quarta-feira, 23 de maio de 2012

Rio nem tão antigo













Rio nem tão antigo

O Rio de Janeiro já foi sim, de verdade, a Cidade Maravilhosa.
Vou ser rápido, a saudade é grande. Dá vontade de chorar! Mesbla, Sears, Sapataria Mota, Polar, não existe uma só delas para contar história.
Quando menino acompanhava minha mãe na Sloper (moda chique). Ela gostava de olhar. Casa Granado, tinha tudo de perfumaria, em bancas que você mesmo escolhia. E outras. A Sloper tinha vendedoras lindas e elegantíssimas, eu era pirralho, oito, nove anos, mas já ficava de olho e, bons tempos, sempre ganhava carinho de uma...
Antes havia O Príncipe, moda infantil na Avenida Rio Branco. Sua propaganda nas emissoras de rádio, na época, era a famosa frase “Príncipe veste hoje o homem de amanhã”. Sou um deles, idoso, bem verdade. Meu enxoval foi comprado lá. Pobre do meu pai, deve ter feito uma prestação, era na época jornalista do Diário de Notícias.
A Rádio Jornal do Brasil, com o seu locutor famoso pela voz forte e muito bem empostada, o Majestade (Jorge da Silva), considerada a voz mais bonita do país, era muito famosa pelo pregão “Rádio Jornal do Brasil, Rio de Janeiro. Na capital da República, doze horas”, e soava um gongo precisamente ao meio-dia. Muita gente ligava ou passava a estação do rádio para a JB, só para ouvir Majestade anunciando a hora.
O Rio já foi muito mais interessante. O excesso de população arrebentou tudo.
O Café Palheta, na Rio Branco, era um must. Quando você estava tomando um cafezinho, via ao seu lado um Guimarães Rosa, ou Dorival Caymmi, Nara Leão... Acabou não sei por quê. Nunca bebi só uma xícara. Eram duas, com uns três cigarros. Todo mundo fumava, inclusive médicos famosos.
Hoje a vida é melhor? Não sei disso não...

imagem: Café Palheta, Avenida Rio Branco

17 comentários:

Rita Lavoyer disse...

Ô, Jorge!
Quem diz que nostalgia faz mal à saúde bom sábio não é!
Ou é ruim de coração ou doente dos dedos, já que não tecla saudades em seus textos...
Tenho certeza de que a "Casas Bahia" tem aí!
Infelizmente não dá para controlar esse 'excesso de população', impedi-la?
Um controle importante que temos em nossas mãos é o das lembranças. Ele é intransferível.
Vamos vivê-las, pois, imensamente enquanto possíveis. Não somos nós, hoje, partículas infindáveis do nosso passado, que produz futuro?
Que bom termos histórias para revivê-las, revivendo-nos.

Adorei conhecer um pouco do seu cantinho de lembrança.

Carmem Velloso disse...

Jorge, mas que riqueza!
Se você tinha esta crônica há mais tempo, por que não postou no Portal Literal?
Já ouvi falar nisso tudo, em pps e conversas de mãe, pai e avós. Dizem que o Rio era um charme, tranquilo e lindíssimo. Faz uma crônica maior, com mais lugares.
Beijos. Carmem

Marco Bastos disse...

