terça-feira, 9 de março de 2010

Crônica de domingo

Brincando no parque/Google
















As ruas estão quase vazias, comparadas com os outros dias da semana.
Falam baixo; a obra da esquina, um bruto edifício de vinte andares, só tem o vigia com o seu rádio que toca música sertaneja. Baixa, não dá para incomodar, desde que um sargento paraquedista, morador no local há pouco tempo, resolveu dar um ultimato ao ouvinte.
- Você me acorda outra vez com esta merda de música alta e vai engolir o rádio. Sem água!
Discutir com o tal sargento? Nem pensar, parece um tanque de guerra e não um soldado. Deve estar dormindo, ainda é cedo.
Dia com pouco Sol e os pais levam a pirralhada para um grande e bem cuidado parque próximo. Criança também costuma aborrecer, falam alto, discutem, brigam. Hoje não. Os pais acompanham e elas não estão em grupo.
Tem a sinfonia das bombas que puxam água da rua, estão ligadas, os edifícios têm que manter suas cisternas cheias. Essa de lavar com mangueira está proibida. Que coisa, lavar o passeio com água tratada! Falta de educação de uma gente que já não é lá muito educada.
A lanchonete está preparando seus pratos, o cheiro chega aqui. Não é nenhum restaurante francês, mas os pratos são apetitosos, sem falar na deliciosa pizza feita no forno de pedra. Acho que estou com fome. Que tal uma banana madurinha, beleza de cor! Não, banana agora não. Meu chardonnay já está na geladeira, não custa e tomo uma taça mal-educada, cheia até quase a boca.
Vale tudo; afinal hoje é domingo, e para não ser sacrílego, paro de escrever. Vou dar uma saída para comprar o jornal, uma bela desculpa para ficar olhando as mulheres que gostam de flanar nas manhãs de domingo, calmas como esta.

5 comentários:

Chica disse...

Linda,leve e deliciosa crônica, combinando com as manhãs de domingo!abração,tudo de bom,chica

Caio Martins. disse...

Sader, aí já nem é mais domingo... é entrar em estado de graça!

Abração, mano-véio!

Rosana disse...

Não foi dificil imaginar que no final você iria dar uma voltinha...rss...

Amei o texto...

Beijo

Pedro Jorge disse...

Bem escrito, humor fino, sem apelações para a vulgaridade, comum neste tipo de crônica.

boscolysilver.com disse...

Suave comos as flores,sua cronica.E , tão bela como às mulheres. Sader, agradeço sua visita à minha pagína.Um forte abraço.