sábado, 3 de fevereiro de 2018

Parlamentarismo

                                                    

            Temos, todos nós, eu inclusive, a mania de lavar roupa suja em público.
            Assim é agora e todo o sempre.  Os petistas estão em pânico.  Queriam porque queriam uma América do Sul bolivariana.  Ora, Bolívar foi um alienado político.  Não enxergando um palmo adiante do seu nariz, pretendeu juntar as Américas sob sua estranha doutrina, na qual só podemos pensar, nunca por em prática.  Ela é exclusivista, discriminatória e não atende as normas gerais de Direito Constitucional aceito e respeitado em todo o mundo.
            Socialista atual?  De jeito nenhum.  Mesmo da forma antiquada, onde o regime restringia-se aos ditames de um povo inculto e carneiro das elucubrações marxistas?  O filósofo inglês Bertrand Russel simplificou com muita propriedade o pensamento marxista: perigoso filosoficamente e equivocado matematicamente.  Russel foi conhecido matemático, enquanto Marx, advogado, nada entendia desta muita difícil ciência. 
Existem advogados apaixonados pela ciência dos números, como por exemplo, o ministro Barroso, do STF.  Mas conforme ele mesmo declarou, numa entrevista televisionada, parou seus estudos quando entrou o cálculo newtoniano.  Não por falta de capacidade, mas era, na época, chefe de um escritório muito movimentado no Rio de Janeiro.  Era preciso dedicação integral, e sua responsabilidade profissional exigia isso.
Ora, o STF já decidiu, em 2016, que transitada em julgado uma sentença de segunda instância, o réu deve ser preso e passar à pena incontinente, os recursos são muitos e corre-se o risco de prescrição, até julgamento final do Supremo.
Foi o presidente mais popular?  Talvez sim.  Mas também o que mais subtraiu o Tesouro Nacional, desde que temos dirigentes aqui no país, inclusive os das Capitanias Hereditárias, das quais somos vítimas até hoje.
Orgulhamo-nos da nossa democracia.  Que democracia, se os algozes nos ferem, e só em janeiro de 2018 já morreram treze policiais militares no Rio de Janeiro, combatendo o crime organizado?
A situação atual é muito pior da que se imagina.  Social, educativa e desenvolmentista.  A solução é uma só: trabalho.  Trabalho honesto, por toda a sociedade e pelos representantes dela.  Sem presidencialismo, o motivo de todas as discórdias, mas com um parlamentarismo exemplar.  

         

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Acontece mesmo

                            

            Fora de moda, de tempo, de tudo.  Aliás, se está fora de moda, não é preciso dizer mais nada. 
            Para variar, calor.  Também para variar, sujeira, baderna, bandidos, uns de gravata, outros de tênis ‘de marca’ e bermudas.
            Entrou num botequim sujo.  Tomou duas talagadas grandes, antes de consumir o resto do copo.  Como andava de tênis, o copo era de aguardente mesmo.  Álcool é bom, mesmo para quem está viciado em maconha.
            ── Tudo em cima, Zezinho?
            ── Tudo.  Geraldo já deu as caras?
            ── Eu não vi.
            ── Tá me devendo.  Entreguei oitocentas gramas.
            ── Dizem que é de confiança.
            ── Se não for, é chumbo nele.
            Pediu uma cerveja.  Imagine, um homem de péssimos antecedentes, maconhado, bebendo cachaça e cerveja.  Estava armado.  A tal ‘Glock’, pistola da moda, cara no país, barata na Europa.  A televisão do bar estava ligada.  Surgiu uma imagem de mulher, que ele reconheceu na hora.  Fora assassinada, havia traído o chefão do lugar.  Com um policial, imaginem só, com um policial!  Só a morte mesmo, com tortura anterior.  Foi exatamente isto que aconteceu.
            Sinal dos tempos.  Sim, dos tempos e acontece em qualquer lugar do mundo.  Este?
            Foi no Brasil mesmo.  Onde tem cachaça no mundo?  Calor, vagabundos e impunidade?  Aqui.  Infelizmente, aqui, especialmente onde o caso ocorreu, no Rio de Janeiro, para a minha vergonha de carioca.  Brasileiro?  Claro, mas este assunto merece CPI.  Não sabe o que é isso?  Comissão Parlamentar de Inquérito.  Bandido julga bandido, nestes casos mais rasteiros. 
            Pena!  Grande pena.  Mas acontece!

