sábado, 12 de janeiro de 2013

O casamento da amada



















Muitos estranharam a presença do homem de meia-idade que assistia ao casamento de uma linda moça com um rapaz nem tanto.
Finamente trajado, demonstrando educação esmerada, o homem claramente demonstrava não ser qualquer mortal desconhecido, embora seja isto, na realidade, o que somos. Prestava atenção na elegância e requintada beleza da noiva. Vez por outra, uma lágrima corria dos seus olhos. Explica-se: durante dois anos, foram apaixonados. Paixão que não se concretizou, não namoraram, não ficaram juntos. Mas nem por isso deixou de ser muito intensa.
O encantamento da noiva causava inveja aos magoados pela vida. Nosso homem, não. Exibia um sorriso de contentamento. Seu convite, por especial delicadeza, partiu da própria noiva. Na cerimônia, só ela o conhecia. Podemos dizer que aos olhos dos presentes, era um intruso. Mas com compostura que ninguém se atrevia de perguntar quem era ele, e o que fazia ali. A dignidade da sua aparência não autorizava tal medida. Ele sorria. As lágrimas de amor que rolaram na sua face foram de contentamento.
 Ele jamais poderia casar-se com a bela e delicada jovem que recebia as benções do matrimônio dadas pelo celebrante. Estranho mundo! Quando muitos se odeiam por razões insignificantes, o nosso homem encontrava-se calmo e feliz. Era isto que o seu rosto demonstrava.
Foi abordado por um parente da noiva, com discrição. Perguntado quem era, uma falha terrível de quem se presta a estes papéis, mostrou o convite tirado do bolso interno do paletó, que dava direito a participar da cerimônia e da festa. Muitas questões são misteriosas, nesta vida. Neste exato momento, talvez pressentindo que havia algo a ser resolvido, a noiva virou um pouca a cabeça e viu a cena. Lançou um belo sorriso. Seu tio, sem mais o que fazer, apenas perguntou ao homem que se mantinha inabalável, pelos menos externamente.
  — Estou vendo que é conhecido da sobrinha, e sua fisionomia demonstra ao mesmo tempo alegria e tristeza. Posso saber o que se passa, senhor?
— Pode sim. Fomos apaixonados. A felicidade dela é a minha felicidade.
Terminada a cerimônia, a noiva ao passar por ele deu um olhar, como que de respeito e agradecimento. Os olhos brilhando do nosso homem responderam, com carinho e amor. A felicidade dela era sua também, é bom repetir. 
São coisas da alma, coisas da vida...

15 comentários:

Rita de Cássia Zuim Lavoyer disse...

Jorgeeee !!!!!!!!!!!!!
Isso é coisa de escritor porreta, siô!
Fosse um escritor de novela mexicana já teria escrito gritos na garganta da noiva e tiros pela igreja toda.

Mas não! O Jorge, entendedor das almas apaixonadas, sabe que o casamento real nesta situação é mais um pretexto para o crescimento do amor daquele Homem por aquela Mulher e vice-versa!

Que mulher sabendo que há uma relíquia de Homem apaixonado por ela, como este personagem, vai ter olhos somente para o esposo?

Engraçado que o novo tornou-se velho no momento do "sim", e o velho se renovará a cada suspiro!


Esse cara não é o noivo!
Cai fora Roberto, que o Ricardo tá na parada!

Noooossaaaa! Que texto!

EstherRogessi A.Mendes disse...

Salve Jorge!
Maravilha de texto - as coisas simples costumam ser belas -; maravilhosa atitude, do apaixonado senhor; definição do verdadeiro amor, que funciona assim: "A felicidade de quem se ama é a nossa felicidade, e quem faz o meu amor feliz é digno - no mínimo - de respeito."
Infelizmente, alguns pensam que amam e, dizem: "se não for feliz comigo, não será com mais ninguém!"

Só a sabedoria adquirida através dos muitos anos capacita-nos a atitudes dignas, tal qual a do personagem em questão;como em tudo há dualidade - infelizmente, há quem permaneça néscio eternamente.

Saudações poéticas,

Marco Bastos disse...

Bom dia, prezado Jorge. Como sempre um lindo texto que remete à meditação. A vida é feita de encontros e desencontros, de encantos e desencantos. A nobreza dos gestos e quase coisa rara. Fazer de outrem a sua posse é um grande desacerto que no mais das vezes infelicita. abraços.

Célia Rangel disse...

Jorge!
Ler seus contos, crônicas e poemas é permitir-se a um delírio emocional. Intenso!
Dizia Vinicius: "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida". A arte de amar, ser amado e deixar-se amar é intimidade, nem sempre revelada... A cumplicidade do olhar revela.
Abraço, Célia.

petuninha disse...

