quarta-feira, 2 de maio de 2012

A calma da noite














A calma da noite

Tudo silêncio. Não se ouvia a barulheira infernal das cidades.
O mundo mudou para pior, bem pior. O desrespeito pela sociedade parece ter tomado conta de tudo. Não parece, tomou mesmo.
É só aqui? Todos fazem a pergunta. Não. O mundo caminha por trevas. Estas vias obscuras parecem ter tomado conta em definitivo do poder.
É o crack amaldiçoado, o sintético químico que mata aos poucos, sem ninguém perceber. O ecxtasy arrebenta tudo, corpo e alma. Mas tem cada vez mais adpetos, que não tomando conhecimento da acumulação progressiva no corpo, usam indiscriminadamente a droga que deixa a boca seca.
É o mundo que se vive hoje, não por todos, mas por minoria que pode contagiar. Era o que acontecia com o casal que não passava dos vinte e cinco anos de idade. Bebiam água, muita água. Os sensores cerebrais haviam perdido o controle sobre o corpo. A casa da balada permitia que tal fato acontecesse. Assim é no mundo inteiro. Parece que os jovens, especialmente os que não foram educados com carinho por pais e mães, perdem-se no aparente mundo encantado.
O mundo é assustador e maravilhoso, ao mesmo tempo. Será que é fato de hoje?
Tudo leva a crer que não. O mundo mudou. Impossível saber, se no silêncio da madrugada, estamos descansando, dormindo ou não.

Para muitos, as noites altas são feitas visando o descanso. Muitos, e não são poucos, gostam de aproveitar o período para produzir.
"Suave é a noite", de Scott Fitzgerald, é um dos exemplos.
A noite é tranquila. Pode sim, pode não. Afinal, é uma questão de gosto. Nada mais.

18 comentários:

petuninha disse...

Jorge!
Tudo o que acontece são consequências que vêm se acumulando há muito tempo.
Na base está a falta dos verdadeiros conceitos. De vida, de Deus, de leis universais, de Deficiências, de amor e infinidade de outros.A grande maioria também não tem estes conceitos para ensinar aos filhos.
Beijo, Petuninha

Mardilê Friedrich Fabre disse...

A verdade é que educar hoje é muito difícil. Além do grupo, que é uma interfência normal, existe a TV, a Internet, enfim toda a mídia. Abrs. Mardilê

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

A noite tudo aceita, e nela todo gato é pardo. Para o bem e para o mal. Mais uma lavra certeira, sem rodeios, ao seu estilo. Parabéns, Jorge.

Caio Martins disse...

Jorge, é de noite e de dia, meu caro. Mas, nada mudou, na essência, na qualidade humana desde sempre, numa espécie aparentemente destinada a extinguir todas as espécies, inclusive a própria.
O que mudou foi a quantidade: muito bicho-gente para pouco planeta.
Quem viver, verá! Abração.

lino disse...

Para mim a noite é mesmo para dormir!
Abraço

Nadir disse...

Jorge tua crônica chega aos leitores, bastante clara, mais que tudo de forma alertiva!
Muitas vezes me questiono, sobre os valores dos dias atuais, já vivi algumas décadas... em minha juventude havia a maconha e, o furor do momento, (LSD), cocaína era pouco comentada. Nos bailes, nos grupos de amigos, sempre havia quem fizesse uso e nos oferecia. A vontade de experimentar o que era desconhecido e que, segundo relatos, levava a visões delirantes, isto para os jovens era algo instigante.
Só que no fundo, embora sendo jovens, havia uma consciência, uma forma de educação, onde nossos pais estavam sempre presentes. Faziam perguntas, e procuravam nos mostrar as conseqüências, quanto ao uso de drogas. E qualquer alteração comportamental, física ou psíquica era facilmente notada por eles.
Hoje por força das circunstâncias, os pais trabalham, filhos são cuidados por babás, ou pelas avós que, pouco ou quase nada, podem fazer pelos netos. Devido à diferença de idade, saúde dos cuidadores e, também a existência do conflito de gerações..
Não há estímulo do governo para práticas esportivas, isso é fundamental,
Na infância, juventude, pois quem pratica esporte, tem que estar sempre saudável, é orientado para não beber, fumar, praticas que vão contra qualquer desempenho físico. Desta forma estariam menos propensos a experimentar drogas, ainda que os traficantes oferecessem.
Paralelo a isto tudo penso que, não há interesse governamental, quanto mais a população estiver alienada do mundo, dos acontecimentos da nação, melhor.... para comandar a massa que reagirá sempre como rebanhos)
Fora o dinheiro que o tráfico de drogas rende, ( para muitos....)
Desculpe-me fui um tanto, prolixa.

IDERVAL TENÓRIO disse...

