quarta-feira, 18 de março de 2009

Venturoso

Mendigos










Venturoso não pertencia à família que quisesse homenagear Dom Manuel. Tinha este apelido somente por que dava uma sorte danada com mulher.
Era um tal de Zeca isto, Zeca aquilo, Zeca disse, caramba, uma chatura este negócio de Zeca, ou seja José Carlos o seu nome ser toda hora pronunciado pelo mulherio. Bonitão, só não podia abrir a boca. Errou quem disse que ele não tinha dois dentes. Errou quem disse que seu hálito matava urubu voando a mais de mil metros de altura. Vocês são muito precipitados. Já ficou devidamente esclarecido que Venturoso era bonitão!
Não podia abrir a boca de alvos dentes e sem nenhum odor porque era uma besta. Um idiota mesmo. Se era famoso entre as mulheres, era por causa do seu porte, sua carteira e algo mais que não devo mencionar. Mais nada. Vestia-se bem, claro, tinha dinheiro e bons amigos que não deixavam ele comprar aquela camisa indiana, que da Índia só tinha a etiqueta, era chinesa legítima, falsa, falssíssima.
O fato é que Venturoso, o Zeca, conseguiu ninguém sabe como deixar-se apanhar por uma estranha e linda mulher, olhos determinados, e que tinha fama de ser bruxa famosa. Os encantos começaram a surtir efeito. Zeca contratou uma professora de português. Como se não bastasse, ensinava muito bem o inglês também.
Bruxa é bruxa, e em menos de ano dava gosto conversar com Zeca, o Venturoso era capaz de manter uma conversa agradável longo tempo. O inglês ia de bem a melhor. A bela bruxa havia feito valer seus talentos.
Por uma maldição qualquer, talvez dos deuses do Olimpo, devassos, incestuosos, vingativos e safados, a ligação que o Venturoso mantinha com Isabela, o nome da bruxa, sofreu um terrível abalo quando ele se encantou pelas pernas e pelo traseiro de uma rainha de bateria de escola de samba, cujo nome omito por uma questão de escrúpulos.
A bruxa Isabela soube logo, enganar uma bruxa como?
O fato é que Venturoso perdeu o dinheiro que tinha, não fala mais coisa com coisa, sumiram as roupas e mulheres bonitas. Perdeu tudo!
Dizem, eu não sei se é verdade, que hoje anda com um grupo de mendigos, lá nas proximidades da Lapa...

2 comentários:

Caio Martins disse...

É no que dá brincar com bunda de rainha de bateria e bruxa safada ao mesmo tempo... bobeou, o cachimbo cai da boca. Bela crônica, m'rmão!

Ricardo Cassib disse...

Uma descrição perfeita da degraça da mendicânca. Real e cruel!
Bravo!