Prezado amigo, Jorge. Esse é o problema - crescimento excessivo e desordenado. Salvador está ficando ou já ficou um lixo. Uma cidade linda, um acervo arquitetônico bonito (ex-Pelourinho) e no entanto tudo se degradando, como no Rio e em São Paulo.
Quando eu vivia em São Paulo ia com frequência ao Rio, desde o final da década de 50. Tinha umas tias que moravam lá. A maioria dos lugares que você citou eu conheci. Do que menos me lembro são as lojas da Rio Branco, do centro em geral. Do centro, lembro-me bem (e com saudade) da Cinelândia, do Jardim da Glória, da Praça Paris, à noite iluminada era uma beleza, do Santos Dummond. O apartamento de uma das tias era na Rua Santo Amaro, Catête, e eu via à direita o Bola Preta, o Santos Dummond, o aterro do Flamengo. e a baia de Guanabara.
Outras tias moravam na Leopoldo Miguêz, entre a Bolivar e a Barão de Ipanema. Aos domingos acordava com os sinos de uma igreja que havia nas proximidades. A praia de Copacabana era uma beleza. Havia ainda vários casarões, um dos mais famosos, o de Chateubrand. Assisti à saída do Juscelino do Hotel Miramar, para tomar posse no Catête. Em 1955 eu tinha 11 anos, e andava só ou com um irmão mais novo por tudo aquilo. Do jardim do Lido, posto 2 ao posto 6. Fui várias vezes ao Forte de Copacabana, à Lagoa Rodrigo de Freitas e ao Arpoador. Era só pegar um bonde ou ônibus e pronto. rs. Achava bonito o túnel Velho (tinha um bonde) que desembocava no Botafogo, quase em frente ao São João Batista. Nos meados dos anos 60, mais crescido, esticava mais os passeios, Corcovado, Urca e Pão de Açucar, conheci o prédio do Ministério de Minas e Energia e a Faculdade de Medicina. Foi quando também conheci o Leblon, Joá (no alto havia um restaurante muito bonito, o Esquilo). Jardim Botânico e o bairo de Laranjeiras. Mais à frente a Barra da Tijuca. No centro, Confeitaria Colombo, não me lembro se era na Gonçalves Dias, e havia outra na N.S. de Copacabana. Cabral 1500, um bar/pizzaria na primeira quadra frente à praia, próximo do Cine Rian. E tinha também o Caravelle, barezinhos gostosos e badalados. Belas cariocas, a caminho do mar(co). rsrs. E o teatro da Aliança Francesa e o do Ministério da Educação (uma tia trabalhava ´no Ministério, prédio do Niemayer). Esse foi o período em que mais aproveitei o Rio. Em 1978 trabalhei 7 meses no Rio, pela empresa que me contratou na Bahia. Já nesse período, achei o Rio mais confuso e não era a mesma coisa. Nos finais de semana ia para a serra onde conheci algumas cidades e alguns hotéis-fazenda.
Obrigado pela bela crônica que reacendeu essas lembranças. Nas últimas vezes que estive no Rio aconteceu o mesmo que senti em São Paulo. Tristeza por ver locais bonitos e nobres, degradados.
abraço.

Anderson Fabiano disse...

Jorjão,

Acabo de receber um PPS com cenas do Rio antigo. Com exceção das fotos de 1910 e 11 (aí também é sacanagem) estive em todos aqueles lugares.

É parceiro, só mesmo as garrafas de Concha y Toro (ou as de Logan também) pra aguentar a gente revivendo todas essas maravilhas. Não é não?

Quer saber? Tô achando essa tal de modernidade um saco!

Meu carinho,

Anderson Fabiano

petuninha disse...

Alô, Alô, Repórter Esso, Alô.(o prefixo inesquecível de Eron Domingues).
Às 18.00h quem não ouvia a Ave Maria
de Julio Lousada!
As Rádios Tupy, Tamoyo, Mairink Veiga e Nacional.
... Ainda a Banda de Ipanema.
Épocas em que as saídas noturnas e boêmias, nos bairros e centro nao precisava de policiamento ostensivo.
Não havia marginal nem assaltantes.
No Posto 6, como era bom ficar até o dia clarear!
Beijos, Petuninha

petuninha disse...

Prá não esquecer:

- Há muitos cariocas que sentem saudades da INVERNADA DE OLARIA, do Governo Carlos Lacerda!!!

-Como esquecer: Teatro Recreio, Confeitaria colombo, O Amarelinho,
Beco da fome, Beco das garrafas e os famosos grandes prêmios Brasil no Jockei Clube da Gávea>
Beijos da Petuninha.

Maria Luzia Fronteira disse...

Bela mensagem Jorge mergulhada nos tempos d'outrora numa coberta de saudades...
Abraços
Manuela

lino disse...

Só conheci há 5 anos, gostei, mas vi tudo com medo dos assaltos!
Abraço

Caio Martins disse...

Jorge, perdemos muito com a pressa, a ideia equivocada de "progresso" e o desprezo pela História... Belo resgate, meu caro! Despertou a lembrança de inúmeros lugares extraordinários que não mais existem.
Forte abraço! E parabéns, Mestre.

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Belo e nostálgico texto, Jorge. Gostaria de ter curtido um Rio que aparentemente você conheceu, nos idos de 50 e começo de 60 - o nascimento da bossa nova, o auge de Ipanema, beco das garrafas e quanta coisa mais. Bons tempos! Abraços.

IDERVAL TENÓRIO disse...