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Invenção não é mentira

                                  

            Gosto tanto da fantasia como da realidade.
            Fácil entender.  De anos para cá, dediquei-me exclusivamente a escrever.  No início só crônicas e contos, que acabaram se tornando três livros. Nada demais, apenas textos.  Mas quem escreve não parte do nada.  Assim é que a partir de um fato ou caso, ou mesmo pessoa existente, coloca-se uma boa dose de fantasia nela.  Veja bem, fantasia, mentira não.
            É muito diferente!  Um campo de flores e outro só de grama vagabunda, capim mesmo.  Ora, o lugar florido é muito mais bonito.  Beleza em si mesma, posso ficar calado e pronto.  Assunto resolvido.  Já o outro, a gente inventa.  Coloca um belo cavalo, ou robusta vaca pastando e a cena se modifica.  Caso seja uma bela mulher montando o cavalo citado, como uma dama mesmo, a cena muda bastante.  Caso seja loura, esteja nua e com os longos cabelos escondendo parte do seu corpo, vira outra Godiva, e aí já é obra de arte.
            Então repito: invenção e mentira são muito diferentes. 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A arte de escrever

                                      

            Muitas e muitas vezes penso sobre este assunto: a arte de escrever.
            Ela é penosa e prazerosa, ao mesmo tempo.  Penosa quando exige de quem escreve rigor com a língua.  Muitos bons textos são prejudicados pelo mau português, a colocação das frases e outros fatos que vão ser apreciados aqui mesmo.
            Prazerosa quando o autor consegue atingir sua meta: fazer um trabalho limpo, que agrade ao leitor e a si mesmo.  Aqui moram as maiores dificuldades. Não pretendo ensinar a ninguém como se escreve, seria ridículo.  Posso, isso sim, repetir o que ligeiramente já falaram grandes autores em relação ao assunto.  Hemingway, por exemplo, que considero o maior de todos eles, dividindo por igual a glória com Shakespeare.
            Dizia que principalmente o autor deve ser direto e nunca começar seus textos com interrogações, a confusão futura será inevitável.  Ser dono de conhecimento sólido da língua que escreve.  Evitar a todo custo a prolixidade, mãe das inconveniências para o leitor.  Partir de uma ideia certa e nunca ficar procurando formas de escrever que o agradem.  Um erro!  Quem escreve, faz isso para os leitores, não para si mesmo, senão vira diário particular.  Esta forma pode até existir, mas se o objetivo é exatamente este: revelar fatos passados, memórias. Temos muitos assim.  Excluir, por favor, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.  A intenção de Machado não era deixar memória de ninguém, muito menos a sua.  Apenas, e tão somente, escrever para os seus leitores o admirável livro que até hoje — e vai durar para sempre — encanta a quem o lê.
            Por falar em encanta, quem pode deixar Guimarães Rosa fora?  Nossa literatura, a brasileira, é muito rica.  Mas se eu deixar este assunto sem falar nele, estarei sendo mais um que vive errando, errando, e não se convence disso!  São tantos!
            Eu mais um.  Não consigo fechar a crônica, mas sem antes dizer que “O Velho e o Mar”, que já li mais de seis vezes, é de uma riqueza sem par.  A luta de Santiago com o peixe, a captura e a defesa da sua conquista, miseravelmente devorada pelos tubarões, é a luta pela Vida e Dignidade dos homens de hoje e de todo o sempre.   

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

O blog

                              

               Mas afinal o que é o blog? 
            Passatempo, diversão, exibição pessoal de falsas — ou verdadeiras de opiniões de quem escreve?
A mim me parece que não.  O blogueiro de coração não escreve por escrever, nem aparecer, nem ficar famoso, muito menos com pretensões de entrar para a ABL.  Duvido muito que alguém não conheça a sigla.  Academia Brasileira de Letras, onde se concentram, e concentraram grandes cérebros pensantes da literatura.  Não, que ninguém pense que a Academia só escolhe seus membros dentre os literatos.  O doutor Ivo Pitanguy, por exemplo, foi acadêmico.  Seus trabalhos publicados mundo afora autorizavam isto.  Literatura? Sim, sobre cirurgia plástica e suas implicações!
            O blog é opinativo.  O blog é debochado.  O blog é agressivo, ou o contrário. Está nas mãos de jornalistas conhecidos, assim como de que nada tem com opinativo da mídia.  Talvez uma espécie dos antigos diários, onde adolescentes guardavam a sete chaves?  Parece que não, pois eram textos escondidos, pessoais, que diziam respeito só ao autor, enquanto essa novidade é dirigida a todos.  Acredito que todos nós blogueiros sintamos uma gostosa e livre maneira de expressar-nos, como estou fazendo agora.  Lula não presta, é um ladrão contumaz e pensa que o povo é idiota, seria, e é, uma verdade do blog e outra do processo criminal onde foi condenado.  Estas são afirmações do blog.  Cometeu crime, quem escreveu e postou?  Que responda, mas acredito que poucos blogueiros tenham foro privilegiado!
             Sobretudo, ele não pode ser mero divertimento.  O que a internet permite e permitiu, Umberto Eco, não foi dar voz aos idiotas analfabetos.  Sua opinião é válida, claro, mas não é como verdade matemática.  Até hoje é discutido qual é o verdadeiro postulado de Euclides.  Sabe Eco, garanto que você não sabia!  Aí mora a verdade blogueira.  Neologismo, bem o sei, mas dou de volta uma opinião que entendo descabida. 
            Assim vamos.  Parágrafo por parágrafo está construído o texto.  Dizem, eu não sei se é verdade, que Saramago manteve um  enquanto vivo.  
            Que me corrijam os colegas e amigos blogueiros.