Prezado Jorge!
Há determinados fatos que não ocorrem apenas em novelas! A vida é uma grande novela, onde os acontecimentos mais inusitados ocorrem!
Esta narrativa comove pelos sentimentos que demonstra, como o Amor, a renúncia e o desprendimento!
"Um sentimento vale mais que mil pensamentos".

marcia disse...

Jorge,lindo seu texto..Esse amor que você descreve existe na vida real...bjus

Mardilê Friedrich Fabre disse...

Que grande conto, Jorge! Isso é amor. Eis uma pergunta que não quer calar: uma amor assim existe? Abrs Mardilê

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Belo retrato dessa senhora inconstante e caprichosa chamada vida. Parabéns, Jorge.

Carmem Velloso disse...

Fico admirada com a capacidade do autor. Quando pensamos que sua munição esgotou, surge uma ideia absolutamente nova, mostrando a fertilidade de Jorge.
Parabéns! Abs. Carmem

IDERVAL TENÓRIO disse...

Mestre, os grandes homens ficam felizes com a felicidade dos que amam. A felicidade é relativa, a felicidade é a melhor maneira e tática de cultivar e manter a saúde.Um abraço e envio um texto de um velho amigo.

O CORONÉ E A LUA DE MÉ.
Quem sabe se este fato não faz parte da estratégica do velho. Aoexto.

O CORONÉ E A LUA DE MÉ
ILDO SIMÕES
Um certo doutor Tinoco
Já chegado nas idades
Paquerô menina nova
Uma verdadeira beldade
Mas em matéra de janero
Só tinha dele a metade.

Viajaram pra Paris
Pra passar lua de mé
Todo mundo comentava
Da menina e o Coroné
Sete dias de passeio
Sendo cinco no moté

No começo aquele fogo
Verdadeira patuscada
Dava três em cada tarde
E mais cinco por noitada
No quinto dia o vexame
Começou a fraquejada.

Cuidou da alimentação
Mas cada dia pió
Apelou pra bruxaria
Nem assim ficou mió.
Foi correndo ao celular
E pediu vaga no incó.

O coroné tomou o vôu
Lá pro incó de sun Palo
Dispois de muitos ixames
Na barriga acharam um calo
O coração disparado e
O sangue muito ralo.

Juntaro os especialistas
De Jatene ao Diretor
E fizeram o veredicto
Sem ninguém se contra pôr
A sua doença é esclerose
Cum estravagança de amor.

É doença passagera
Pió se fosse maleita
Fique Carmo e confiante
Brochada nunca é disfeita
Vá correndo a Sarvador e
Mande aviá esta receita.

Um litro de catuaba
Nós moscada e pixulim
Vinte grama de castanha e
Um quilo de amedoim
Erva de são Cipriano
Da feira de São Joaquim


Hoje em dia o coroné
Miorô seu furunfá
Aprendeu que mingau quente
Só se come devagá
E fogo de mué nova
Tem que saber apagá.


Jota Effe Esse disse...

Nesse mundo tem mesmo coisas que não se pode explicar. O Personagem focalizado é uma raridade, mas existe. Meu abraço.

Anderson Fabiano disse...

Jorjão, a beleza jamais precisou de explicação. Muito menos o amor. A magia parece dominar seus textos e assim, transborda-nos a beleza e o amor. Sem nenhuma explicação...

Meu carinho, parceiro (sempre)

Anderson Fabiano

cristinasiqueira disse...

Ai ! que maestria ao escrever sobre o amor.Tema por vezes distante do dizer dos homens.E que belo supor este enredo,o sacrifício voluntário por amor.
Mas também estou aqui para lhe falar de gratidão por existires nesta pauta louca e lúcida com que sirvo o banquete da vida.Meu tempero forte que me fascina em sua própria alquimia e me distancia daqueles à quem admiro e me fazem ser no tanger de afinidades nem sempre explícitas mas com certeza presentes.
Beijos carinhosos de pura admiração

Cristina Siqueira

Espelho disse...

Elegância e excelência a escrita e o tema!
Se realmente soubéssemos dos mistérios de nossas vidas - sempre assim deveríamos agir! Simplesmente com amor!
a vida na manifestação terrestre tem assuntos inexplicáveis e que somente a Ufologia nos diz como funciona - porque é assunto que Extra terrestre sabe, nós estamos esquecidos de nossas memórias extra cósmicas...
Existe a união de seres intra terrenos - yin (fêmea) e yang (macho)qdo atingem a evolução cósmica de serem individuais... Na evolução Aquariana - espacial - irão unificar o yin e o yang em um único corpo material... Eram hermafroditas e foram separados, evoluíram, enqto indivíduos... E agora partirão para a evolução num só corpo - as Almas gêmeas tão buscadas em toda a eternidade que foram separadas... Muito lindo isto! Adorei ler vc Jorge! Mel Racional

Caio Martins disse...

Muito bom, reler a estória! Forte abraço, me'rmão!