconceito contra aqueles que não falam bem a língua oficial e afirmou que o ideal é ensinar a todos o português correto. Para Cristovam Buarque, o povo e a elite precisam aprender a língua oficial e sem erros. O senador lembrou que nos concursos públicos e vestibulares não são aceitos os erros de gramática.

"Não se trata de sotaque, nem de vocabulário, mas de gramática. Permitir duas línguas é fortalecer o apartheid brasileiro."

Grande abraço,
Pedro.

Tais Luso disse...

Jorge: lembro bem quando meus filhos entraram no segundo grau: que decepção! Eu procurava por livros e só vinham apostilas feitas pela escola. Eles estudavam por apostilas. Graças a nós, seus pais, tiveram algo mais. Demos a eles o que recebemos em nossas vidas de estudantes.

Na sua narrativa sobre respeito, uniforme, estudo de línguas estrangeiras... Tudo certo. Havia respeito por tudo, principalmente pelos nossos professores. Agora as escolas viraram campo de guerra e salve-se quem puder. E assim formam-se nossos advogados, médicos, engenheiros - e neles temos de confiar? Seremos cada vez mais uma sociedade de cobaias enquanto as coisas continuarem a descer a lomba...

Sinto em dizer o que vejo, mas nossos jovens eram outros quando a educação era vista com mais respeito, com responsabilidade pelas autoridades. Hoje ela não passa de sobrevivente.

Beijos
Tais Luso

Aline Patrícia disse...

É uma situação muito triste, Jorge, acabei de me licenciar em Letras e como já lido com atividades de ensino desde os 17 anos, isso me preparou um bocado para conviver com esse clima de hostilidades e desvalorização social. Mas não é fácil, sei que, pelo andar da carruagem, seguir na educação é um desafio cada vez maior.

Sempre é bom viajar um pouco nas tuas vivências, boa memória, boas lembranças de tempos melhores que não conheci!

Acabei de atualizar o blog, depois de tanto tempo, aguardo uma visita sua. Beijo, Pati*

Blogat disse...

Choramos pelo Brasil, por nós, pelo mundo, onde não existe mais respeito. Muito triste mesmo.
Muito boa reflexão.

Parole disse...

Uma fábrica de marginais de todos os tipos e para todos os gostos, é nisso que se transformou esse país.

Bjs

Rita Lavoyer disse...

Quando o assunto é Educação, nos lembramos que isso já não existe há anos em muitos lugares.
Até para se fazer cultura esquece-se da educação, mesmo porque não vi , até hoje, em nenhum livro de História alguma luta em benefício da coletividade que tenha sido ganha com abraços e beijos.
Então... estamos muito civilizados, por isso deixamos a educação como está?

Anderson Fabiano disse...

Jorjão,
Quando Milton Nascimento disse: "certas canções que ouço, cabem tão dentro de mim, que perguntar carece como não fui que fiz" não sabia, mas estava preparando esse meu coment para você.

Faço minhas cada palavra, cada vírgula, cada assertiva dessa oportuníssima crônica (uma vez mais!)

Acabo de ler num outro blog que o governo "inventou" que não existem mais formas certas ou erradas de escrever nosso idioma. Mas, formas "adequadas" ou "inadequadas". (!?)

Meu Deus! Que saudade (é saudosismo assumido mesmo) dos tempos em que a gente tinha que se levantar quando os professores entravam em sala...

Meu carinho (sempre),

Anderson Fabiano