               

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Que mundo é esse


                    

            Perece, a gente nunca tem certeza, que nós estamos constantemente nos indagando que mundo é este em que estamos vivendo.
            Até trinta anos atrás, é a média que todos fazem, casais de namorados, com a amada pela mão, passeavam por ruas das cidades sem nenhum temor. Traficantes restringiam-se nas entradas das ruas de acesso aos morros conhecidos por haver tóxico.
            Fuzis de guerra, como o AR 15 e o AK 47, respectivamente norte-americanos e russos, estavam em quartéis.  Hoje, andam como nossas antigas carabinas de pressão, capazes de matar um pardal, isola, é maldade, mas pirralhos são dados a experimentar a sua pontaria, aquelas armas andam na mão de menores, os famosos soldados do tráfico.  Pequenos, sem formação muscular e óssea definida e forte, sem formação cerebral, tornam-se gigantes com um fuzil semiautomático.
            É tudo de ruim?  Não, não é mesmo.  Cretinos dirigentes de povos resto do mundo também fazem o mesmo, mas com mísseis de longo alcance, que num futuro bem próximo poderão transportar artefatos nucleares poderosos.
            Ou seja, não parece, o mundo realmente virou de cabeça para baixo.  Tudo anda errado.  A corrupção campeia, em qualquer atividade, inclusive, e quem poderia imaginar, na esportiva de competição.
            As Olimpíadas do Rio de Janeiro serviram para os dirigentes moleques enriquecerem.  Tanto os da área esportiva, como os executivos que ficaram milionários com as obras exigidas pelo Comitê Olímpico Internacional. Foram vendidos ingressos sem controle, as obras superfaturadas, o erário dilapidado.
            A Copa de Futebol não foi diferente. Fraude em cima de fraude. Agrada ao autor estar escrevendo tudo isto, ao invés de estar louvando seu povo?  De jeito nenhum, não!  Envergonha!   
            Então porque escreve, perguntarão muitos?
            Para mostrar que falsos líderes, verdadeiros moleques ladrões, não é preciso citar nomes, todos conhecem, que devem ser extirpados da vida nacional.
            É assim.  Mudar, serem punidos, ou até mesmo castigados mais severamente pelo pobre povo brasileiro.   

              
            O agressivo e belo porta-aviões George Washington, da 4ª Frota Norte-Americana

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Somos todos ladrões

                       

            Contou-me um amigo muito chegado, que foi aluno de Fernando Henrique na Universidade de Paris, mais conhecida no mundo como Sorbonne, que quando os portugueses aqui chegaram endoideceram.  Estavam no Paraíso!
            Imaginem.  Meses nos conveses das caravelas, Sol impiedoso, bolachas mofadas, vinho de qualidade inferior, água quase podre, avistam terra! Sujos, mal cheirosos, ferram os grandes barcos e caem n’água como bando de meninos.  Grande grupo vai à terra.  Lá encontra frutos deliciosos, água que coloca em dúvida as melhores do mundo.  Sim, tinham alcançado o paraíso!
            Mas os donos, a que tudo assistem, nus, fortes, cheirosos e decididos, assistem ao desembarque pacificamente.  Índios, os donos da terra.  Não foram agressivos.  Nenhuma flecha foi atirada, nenhum arcabuz disparou.  Sabia Portugal que terra aqui existia, mas nunca imaginou sua riqueza.  Houve confraternização.  Índios e brancos festejaram, abraçaram-se, beberam e comeram juntos, e conseguiram entendimento sem nada falar um a língua do outro.  Os marinheiros ficaram literalmente tarados pelas mulheres.  Eram livres, cheirosas, tomavam banho todos os dias, banho de mar salgado e limpo, e após, antes do escurecer, no rio próximo, quando usavam ervas aromáticas no corpo e nos cabelos.
            Este povo, vendo estragada a comida dos que chegavam, ofereceram pratos com alimentos frescos, colhidos no dia ou no anterior, frutas colhidas no dia, risos, danças e alegria.  Sim, sim, era o paraíso!  Proibições não existiam, e tudo o que poderia ser feito, foi feito.  Sem pecado, sem crime, sem problemas de qualquer espécie.
            É pena!  Os índios ainda existem, mas em condições de explorados e furtados da sua terra.  São excluídos.  Os brancos, maioria absoluta, construíram favelas de concreto, exploram a terra sem o menor respeito à natureza, colocam agrotóxicos nas plantações, hormônios nas criações, tomam água poluída por eles mesmos, têm péssimo valor moral e social e são guiados por malévolas políticas que antes ninguém conhecia.
            Triste destino de um povo!


imagem: A Primeira Missa, o/s/t, Victor Meirelles,  Museu Nacional

também publicado na revista eisfluências, Lisboa, Portugal