IDERVAL TENÓRIO disse...
IDERVAL TENÓRIO disse...
Amigo e professor Jorge, as grandes aglomerações tiram do ser a sua individualidade e o elemento passa a fazer parte de uma massa como um todo,com esta propriedade perde a capacidade da convivência em harmonia.
Experiencia realizada com ratos em cativeiro mostrou que: após atingir certa população,os genitores perdem o interesse por suas crias,estes se divirtuam e num certo período de tempo passam a não respeitar os seus semelhantes culminando com agressões ,culminando muitas vezes com o canibalismo.
Amigos, grandes metrópoles viraram celeiros e fábricas de marginais em todos os níveis sociais. A vida perdeu totalmente o seu encanto, o homem vive hoje para a sobrevivência ,vive numa eterna vigilância para não ser consumido literalmente pelo semelhante. Os desletrados consomem pela força e pela truculência, os alfabetizados,os letrados ,os dirigentes em todas as esferas,consomem os semelhantes tanto na truculência como na desviada canetada e na vivacidade virada para a maldade. Vibrei com os momentos de saudades que tambem presenciei, nas mesblas , sloper,s nas varigs da vida. O Rio era uma familia,como era Fortleza,São Paulo e Salvador. Adeus amigo Jorge à casa Colombo,aos passeios com os grandes artistas da época,artistas que não eram muito diferentes dos mortais, não existiam os forços financeiros e midiáticos dos dias de hoje, o artista era apenas mais um cidadão que fazia parte daquele universo .O mundo era melhor e o povo também.Um abraço do amigo e leitor contumaz Iderval Tenório

23 de maio de 2012 22:23

23 de maio de 2012 22:25

Maria Luzia Fronteira disse...

Passando por aqui mais uma vez Jorge e ler sua mensagem saudosista num mar de simplicidade acessível a todos os leitores...e obrigatoriamente lembro-me também da minha cidadezinha funchalense...do comércio tradicional já em vias de extinção devido às grandes superfícies.
Abraços
manuela

Espelho disse...

É querido amigo,
Como diz o Caio: " a ideia equivocada do progresso"... E é verdade - o progresso que chegou a regresso... As porteiras do umbral foram abertas, devido a um progresso de ganância mal concebida, de pensamento egoísta de não ter sido um progresso natural num pensamento abrangendo a totalidade... Então, que fez a Dona de todas as vidas? Revoltada com a atitude do homem, que nada soube respeitar, passou por cima de tudo e todos. Então, Ela abriu a porteira e travou a batalha do "Salve-se quem puder e se puder"... Liquidou o animal Racional que nunca quis manter as Leis Naturais de Seu Comando Maior! E agora estamos vivendo de saudades, de tempos calmos e de vida boa e farta... E, agora, os ladrões são materializações de marginais do espaço executando a liquidação da classe de animal... E foi dito que iríamos sentir saudades das músicas românticas e de tudo que era poesia e sentimento humanitário... Agora, para não ir de roldão, é desenvolver o nosso potencial individual com Ela - o raciocínio. Eu estou nessa há uns vinte anos e tenho falado sobre isso, tenho repetido muito, que até já enjoou... Mas, continuo enjoando quem me ler, pois, o recado é falar até cansar... Bjs. Mel Racional

marcia disse...

Tem razão Jorge,o Rio mudou o figurino mas continua lindo !!..Crônica perfeita......bjus

Elielson disse...

Jorge, sou um carioca por autoadoção. Vivi no Rio do fim dos anos 60 até meados dos anos 70. Naquela época muito do que você falou ainda existia. Quando lá cheguei, vindo do Pará, procurei os lugares-identidade que eu conhecia pela Rádio JB que ouvia em Capanema, depois das 22h dadas as interferências existentes. Ouvir o "Majestade" falar da Casa Masson - outro ícone daqueles tempos tais como Papelaria União na Ouvidor,a M.E.I.R.A na rua da Quitanda com suas reluzentes lapiseiras Caran D'Ache, esquadros compassos. Tomo a liberdade de me apossar das palavras da Rita Lavoyer para finalizar meu texto. Elielson Barbosa, de Belo Horizonte

José Luiz Montenegro disse...

- Na década de 70, sempre que de férias voltava ao Rio, depois de enfrentar a Belém-Rio, pedia ao motorista de táxi para sintonizar a rádio Jornal do Brasil para ouvir Eliakim Araújo anunciar: "Banorte um amigo na praça e o tempo no Rio."

Mel Racional disse...

Saudades amigo!
Perdi o e-mail e levou muito tempo para reaver.
Criei outro e perdi os meus amigos caros.
Hoje, depois de um bom tempo,revejo no Face, como minhas lembranças, este seu Blog e um comentário meu;vou copiar o link, para acessar sempre e ler vc outra vez!

Salve!

Mel - 25\05\2016