Mestre Jorge,na última pesq. em Nova York os números mostraram que de 5 a 10% vivem da criminalidade,não é diferente de outras metrópoles,Fruto da desvalorização da ética e da responsabilidade civil.Na última pesq realizada num grupo universitário do Brasil,mostrou quer a maioria dos estudantes universitários preferiram ser ricos sem ética e sem respeito,do que que classe média com respeito e ética, é a deteriorização da Sociedade, postei um artigo intitulado a familia pede socorro que responde exatamente este desabafo leal de um cidadão que só fez , só pensa e virado para o bem.
Iderval.

IDERVAL TENÓRIO disse...

A FAMÍLIA O exercício exacerbado da cidadania coloca em cheque a autonomia da família, fazendo-a perder força e à proporção que sangra mergulha numa falta de controle, deixando os genitores atordoados.Inicio abordando a autonomia da família na religião, era inadmissível que no mesmo núcleo familiar um dos seus membros por qualquer motivo mudasse de religião. Uma vez sendo o tronco, católico ou protestante, seria necessário um fato muito marcante e relevante para haver mudanças na trajetória religiosa nos seus descendentes, com o exercício da cidadania, o livre arbítrio e uma sociedade laica, houve uma mudança radical do comportamento, sendo muitas famílias no tocante a religião uma verdadeira torre de babel, cada membro segue caminhos religiosos diferentes, gerando divergências, quando no passado a crença religiosa era fator de união e de convergencia.No item cultura e educação, poucas são as famílias que conseguem implantar nos seus, o produtivo legado familiar, os bons costumes e as tradições, sem esquecer o necessário progresso e a indispensável atualização, acontece que na grande maioria, os núcleos familiares perderam para os veículos de comunicação, veículos que em mais de 90% do tempo são deseducadores, que numa avalanche desproporcional substituem os éticos ensinamentos familiares por mais básicos que sejam ,por ensinamentos jurídicos e burocráticos linearmente ,deixando a família apenas com a responsabilidade financeira ,muitos são os deveres e poucos os seus direitos . Os pais passaram em sua maioria a serem obsoletos, sendo preteridos pelos grandes ícones, na sua maioria sem as mínimas condições de servirem como espelhos. Nas escolas, os alunos, os professores, os coordenadores, os pais e os diretores perderam totalmente a propriedade do diálogo, sendo necessário convênios com a polícia, com as pequenas causas e o ministério público, uma vez que, conflitos que eram resolvidos em família entre estes componentes, agora precisam da intermediação da justiça.

Outro ponto que merece muita atenção é a divergência no próprio lar com referencia àalimentação,uma vez que o advento e a popularização da televisão, das grandes empresas que só pensam no lucro e dos bem elaborados comerciais que promovem uma verdadeira lavagem cerebral, está a nova geração se afastando dos tradicionais e milenares pratos,substituindo os costumes e a nutritiva culinária regional por comidas rápidas, produzindo verdadeiras diásporas familiares. Levantamento mostrou que o país cresceu em população o dobro nos últimos 40anos e o consumo total do clássico: feijão com arroz ,continua a mesma tonelagem de 1970, mostrando que em nada cresceu o seu consumo, no seu lugar foram incrementados o consumo dos produtos industrializados de outras nações como-pizzas, hamburguês e outras guloseimas artificializadas, apagando os costumes familiares transferidos de geração para geração.Na convivência com sociedade, mudanças aconteceram nas vestimentas, na vida sexual, na desvalorização dos antepassados, no folclore, na música,na semântica,nos tratamentos,nas saudações, na arcaica e arraigada vida rural. Com este comportamento, o jovem se afasta do convívio com a vida simples de sua região, sofistica as suas vontades e incorpora os costumes e a cultura de outros povos. Perde a família o direito e o dever de repassar para os seus componentes os segredos, os ensinamentos e as grandes experiências, passando a ser apenas uma mera espectadora, sem voz, sem palavra e sem a liberdade de conduzir os seus membros aos bons costumes da raiz geradora daquele núcleo familiar.A família vai aos poucos perdendo a sua autonomia,vai paulatinamente morrendo e sendo substituída pelos poderes públicos, poderes estes,desprovidos de sentimentos,de amor ,de respeito e de responsabilidade familiar,poderes galgados na fria interpretação das leis,leisencastoadas nos diversos regimentos,nos múltiplos estatutos e nos enviesados códigos vigentes da nação. A família pede socorro.
Iderval

Marco Bastos disse...

Olá, Jorge. Suave é a noite. Último nicho protegido (menos utilizado) menos poluído pelo excesso de movimento, de gente e de ruído. É um privilégio daqueles que conseguiram se manter libertos das engrenagens de uma sociedade que impõe ritmos e padrões de funcionamento massificantes. A degradação da estruturação social via desorganização familiar é fenômeno universal - e essa universalidade não significa qualidade. A moda é ruim porque não nasceu para ser boa, mas nasceu para ser efêmera. O individualismo, o hedonismo, o consumismo e o artificialismo vêm criando uma diversificação brutal nas formas de se viver e o homem quica como gota d´água em chapa quente. O Estado anacrônico e esclerosado e o capitalismo selvagem não trarão solução. O nosso mundo é o das versãoes e das imagens. Só a dor dói no osso.

marcia disse...

Jorge, acho que nada mudou a quantidade é que aumentou...bjus

Rita Lavoyer disse...

Jorge, é um assunto para muitas discussões. Quando agredimos a sociedade, é porque já não cabemos mais em nós , e nossos conflitos não resolvidos, mas solicionáveis muitas vezes, nos remetem à violência. Qdo digo 'solucionáveis' é porque são, quando nos voltamos pra nós e vamos buscar ajuda para o nosso crescimento. Há recursos, os mais diversos, para melhorar a qualidade de vida do homem; programas, os mais diversos, pra melhorar a vida do planeta; estudos, os mais diversos, para apontar as falhas daqui, dali, de lá e assim por diante. Mas não atingem a população por quê? Porque são poucos os interessados nas questões que você tão bem pontuou.
O importante, é vivermos à nossa maneira, sem prejudicarmos ninguém, nem o planeta e nem a nós mesmos para podermos pôr a nossa cabeça no travesseiro e dormir com a consciência tranquila.

Grande abraço, Jorge.

Abração a todos os comentaristas aqui presentes. Gostei demais dos comentários de todos.
Rita

Anderson Fabiano disse...

Jorjão,

Parece que para alguns, a realidade perdeu a graça, então, palmas à fantasia.

A fragilidade humana (em alguns) parece estar próxima do limite (final?) e as carências acumuladas estão ditando as regras da vida (pobre vida) da rapaziada.

Houve um tempo em que a realidade continha poesia, ou pelo menos, sabíamos enxerga-la.

... Deve ser horrível (para esses alguns), despertar sem fantasia. Afinal, os espelhos continuam presos às suas paredes...

Meu carinho,
Anderson Fabiano

Carmem Velloso disse...

Não me assusta este trágico fenômeno, Jorge. O mundo sempre foi confuso. Papas com amantes e filhos, erários subtraídos em muitas nações.
Não existia o fator droga. Este é mais recente, se não me engano iniciado nos fins do século XIX, e agora uma praga.
Não vejo como o final dos tempos, o problema é que os habitantes são numerosos demais, daí o aumento dos disturbios que o mundo passa.
Falando em aproveitar a noite produzindo, você escreveu "A Regra do Jogo" durante as madrugadas?

Beijos,
Carmem

Lucrécia Fala disse...

Jorge,
adorável sua crônica, até tornou a noite menos assustadora.
Eu acho que as pessoas perderam a luz, porisso a noite tornar-se perdida! para alguns, lógico!
abs. sandra

Jota Effe Esse disse...

Triste realidade, Jorge, sempre presete na história da humanidade e você aborda o assunto com clareza. Resta-nos combater esses males da melhor forma possível. meu abraço.

Maria Luzia Fronteira disse...

Belo, simples e complexo texto Jorge que faz parar para pensar no mundo "este em que vivemos" ...e o pior serão as consequências...há dias ouvi uma expressão de um colega meu de trabalho na sequência do mundo desmazelado em que dizia: "tenho saudades do futuro"...
Parabéns pela partilha.
Abraços
manuela

Sueli Fajardo disse...

Meu amigo, como educadora e mãe, sei bem o que diz. Tragédias e mais tragédias se amontoam no dia a dia da humanidade. O que fazer? Não sei.O nosso contemporâneo é individualista e materialista ao extremo. A falta de amor compromete qualquer relacionamento, seja entre pais e filhos, seja entre homem e mulher, entre amigos. É como se nada tivesse valor algum. Vem a depressão e corrói nossa alma. O que fazer? Não sei. Escolhi continuar acreditando. Acreditando principalmente no amor. Nada é mais revelador, mais educador que ele. Se estou certa, amigo. Não sei. Sei apenas que escolhi o amor. Bjos.

Malu Monte disse...

Jorge, muito interessante essa sua abordagem! É fato, que, nos dias de hoje, não se pode fechar os olhos para o que se apresenta.
Não acredito que um filme ou um livro,faça com que um jovem passe a se interessar por determinados hábitos. Na minha opinião, o grupo ao qual um indivíduo pertença é responsável em grande parte por suas escolhas. Afinal,fica implícito,que para ser inserido no contexto de uma determinada sociedade, um indivíduo deverá passar a aderir seus hábitos ou costumes.
Portanto, como medida preventiva, caberá aos pais e educadores levantarem essas questões de forma aberta com os jovens, a fim de prepará-los para situações pelas quais mais dia menos dia eles se depararão.
Devendo apresentar-se aos jovens todas as opções de caminhos a seguir; Dar a dica do melhor atalho, no entanto, mostrar que a opção escolhida será de responsabilidade exclusiva dele.
Afinal, educação com bases verdadeiras e sólidas é sempre o melhor caminho!